quarta-feira, março 31, 2004

E agora o nosso momento O'Neill:

... Acaso o nosso destino, tac!, vai mudar?
Ainda não são oito e meia da noite e acabei de ver imagens de corpos queimados e mutilados na TVI. Mas quem foram os grandessíssimos filhos da puta que permitiram tais imagens de passar a uma hora em que os miúdos não estão na cama? Quem foram os sacanas?
Ó suas bestas: o dinheiro (receitas publicitárias) vale assim tanto?
O que eu gostava que acontecesse a partir de hoje: bolinha vermelha no canto superior direito cada vez que aparecessem cenas pornográficas destas na têvê, e não me venham com tretas de informação e direito a saber e merdas do género. Eu já sei que os corpos podem ser queimados e mutilados e arrastados pela rua por manadas acéfalas. Não é preciso ver, seus cabrões a fingirem-se jornalistas.

sábado, março 27, 2004

Coisa que eu. Detesto.
Abomino.
Odeio.
Chantagem emocional.
Causa-me o efeito contrário. Sinto raiva. Querem que eu sinta pena?
Obrigar-me a algo?
Sinto raivaraivaraiva. E faço o oposto só para não ceder à chantagem, mesmo que não o queira fazer.

/Lola out

P.S. E como é que anda a salganhada da SPA? Anyone? Será que vai alguém dentro ou a culpa vai ficar outra vez sozinha frente ao altar, de véu, à seca?


P.S.2 Belo País!
Ando a ter tanta visita... esquisito.

quinta-feira, março 25, 2004

Tenho.
Um casamento em Junho (de um primo).
E.
Outro casamento seguido de baptizado de gémeos em Agosto (uma prima mais os rebentos).
(Acho que o padre não baptiza os putos se os pais não se casarem pela igreja primeiro, lol.)

Ai... tipo, isto, quando se tem dez anos, é giro. É bolos. E depois há os bolos (e os bolos) e os miúdos, brincadeiras.
Mas agora, para ser sincera, só me chateia.
'Tou tão velha, só me falta os cinzentos na cabeleira.

terça-feira, março 23, 2004

[Poema vergonhosamente gamado a este senhor, que deve andar, coitado, à procura dele. Até o vejo: "Mas estava aqui! Juro que o pus no bolso do casaco! Será que o perdi? Ai a minha vida, ai a minha vida...!" Ok, não teve graça, mas riam à mesma.]


Poema Pouco Original do Medo

O Medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no múrmutio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
Ouvidos nos teus ouvidos

O Medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos) intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente

muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O Medo vai ter tudo
que se tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim
a ratos

Alexandre O'Neill

domingo, março 21, 2004

Bom, decidi fazer uma experiência.
Pus um livro (para todos os efeitos, inédito) à venda no site da
Lulu.
É só clicar no botão ali ao lado, abaixo do banner.


[Apedeite: coloquei outro livro e agora tenho uma loja, lol. Só para ver como é...]

sábado, março 20, 2004

Mais outra modificação na template.
Não mexo mais, fica como está.
Por aí

Não, não venhas por aí
que por aí o caminho é rude e cai-se muito.

Lê cartas de amor de autores mortos.

Não venhas por aí, cai-se tanto.
Redondamente no chão, de trombas.
E dói.

Lê livros de autores que nunca escreveram cartas de amor.
(Pois sabiam que o encantamento passageiro não traz imortalidade.)

(À boca de cena o mito morre.)

Mas já que vieste, já que chegaste, vê se me alteras o mundo
ou ao menos uma pedra no mundo.

10/2000
[Escrito há uns anitos.]


A tinta do meu tecto

Vem o diabinho, o meu pessoal e intransmissível diabinho, a outra divindade, não a da certeza, mas a da dúvida.
De modo que ele chega e lança perguntas cujas respostas são elas mesmas.
- Para quê a existência? Para quê o viver?, a vida? Sim, existimos, estamos cá, vivos, a respirar, a exercer os nossos sentidos, na plenitude do prazer. E da dor. E tudo para que ao fim de cinquenta, setenta, noventa ou mesmo onze anos morramos. E a chatice é que nunca se sabe muito bem para onde se vai. Se é que há um lugar para onde ir.
O diabrete remete-se ao silêncio. Hoje não estou para ouvi-lo. Nada disso me importa ou incomoda sequer. Não hoje, nem amanhã. A juventude goza da eternidade enquanto é jovem. Logo, para quê preocupações? A morte por ora não existe.
Ele prossegue:
- Porém, se considerarmos a existência de um Nada posterior, não há lugar a desesperos. O Nada não dói.
Zumbe à minha volta. Eu - indiferente.
- Se assim for, então qual o propósito? Sim, qual o propósito de existir?
Eu - deitado, mãos entre a cabeça e a almofada. Pernas cruzadas. Olho o tecto e tento perceber formas na tinta. Universos. Galáxias moribundas e a nascer. Já sei isso tudo. Primeiro nada se sente. A existência é banal, facto rotineiro, quotidiano. Depois, algures entre o chapinhar de uma borboleta numa gota de orvalho, a linha de um livro, a imagem de um filme e a morte de um vizinho da nossa idade - acontece. O súbito despertar. (O encantamento.) A consciência da nossa consciência. A consciência do eu. Repara diabrete: eu já conhecia isso antes, só não sabia que o sabia. Percebes? A surpresa de me surpreender com o renovado milagre de estar vivo cada dia que passa. Tipo: alguém que se apanha a pensar pensando. (E a surpresa de não me ter surpreendido antes.)
- Mas então qual o propósito?! - grita-me ao ouvido. Sacudo-o para longe. Desvia-se com uma pirueta e senta-se-me no umbigo.
- O ônfalo - diz. - A prova da tua individualidade. De que nasceste. Contudo: para quê? Tanta coisa, criatura, à face deste planeta morre para garantir a vida de outros. Mesmo tu. Sabes a quantidade de irmãos que jamais chegaste a ter unicamente porque o corpo da tua mãe, desconhecendo-o ela, rejeitou os embriões defeituosos? Tanta morte para tão pouca vida.
Cala-se. Escarafuncha no meu umbigo e tira uma pequena bola de algodão. Tento ficar acordado.
O diabinho deita-se de costas e o corpo evolui por cima do meu, embalado como se estivesse no topo de uma onda.
- Tinta - afirma. - Só tinta. Não me ouves? Repara: pessoas adultas que cumprem o seu destino, no fundo o destino que a Natureza lhes deu: procriar. Continuarem a espécie. Animais (em que te incluo), vegetais, todos unidos no mesmo desígnio: sobreviver como espécie. Então... e os que morrem novos? Para quê foi necessária a sua vinda? Não há propósito claro nisto. E até as espécies se extinguem. A humana também um dia cessará de ser. Baratas evoluídas, formigas ou abelhas desenterrarão, quiçá, no futuro, o vosso esqueleto, formulando teorias acerca de uma espécie cuja passagem pela terra foi curta. Se, em resumo, o objectivo de qualquer raça (neste caso, a humana) é posto em cheque pelo conhecimento de que tudo morre... qual é a vantagem em chegar a existir?
«O Deslumbramento.»
- A ilusão do deslumbramento concretizado na esperança da realidade da alma, do amor, dessas baboseiras com que os homens se anestesiam para continuarem vivendo. Para mim não passam de delicados instrumentos com que a Natureza os dotou de maneira a persuadi-los a cumprir os seus planos.
«A Liberdade.»
- Outra ilusão. Outro instrumento.
«O propósito é a própria vida. O propósito é estar cá. E sabê-lo.»
O diabrete empina-se no meu estômago. Caminha, resoluto, directo ao meu queixo, salta para ele e batendo amigavelmente a mão na minha bochecha diz-me, num sorriso (enquanto pisca o olho, abana a cauda e põe a língua de fora):
- És um parvalhão...
E eu vejo galáxias, galáxias, galáxias na tinta do meu tecto.
(- Parvalhão...)

11/2000

quinta-feira, março 18, 2004

As Tábuas de Buxo de Apronenia Avitia (I) e (II).

[Via Francisco Nunes, do Planície Heróica.]
Está a pensar pôr implantes de silicone no peito? Veja este site antes.
Camilo Castelo Branco é para mim dos autores portugueses que já li – o maior.
Ainda não li todos, ‘tá certo, de modo que o julgamento é parcial.
Mas acho-o superior ao Eça. E ser superior ao Eça é difícil, catano.
Às vezes, antes de escrever, leio algumas páginas dele, para mergulhar nas palavras, na língua. Noto que escrevo sempre melhor depois de ler Camilo e isso não me acontece com outros autores. Devia ter lido a obra completa do escritor na infância, mas não li. A minha infância não foi pobre, nunca me senti pobre, mas não havia dinheiro para livros, nem o hábito dos livros. Não quero falar disto como se fosse uma fatalidade, mas apenas um facto. Eu tinha comer, roupa, e graças a Deus televisão. Sem televisão e sem livros, porra, o que é que eu podia aprender? Aprender na escola? Mas o que é que se aprende na escola, digam-me? A escola é dever e é o prazer que nos ensina (cá para mim). Também não havia bibliotecas. Davam-me livros da Anita pelos anos – que eu adorava. De resto lia livros aos quadradinhos que eram mato no bairro onde cresci. Os putos tinham o hábito de trocá-los. É verdade que em pequena nunca me senti pobre – nem fui. Mas hoje, agora, sei que fui pobre em livros. Tinha a ânsia da leitura, sem os livros para saciá-la.
Fazem-me tanta falta hoje todos os livros que eu não li.
Custa-me muito mais escrever.
Bom. Adiante.
Transcrevo parte de um capítulo hilariante do livro “O Retrato de Ricardina”, escrito por Camilo Castelo Branco. Ó pá, estejas lá onde estiveres, a gente ainda te lê. Tu sabias escrever, sacana. Ó se sabias.

XXI

Vantagens de cinco prémios

Para lá vamos, disse Alexandre Pimentel.
Foram.
O bacharel formado requereu uma delegacia, documentando a petição com as cinco certidões dos seus prémios.
Esperado – respondeu o ministro da Justiça.
Requereu um lugar subalterno na Secretaria do Reino.
Esperado - respondeu o ministro do Reino.
Requereu pela Marinha a directoria de uma alfândega no ultramar; requereu por todas as repartições, desde auditor até escrivão de direito.
Esperado: era o escarro que expectoravam os ministros nos diplomas de Alexandre Pimentel.
D. Ricardina estava pobre. Moravam num quarto andar da Rua dos Calafates. O casaco de Alexandre mostrava as coçadas costuras. A senhora não ia à missa à míngua de sapatos.
O filho, beijando as lágrimas da mãe, dizia-lhe:
- E os meus prémios?... Se o pergaminho tivesse mais consistência, fazíamos sapatos dos diplomas, minha mãe... Não chore, não chore, que eu amanhã começo a ganhar um cruzado.
- Em quê, meu filho? – acudiu a mãe.
- Vou ser revisor e tradutor num jornal político. É trabalho de noite. Depois, assim que puder vestir-me, vou praticar advocacia; e, assim que souber vender conselhos e tirar ladrões e assassinos das garras da Justiça, a minha posição e a sua melhoram.
Assim aconteceu, quanto à primeira parte do seu programa. De tradutor e revisor, ao fim de quinze dias, afidalgou-se com o foro grande do artigo de fundo. Rebateu a política do Governo, num ponto controvertido de direito prático, obtida prévia licença do redactor-em-chefe. Os seus artigos, remunerados pela admiração geral, e vitoriados pelo silêncio dos contendores, fizeram o prodígio de lhe erguer o estipêndio a novecentos e sessenta réis diários! Alexandre, entregando a sua mãe as primeiras seis moedas, das quais deviam duas na tenda e duas no empenho de alguns cobertores, exclamou:
- Abençoados diplomas! Neste país só é pobre quem não teve cinco prémios na Universidade!

[Publicações Europa-América, págs. 139-140.]

Acho o desabafo do Alexandre fabuloso :)
E, mês lindes, que Grande Diferença de Lá para Cá, não foi...?
Eish, uma pessoa inté se espanta com as alterações!
Com a Mudança!
O Portugal de então e o Portugal de agora – Nem Se Compara!


(Ando às voltas com uma ideia: peço uma cunha ou não peço? Peço? Não peço! Pede! Peço a cunha ou não peço a cunha...?)

(Que se dane, logo se vê.)


Bem, malta, vou dormir, qu’isto não são horas.
Vamos lá a ver se já está mais melhor bom...
Tenho sempre problemas com isto, chiça.
Agora os textos aparecem como se fossem links.
Cum caraças >:|
Mudança - temporária - de template. Apeteceu-me mudar. Daqui a uns tempos volto à anterior.

[Cor-de-rosa é a minha cor preferida :)]

sábado, março 13, 2004

Ok, pergunta idiota. Preparados? Aqui vai.

- O Jaquim teve dois filhos: O Maneli e o Felisberto.

Depois o Felisberto teve o Rui.

E o Rui teve a Josefina.

A pergunta é: qual é o grau de parentesco entre a Josefina e o Maneli? Tenho na ideia que ele é o seu tio-avô, 'tou certa?

[Eu sei que eu devia saber estas coisas, eu sei.]

quinta-feira, março 11, 2004

E se os próximos formos nós...?
"Atentados em Madrid fazem pelo menos 186 mortos e mil feridos

Pelo menos 186 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas na sequência dos atentados levados a cabo esta manhã em Madrid, em acções terroristas que o Governo espanhol acredita terem sido perpetradas pela organização separatista basca ETA." (link)

Filhos da puta.
FilhosdaputaFilhosdaputaFilhosdaputa. :(

Tenho de deixar de ler os jornais e ver as notícias. Não pode haver só maldade no mundo, não pode.

terça-feira, março 09, 2004

Ena tanto Magritte.

Open Source Novel Blog

Interessante.
Não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.


Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pareça
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.


Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.




Jorge de Sena

domingo, março 07, 2004

Já sei trocar as pilhas do esquentador. Eish.
Sozinha e tudo.

O que é preciso é arte, engenho.

sexta-feira, março 05, 2004

Só agora reparei que tenho o blog há dois anos, lol. Faz dois anos este sábado, eish.
Hummm, mas não conta porque o mantive privado durante quatro meses e em Março fiz apenas duas entradas. Por isso, acho que dois anos mesmo só em Julho.
Cutchi-cutchi, oláááá. Tã linde. Desculpa lá, mas num vai haver presente pa ninguém :P Olhó popó, olha ali! Eish, tã inteligente. Ai que me emociono.
Raio de ideia

Quando não escrevo sinto-me mal.
Porque.
Sinto que devo escrever.
Porque.
Escrevendo crio.
Pode ficar uma porcaria, mas é algo que não existia antes.
Fico satisfeita.
Satisfaço o ego?
Liberto endorfinas (raio de ideia)?
Escrita = auto-satisfação = prazer?
Tem de ser mais do que isso.
Porque não há assim tanto prazer nisso.
Há é a falta de.
Acaba por ser vício.
Droga.
Mas da boa, hã.

/nevermind (organizo o meu caos privado)

Ah-Ah! Escrever é organizar-me, conectar as ligações (em mim).
"Representação dos diversos tipos de seres e situações pela abduzida Portuguesa que chamaremos de Carla."

Interessante.

Mas porque é que estes sacaninhas cinzentos não se interessam por, digamos, dirigentes desportivos? Ou, sei lá, políticos?
Humm? Humm? Não era giro?
Eu acho que sim.

quinta-feira, março 04, 2004

LOL!



You're Costa Rica!

You're about as peaceful as anyone on the planet, a real dyed-in-the-wool
pacifist.  And why not?  No one really poses much of a threat to you and
everything seems to work out, no matter how much violence and insanity rages all around
you.  So you relax and appreciate nature and culture while the rest of the world carries
on their petty disagreements.  If only everyone could follow your
example...

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