segunda-feira, março 31, 2003

::Não sejas parvo, rapaz::

Para quê (para quê, para quê) tudo isto
se ando a ler Somerset Maugham e
compreendo tudo, tudo?
(O anavalhado livro está no fio...)
(Que óptima ideia - a biblioteca!)
Não sejas parvo, rapaz, há mais coisas além do céu, tantas que nem
Shakespeare (o que abana a espada) soube contar (enumerar, discriminar).
Ontem, perto do sopé da montanha, desceu-me um duende ao ouvido e disse:
"Ás vezes sei de coisas que nem sei como soube delas."
Espantei-me magnificamente. Os duendes nascem do céu! E têm questões filosóficas consigo! Os duendes, por Deus, os duendes!
E, por aqui, como vão as gentes absolutamente terrealizadas?
Vão desrealizando desrealizando-se na vida que se vive vivida.
O soberano e muy acumulado bom senso reina.
(Acumulamos coisas, não nos acumulamos a nós próprios, já repararam?)
Não sejas parvo, rapaz, não sejas parvo.
Há que realizar a total desrealização, proferem.
(Doce, doce inanidade...)
(Ando a ler o enchanted Heyst do Conrad... interessante, gosto.)
Gosto.
(O tipo é um barão sueco cavalheiro até à medula.)
(E depois há o Schomberg, a singular besta.)
Enfim, não se fale mais de mim.
Cale-se cale-se no morno mar a histeria do fim.
Que imbecilidade rapaz, a ler Conrad?!
O duende trambolhou montanha abaixo - um género de desporto radical - e num discreto sussurro disse:
"Às vezes sei de palavras que nem sei como soube delas.
Vêm-me, etéreas, poisar nas mãos porque as conservo
nuas, vazias e limpas."
(E 'tás praí especado a observar a folha branca e não compreendes que já acabou?)
(Vai-te embora. É fecho de emissão.)
Fechou.

1/2000


(E aqui fica mais um poema, antigo, porque a poesia não se achega a mim já há bastante tempo.)

domingo, março 30, 2003

Bush canta!

What Drink Are You?
What Drink Are You?

Tenho o livro a um terço de o acabar e não quero terminá-lo. Não sei se por já estar farta ou se por gostar tanto que adio o fim.
E depois, para descontrair, vou para a poltrona ver a guerra das luzinhas. Lá, lá ao longe...
Lá ao longe, onde se descarregam toneladas de bombas sobre uma cidade para (desconfio) acertar nessa minúscula, microscópica agulha escondida no palheiro. Arrasar com a cidade e ter a certeza que o gajo não se safa.
Imagino: anos setenta do século passado, antes do 25 de Abril. E se quisessem ter dado cabo da ditadura (a nossa, que durava e durava e durava, tipo pilha duracel) à força de bombas?
Arrasar com Lisboa para apanhar os gajos.
Our own private war. A nossa guerra das luzinhas. Eu na altura estava na França, no ventre da minha mãe. Nasci em '73, vim para Portugal com a democracia instalada.
E agora, ao ver a tvi, a sic, a rtp, a ntv, a têvê do raio que o parta, às tantas da manhã, não consigo deixar de pensar: podíamos ter sido nós.
Ou: podemos ser nós um dia.
É que nunca se sabe.

Começo a ter medo do futuro. Começo a temer coisas que antes não temia. Coisas i-ni-ma-gi-ná-veis.

[/Lola out]

Durmam bem.
(While you can...)

sábado, março 29, 2003

IAmABlackKitten
I am a naughty Black kitten


What color of kitten would you be?
brought to you by Quizilla
Não 'tou cá com grandes vontades de escrever... não sei porquê, talvez me tenha fartado da história.
Ou talvez seja pura preguiça...

...
Acabei de fazer uma boa acção. Vamos lá a ver se o visado aceita, lol.

quinta-feira, março 27, 2003

quarta-feira, março 26, 2003



Hibisco havaiano.


Hortências.


Gerberas.


Lírio.

Preciso de comprar um manual sobre flores.


Orquídea.


Jasmim.
Olha pó cd-rom... close... closer...
Eu ia jantar. Mas depois vi isto.

Perdi a vontade.

*pukes*

terça-feira, março 25, 2003


O FUTURO

Aos Domingos, iremos ao jardim.
Entediados, em grupos familiares,
Aos pares,
Dando-nos ares
De pessoas invulgares,
Aos Domingos iremos ao jardim.
Diremos nos encontros casuais
Com outros clãs iguais,
Banalidades rituais
Fundamentais.
Autómatos afins,
Misto de serafins
Sociais
E de standardizados mandarins,
Teremos preconceitos e pruridos,
Produtos recebidos na herança
De certos caracteres adquiridos.
Falaremos do tempo,
Do que foi, do que já houve...
E sendo já então
Por tradição
E formação
Antiburgueses
- Solidamente antiburgueses-,
Inquietos falaremos
Da tormenta que passa
E seus desvarios.

Seremos aos domingos, no jardim,
Reaccionários.




Reinaldo Ferreira

(Passado no #poesia_e_prosa. Também costumo andar pelo #poesia.)
Stupid Academy Award


"Bowling for Columbine is dishonest. It is fraudulent. It fixes upon a theme, and advances it, whenever necessary, by deception. It even uses the audio/video editor to assemble a Heston speech that Heston did not give, and to turn sympathetic phrases into arrogant ones."
George W. Bush - GWBUSH.COM: Bush/Cheney in 2004!

:D

segunda-feira, março 24, 2003

domingo, março 23, 2003

You are Mary Bell.
You are Mary Bell. At the ripe old age of 10 you
strangled a neighbor boy, afterwhich you carved
your initals into his skin. At his funreal you
laughed. Your next victim was a 3 year old. You
pushed him off the roof, resulting in a broken
skull. After he was found you went to his
mothers house and asked to see him, she replied
tha t he was dead. You smiled brightly and said
'Oh, I know he's dead. I wanted to see him in
his coffin."
You horrid little girl you.
-smacks your hand-


Which Imfamous criminal are you?
brought to you by Quizilla
Trespassa-se avó. Pouco uso.
Razão: chaguice extrema.

Aceitam-se ofertas.

sábado, março 22, 2003

Quero escrever, não escrever, não quero.
Recuso. Recuo.
Não é só preguiça, é outra coisa - a coisa inimaginável (ou inominável).
Para quê escrever se tudo já foi dito e há milhares de autores à face da terra que escrevem melhor do que eu, porra, pá, mas muito melhor.
Inveja.
Eu quero-mas-não-quero. Pronto.
Vou não vou.
Vou.
Fui.

Ser superior a tudo. Ser superior a mim. E escrever sem medo. Sem medo de nada, nem do fim.
We are the prey of the angels.
- Iris Murdock.


Ai que vontade de não escrever... :/

quinta-feira, março 20, 2003

Nomes, mês amoris, preciso de nomes!
Sou péssima para inventar nomes para as personagens.
Preciso de nomes próprios e apelidos (portugueses), masculinos e femininos.

Pleeeeease.
Prémio Literário Orlando Gonçalves.

Do you feel lucky? ;)

Concorram :)


D. Juan

Depois de ele lhes ter comido quilos de baton,
As mulheres,
Enganadas nas suas mais sagradas expectativas,
Descobriram o modo de se vingarem
Do D. Juan.

Todas as manhãs,
Diante do espelho,
Depois de porem rimel nas pestanas,
Pintam os lábios
Com raticida.
Põem raticida no cabelo,
Nos alvos ombros, nos olhos, nos pensamentos,
Nos seios,
E ficam à espera.

Alvas se mostram nas varandas,
Procuram-no pelos jardins,
Mas, tomado por algum pressentimento, D. Juan
Tornou-se rato de biblioteca.

Acaricia apenas edições raras,
Quando muito cartonadas,
Nunca porém encadernadas em pele.
Comparada com o perfume dos boudoirs,
A poeira dos antigos autores
Parece-lhe muito mais requintada.

Mas elas continuam à espera.
Venenosas nos cinco sentidos - esperam,
E se D. Juan levantasse os olhos
Da sua nova paixão
Poderia ver pela janela da biblioteca
Como todos os dias vai a enterrar um esposo dedicado,
Depois de, por erro, beijar a mulher:
Morto no cumprimento do seu dever.

Marin Sorescu 1936-96
O Bombista


Flamejante auriflama incendiada
patriótica face entumecida
com dentes de coroa cariada
e alma nacional - apodrecida.

Galões de oficial. Na face armada
um sorriso de arcanjo genocida
mais os comendadores da comendada
comandita que nos comanda a vida.

Olhar alarve mas não inocente
na mão aberta a palma democrata
na mão escondida a saudação fascista.

É fácil perceber que nem é gente
é um simples piolho que se cata
é um filho da puta é um bombista.

José Carlos Ary dos Santos

terça-feira, março 18, 2003

Qual é a natureza do amor?
NÃO SE CASEM RAPARIGAS


Copla 1


Já viram um homem em pêlo
Sair de repente da casa de banho
Escorrendo por todos os pêlos
Com o bigode cheio de pena
Já viram um homem muito feio
A comer esparguete
Garfo em punho e ar de bruto
Com molho de tomate no colete
Quando são bonitos são idiotas
Quando são velhos são horríveis
Quando são pequenos são maus
Já viram um homem gordo à beça
Extrair as pernas do ó-ó
Massajar a barriga e coçar as guedelhas
Olhando pensativo para os pés


Refrão 1


Não se casem raparigas não se casem
Façam antes cinema
Fiquem virgens em casa do papá
Sejam serventes no carvoeiro
Criem macacos criem gatos
Levantem a pata na Ópera
Vendam caixas de chocolate
Professem ou não professem
Dansem em pêlo para os gagás
Sejam matadoras na avenida do Bois
Mas não se casem raparigas
não se casem

Copla 2


Já viram um homem à rasca
Chegar tarde para o jantar
Com baton no colarinho
E tremeliques nas gâmbias
Já viram no cabaret
Um senhor não muito fresco
Roçar-se com insistência
Numa florzinha de inocência
Quando são burros aborrecem
Quando são fortes fazem sports
Quando são ricos guardam o milho
Quando são duros torturam
Já viram ao vosso braço pendurado
Um magrizela de olhos de rato
Frisar os três pêlos do bigode
E empertigar-se com um ar de bode.

Refrão 2


Não se casem raparigas não se casem
Vistam os vossos vestidos de gala
Vão dançar ao Olímpia
Mudem de amante quatro vezes por mês
Peguem na massa e guardem-na
Escondam-na fresca debaixo do colchão
Aos cinquenta anos pode servir
Para sacar belos rapazes
Nada na cabeça tudo nos braços
Ah que bela vida será
Se não casarem raparigas
Se não casarem



Boris Vian.


Blogalizar por aíiii...
Popular...
Blogalizar por aíiii...

domingo, março 16, 2003

Lábios à Brad Pitt ;)
ChuckPalahniuk.net - Version 3.0

The Essays, Reviews, Interviews
and Memoirs of Chuck Palahniuk.

E segue outro extracto do que ando a escrever.

"Patrick estava num daqueles humores exaltados. E o tema era de arrepiar os pelinhos a um morto.
- Há que ir ao limite.
- Essa conversa enjoa-me.
- Porquê...? Afinal, carne é carne. Comeste carne a vida inteira, sem pruridos, sem crises de consciência, sem remorsos...
- De vaca. De borrego. De peru. Não carne humana.
(O amor, Julie dear, é difícil na vida actual, nos dias de hoje. A malta deixa-se com mais facilidade. Talvez porque se ligam com menos facilidade, não se deixando prender deveras ao Outro. A vida material gets in the way, Julie dear. Conceitos espirituais, subjectivos, são atrelados a conceitos materiais. Dá-se-lhes idêntico valor, rouba-se o mistério. A tudo. Como se se tirasse o molho à alma, Julie darling.)
“Apaixonamo-nos por ficções que depois temos de adaptar à realidade, à pessoa”, citou intimamente. “Salman Rushdie, creio. Em Versículos Satânicos.”
O sacaninha escreve bem.
(E tu, amor, já te adaptaste ao ser e destruíste a ficção, a ilusória imagem?)
“Cala-te. Estúpido grilo.”
- Carne não passa de carne – disse Patrick, extático. – É o tabu que nos atrai e repele, magnetiza.
É o mistério, o proibido, clamou ele."
Eu BlogoSapiens me confesso!

::...::

A vida é uma chatice e eu não quero ir dormir.

::..::

quarta-feira, março 12, 2003


DISTANTE MELODIA


Num sonho de Íris morto a oiro e brasa,
Vem-me lembranças doutro Tempo azul
Que me oscilava entre véus de tule -
Um tempo esguio e leve, um tempo-Asa.

Então os meus sentidos eram cores,
Nasciam num jardim as minhas ânsias,
Havia na minha alma Outras distâncias-
Distâncias que o segui-Ias era flores...

Caía Oiro se pensava Estrelas,
O luar batia sobre o meu alhear-me...
- Noites-lagoas, como éreis belas
Sob terraços-lis de recordar-me!...

Idade acorde de Inter-sonho e Lua,
Onde as horas corriam sempre jade,
Onde a neblina era uma saudade,
E a luz - anseios de Princesa nua...

Balaústres de som, arcos de Amar,
Pontes de brilho, ogivas de perfume...
Domínio inexprimível de Ópio e lume
Que nunca mais, em cor, hei-de habitar...

Tapetes de outras Pérsias mais Oriente...
Cortinados de Chinas mais marfim...
Áureos Templos de ritos de cetim...
Fontes correndo sombra, mansamente...

Zimbórios-panteons de nostalgias,
Catedrais de ser-Eu por sobre o mar...
Escadas de honra, escadas só, ao ar...
Novas Bizâncios-Alma, outras Turquias...

Lembranças fluidas... Cinza de brocado...
Irrealidade anil que em mim ondeia...
- Ao meu redor eu sou Rei exilado.
Vagabundo dum sonho de sereia...



MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
O Surrealismo na POESIA PORTUGUESA
organização, prefácio e notas
Natália Correia
frenesi
2ª edição
2002



(Excerto do que escrevi ontem.)



Ouve-se as notícias ou lê-se o jornal e lá se apanham as palavras prostituídas em eufemismos ou generalizações. O eufemismo que mascara a gravidade do evento e, logo, o diminui, ou a generalização que coloca no mesmo saco factos específicos, comportamentos específicos, pessoas singulares. Gosto de ler os jornais, ver as notícias. Para me lembrar. Da facilidade com que se chulam as palavras. As distorcem. As tornam putas apesar de sérias; circunspectas apesar de rameiras. As palavras dão para tudo, são elásticas. Tal como a alma, a ética humana. Não podemos desrespeitar as palavras, tornar a linguagem conveniente a este ou aqueloutro. É errado. Falso. Há que servir a verdade, a verdade, Julie. Nada mais importa. Morremos e o que deixamos atrás de nós? Rameiras? Palavras poluídas? Língua indigna? Há que ser leal à verdade e tratá-la com respeito. E a verdade acaba no momento em que, para a expressar, nos viramos para as palavras. Se as prostituirmos, sobra o quê?

Ah, os poemas...
... sempre dão porta à alma
e é essa porta que de vez
em quando a salva.

28/11/01
Evil

O que é a maldade?
É a flor negra A flor podre
A água viva estagnada
n'alma de quem vivo estando - morre
E sendo morto mata a
frágil flor branca da bondade
Fá-la minguar Estarrecer
ante a incompreensível iniquidade
O mal no seio de nós nasce
Entre nós cresce
Além de si lança raízes
e nos faz apodrecer
Flor preta Obscura
Maléfica Venenosa
Mentirosa Impura
Se a vires florir ante ti
esmaga-a na indiferença
E a descrença há-de matá-la, pôr-lhe fim

3/12/01


segunda-feira, março 10, 2003

Pronto, já escrevi! Ando a guardar o ‘melhor’ para o livro e esqueço-me do site. Isto é: no fim, escrito o capítulo, não sobra nada para o blog.
Pobrezinho. Abandonado.
Reduzido à reprodução de poemas (perdão: divulgação!).
E para mim escrever a sério não é no computador, tem de ser no papel com caneta de ponta fina, de feltro, tamanho 0.1. My favorite.
Amanhã tenho de comprar outra, ando reduzida a lapiseiras. Tamanho 0.5 porque já não tenho minas para a de 0.3.
(Ai que conversa tão chata, lol.)
Não estou com grande vontade de me debruçar sobre a p*ta da guerra. Digam o que disserem, não consigo achar justificação para nenhuma. A vida é sagrada.
(Ao longe chega-me a voz dos cínicos. Discordantes. Com argumentos de cínicos discordantes.)
Não tenho pachorra, sinceramente.
Também não me apetece falar de pedofilia, pederastas, abusadores, diferenças entre uns e outros, de quem ter mais pena ou não ter ou se é melhor guardar a piedade para outras ocasiões. Para outras pessoas, dela mais merecedoras. Sei lá, sei lá. Sei lá.
Qual a validade, qual a utilidade do castigo? A quem serve? À sociedade?
A quem serve o castigo?
O modo da aplicação da pena (pena não no sentido de dó, é tão giro notar estas discrepâncias, não acham?) – serve a quem?
Esqueçam. Falta de sono, nada mais.
É pena (lá está, de novo!) eu não perceber nada de política, politiquices, matreirices, espertezas saloias (saloiices?).
Ui. Na minha rede me enredo.
Ao menos a gata dorme em paz.

sábado, março 08, 2003

Guerra Guerra
(in Liberta em Pedra, 1964)

São meus filhos. Gerei-os no meu ventre.
Via-os chegar, às tardes, comovidos,
nupciais e trementes,
do enlace da Vida com os sentidos.
Estiveram no meu colo, sonolentos.
Contei-lhes muitas lendas e poemas.
Às vezes, perguntavam por algemas.
Respondia-lhes: mar, astros e ventos.
Alguns, os mais ousados, os mais loucos,
Desejavam a luta, o caos, a guerra.
Outros sonhavam e acordavam roucos
de gritar contra os muros que há na Terra.
São meus filhos. Gerei-os no meu ventre.
Nove meses de esperança, lua a lua.
Grandes barcos os levam, lentamente…

Natércia Freire

quinta-feira, março 06, 2003

As Catacumbas de São Calisto.
Leituras.

Acabei de descobrir este site.
Razões para a Guerra

Eu acho que devia haver guerra. Sei lá, porque é fixe, cool, sei lá. É baril, ‘tá a ver? A guerra dá-nos sempre tema de conversa, logo a seguir ao tempo.
-Hoje está um tempo do filha da puta.
-Pois é. E a guerra, hã!
-Ah pois, a guerra!
Nunca nos falta assunto, sei lá, num cocktail. Numa exposição daquelas pós-pós-pós modernistas. Numa bicha, num engarrafamento.
-E a filha da puta da guerra!
-Ah pois! Você, você não me diga nada!
-Ó homem...! Por quem é, fale!
-Sou pelo Benfica.
-Ah.
-Pois.
A guerra é gira, combina com todo o tipo de roupa. Há a guerra de andar por casa, de sair à rua, de ir a um casamento, a guerra do acordar, do ir dormir.
E depois pode-se comer tudo com a guerra: caviar, salsichas e batatas fritas de pacote, sei lá, ‘tá a ver, combina. Prontos, combina com qualquer estrato social. Um fidalgo (mesmo remendado e sem ter onde cair morto) pode falar com o almeida. Ou seja, aproxima as pessoas.
E também é um óptimo assunto para o blog quando um gajo já não se lembra do que raio há-de falar.
Sei lá, a guerra é chique. Contribui para a comunhão inter-social e interpessoal. É boa para o stress. Descontrai, relaxa.
Principalmente quando não é aqui à porta e não nos está a matar os vizinhos e a massacrar as criancinhas.
Mas guerras ao longe são giras. São bonitas de ver, têm até uma certa estética. As bombinhas a caírem, os padrões que se criam, o sangue espalhado nas ruas. Trata-se de uma Arte Superior.
Os generais são artistas. Os soldados executores da obra.
‘Tou com sono. Vou dormir.
Ver se hoje não sonho com arte.
Ao contrário de muita malta espalhada por esse mundo fora.

quarta-feira, março 05, 2003

(Passado no #poesia_e_prosa.)

OCUPAÇÃO DA NOITE


As árvores apodrecem
de solidão, a nosso lado.
As mulheres envelhecem
na penumbra dos quartos.
Na fogueira das minas,
no degelo dos andaimes,
os operários, de pacíficos,
trocam músculos por usura.
Nas cidades, no patamar
dos palácios, nos ministérios,
acrescentamos silêncio
ao silêncio do pântano.
Previmos a guerra, votamos
a guerra, favorecem-nos
os índices demográficos..
Ocupamos a noite e o dia
à sombra das armas -
o tempo que moldamos
aos desígnios da guerra.
Perdemos a infância, o amor
mas somos familiares
das minúcias do átomo. Pobres,
mais pobres do que o ar,
resta-nos a morte, o mistério
que não ousamos alimentar .



Casimiro de Brito
Jardins de Guerra
1961-1964
Ode & Ceia
Poesia
1955-1984
Publicações D. Quixote
1985
1ª edição



Ando a ler "Os Versículos Satânicos" de Salman Rushdie que recomendo vivamente.
De resto o meu "work in progress" vai nas 29 mil palavras... e picos :P

(Já ninguém diz "e picos". Que horas são! Oito e picos!)

segunda-feira, março 03, 2003

Visitem o #poesia_e_prosa ;)
Portalino

Tive a fazer pesquisa e é treta. Cliquem no link e vejam uma bonita coleção de scam&spam!
Um mail que eu recebi:

"Be informed that we have in our possession
instruments of payment for the sum of US$1,600,000.00
to you.
You will be required to fill a "verification form"
with all necessary details. Follow the link below to
download the verification form"

(...)

" After download, kindly print, fill, and send back
either by fax or as an email attachment.
You will also be required to pay a fee of USD4,150.00
(Four thousand one hundred and Fifty United States
dollars only), or it’s equivalent in your local
currency.
This payment is to cover transfer charges, Insurance
of vital documents like prize claim certificate and
other transfer documents, handling and opening of
account charges.
Note that your total prize claim of USD1,600,000.00
has been insured to the real value and as such cannot
be deducted from. This is in accordance with section
13(1)(n) of the national gambling act as adopted in
1993 and amended on 3RD July 1996 by the
constitutional assembly. This Is to protect winners
and to avoid misappropriation of funds. Follow the
link below to view the National Gambling Act:

http://www.southafricangamingcontrolboardrulesandregulations.com

A certificate of prize claim along side other vital
documents will be sent to you via Courier service
immediately transfer of your winnings is effected.
Note that your winnings will be transferred within
24hrs after the receipt of all the requirements.
I shall be awaiting your response.

Truly yours,
Francis Hansie.
FOREIGN SERVICE MANAGER,
ALLIED SECURITIES LTD.
PHONE: +27 826880727
FAX: +27 115075912
EMAIL: francis_hansie@alliedsec.net
WEBSITE: www.alliedsec.com



NB: For further information about Fortune Lotto, you
can visit their website at; www.fortune-lotto.com .
Winners are also allowed to login into the website to
confirm their winnings."


Isto é treta, não é? Pedem $$$ por isso deve ser...

domingo, março 02, 2003

"Um escritor só pode ser bom se tiver a honestidade de ir fundo, ao céu ou ao inferno, doa a quem doer." (Paul Auster)
:: Leaving Me Now ::

It seems true love is so rare
Seems all I’ve known is deceipt.
Your laughter fills the air
Once more I’m sensing defeat

And I suppose you’re leaving me now
I was so sure now I’m so full of doubt
And I suppose You’ll be leaving this place
Just like the smile you’ve wiped from my face this time

I allways gave my best
Your memory serves you so badly
Some people kill for less
Yet I’d still die for you gladly

And I suppose, it’s my turn now
To play the scene, that’s familiar somehow
I turn the page, and you walk away
Not even love could bring stay, this time


Once more I’m learning, in the depths of my dispare
Your lies confirm it, true love is so rare

And I suppose, it’s my turn now
To play the scene, that’s familiar somehow
You show the tears, that melt in your eyes
Takes just one look, to know Im still mesmerized

And I suppose, you’re leaving me now
There’s no more love, only feelings of doubt
And I suppose, you’ll be leaving this place
Just like the smile, you’ve wiped from my face,
This time

Level 42

sábado, março 01, 2003

The 100 Most Important Things To Know About Your Character
Devia ter colocado isto em Novembro... enfim...
As pessoas felizes escrevem?
(Sei que li isto algures...)
É preciso ser não-feliz (o que não equivale a infeliz) para escrever?
É preciso ter alguma coisa cá dentro incompleta?
Pensei que já tinha esta coisa da escrita resolvida, os porquês, os comos, os objectivos, etc e tal.
Mas as resoluções não solidificam. Ou melhor: pensava que eram de cimento e afinal eram de areia. Veio um chuvisco e puff, lá se foi o edifício do que eu julgava já compreendido/resolvido.
Ok. Dom. O Dom. The Calling, como se diz em inglês e que tem uma sonoridade majestosa, divina. É-se chamado pela Voz para a Missão Superior Da Arte!
(Ganda snobeira, lol)
Somos meros estenógrafos? (Como disse Stephen King em “On Writing”).
Ouvimos uma Voz e, como os Profetas, limitamo-nos a escrever o que é ditado?
Onde é que está a Arte aqui?
Na Voz, não em nós.
Ok, então a escrita que obedece a uma tal Natureza Superior? Concedamos que sim, que obedece. Mas somos (como o filme incrível que vi ontem na rtp1, com o Matt Damon e o Ben Affleck – isto deve ‘tar mal escrito, lol - ), meros anjos obedientes, submetidos à vontade do Senhor? Ou, apesar da tal Natureza Superior, possuímos o dom do livre-arbítrio (na escrita)?
E é aí que a Arte (através da expressão artística) se forma? Na conjunção (na intercepção) entre Natureza superior (básica, primitiva, o átomo original da criatividade) e escolha humana? (E trabalho humano também, é bom acrescentar).
Olhem, isto está-me a confundir. Vou parar por aqui.
Fui linkada pelo Filosofia & Bolachas. Giro :)

Mas gostava mais se fosse Filosofia & Pudim de Ovos ;P