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terça-feira, agosto 09, 2016

COMO É QUE A EUROPA VAI RESOLVER O PROBLEMA DO TERRORISMO ISLÂMICO?


Foi esta pergunta que coloquei ao lenormand e o baralho que eu usei foi um que eu própria fiz, contendo apenas o nome da carta e o número da mesma - e sem indicação nas cartas das direcções (problema que vou resolver). Porém como neste meu baralho (mínimo) de lenormand não há direccionalidade, as cartas podem ser lidas de várias maneiras diferentes.

Tirei três cartas:

LIVRO -26-/ CAVALEIRO -1-/ PEIXES -34-

(A carta oculta, somando todos os números, é a cobra, número sete.)

Pensei em várias possibilidades, em termos de resposta à questão colocada.

A Europa, no seu colectivo (talvez país a país, até todos os estados europeus acabarem por implementar - a níveis diferentes - o mesmo tipo de mudanças), vai rapidamente alterar a sua constituição - livro/cavaleiro - para proibir certas práticas religiosas (peixes, carta conectada com a espiritualidade e religiosidade) e acabará também, com tais mudanças, por atingir (e retirar força e poder) à religião cristã (peixes é um símbolo associado à cristandade). Estas alterações serão feitas pela calada, escondendo e dissimulando as verdadeiras intenções (dizendo uma coisa e fazendo outra), algo que é denotado pela carta oculta, a serpente (indicadora de mentiras e falsidades e manipulação). Também: talvez esta seja a única maneira de eficazmente lidar com o veneno da serpente (terrorismo islâmico), que fez o seu ninho no meio de nós, no coração da Europa.

O Cavaleiro pode indicar igualmente a troca de dados, a troca de informação, o recolher de informação específica sobre determinados elementos religiosos (e falo especificamente do Islão), indivíduos extremamente devotos que fazem a guerra em nome da sua religião (cavaleiro/peixes). Haverá, quiçá, um colectar de toda essa informação (de modo secreto - livro) e a mesma será arquivada num ficheiro especial, (ou numa base de dados), específico (e, novamente penso, secreto), de maneira a ter essa informação, toda essa riqueza de dados, disponível o mais rapidamente possível (cavaleiro/livro) quando houver necessidade, e assim deter qualquer tipo de acção terrorista.

Estas três cartas podem similarmente indicar a implementação de novas leis (como eu tinha referido) que vão afectar todas as religiões. Certas coisas poderão já não ser livremente ditas e podem até significar prisão e expulsão. Não me admiraria nada se certos governos europeus obrigassem a que uma licença especial fosse requerida de maneira a poder pregar (algo que não tem nada a ver com estudos - teológicos, religiosos - já feitos, algo puramente do domínio civil). O indivíduo pode ter o curso para poder exercer (como padre, imã, etc), mas se não tiver a licença especial CIVIL, não o poderá fazer. Para calar uma pessoa, um indivíduo, que emite certos juízos ou que incita certos comportamentos danosos, tudo o que o governo (ou governos) terão de fazer é retirar essa licença (civil) e o mesmo já não poderá pregar ou ensinar.

Outra forma de interpretar: peixes fala de abundância, prosperidade, lucro e investimento, enquanto que o cavaleiro poderá significar o exército ou pessoas militares. Talvez haja um grande investimento (peixes) oculto (livro) no exército e nas forças armadas em geral (cavaleiro), sendo que a razão dada para este massivo investimento será algo que não terá nada a ver com o terrorismo islâmico (serpente - basicamente os governantes irão mentir quanto à Intenção de todo esse investimento gigante), haverá uma expansão nas forças armadas e um tremendo investimento nas mesmas (donde é que sairá o dinheiro?, I wonder. A serpente com certeza arranjará um ou outro imposto especial - cujo destino será - dirão eles - algo que não tem nada a ver com o exército), e a verdadeira intenção é lutar contra o terrorismo islâmico não só dentro das fronteiras europeias, mas muito provavelmente fora delas.

Outra hipótese: a marinha vai impedir que muitos refugiados entrem na Europa, mas fá-lo-á de modo secreto e sigiloso.

O livro fala de segredo, de informação confidencial, de aprendizagem e educação. As autoridades irão instruir-se (provavelmente formando unidades especiais) profundamente e de modo avançado sobre a religião islâmica, com o objectivo de melhor aprender a derrotar quem luta e mata no seu nome. Esta unidade (ou mais do que uma), que eu diria conectada com o exército, ou pelo menos com os serviços secretos, irá fazer esta aprendizagem em segredo, este tipo de combate não será revelado à população geral, o povo não fará nem ideia. Isto vai ser confidencial, vai haver silêncio absoluto nesta matéria. É provável que um país comece a fazê-lo e depois este tipo de unidades irá formar-se em muitos outros países, sendo que a troca de informações entre todas será essencial e produtiva. Este género de unidade de estudos sobre a religião islâmica irá também, eu diria, espalhar desinformação como arma de combate ao terrorismo (livro/serpente). A mentira e a decepção e o engano serão armas de combate fundamentais. Se não houver assassinatos específicos de determinadas figuras religiosas islâmicas, a actuar na Europa, consideradas “difíceis” e com uma visão muito medieval daquilo que a sua religião exige dos fiéis (submissão absoluta e nem te atrevas a pensar por ti!), se não houver assassinatos ‘cirúrgicos’, tal como, segundo li, ocorre em Israel (o governo israelita ataca determinados alvos importantes), talvez o que ocorra é um espalhar de mentiras e desinformação de modo a garantir que Outros o façam por eles. Não sei se me explico inteiramente... a mentira, desinformação e decepção serão armas usadas pelos governantes europeus para pôr fora de combate certos elementos que não vão poder atacar directamente. É outro género de ataque cirúrgico.

Vai haver um investimento massivo e rápido na colecta de dados, esta colecta de dados vai ser feita em sigilo e permanecer oculta e anónima. Nada disto será divulgado ao público. Determinadas pessoas serão postas em certos ambientes para, pouco a pouco, fazer a recolha de informações (que pode levar anos). Falo de escolas, de mesquitas, de associações culturais, etc.

É a astúcia (serpente) e a sabedoria que, no final, acabarão por derrotar o terrorismo islâmico na Europa.

Agora, quanto tempo é que isso vai levar? Isso é que eu já não sei.

/Dunya agnostic_mode_OUT



domingo, janeiro 18, 2015

SATURNO/NEPTUNO: POSSÍVEIS MANIFESTAÇÕES (até ao fim de 2017)


Repressão da espiritualidade e reforço da religião, ritos, dogmas e cultos, não havendo a permissão para um fluir mais natural da espiritualidade (não contida e coarctada pela religião). Impor regras de conduta para negócios relacionados com a espiritualidade; repressão espiritual e governamental de actividades de tema esotérico; demasiadas regras e impostos que põem um fardo nos negócios de teor espiritual, esotérico e oculto. A dissolução de empreendimentos espirituais que não seguem estritas regras ou que não pagam impostos, ou que não seguem uma rigorosa disciplina fiscal e financeira. Insana (Neptuno), e repressiva (Saturno) espiritualidade (Neptuno). Mentes iludidas. Misticismo iludido, sem pé. Líderes espirituais loucos, irrealistas. Cultos espirituais que saem para a luz, sendo mais severamente controlados pelo poder e pelas autoridades (Saturno em Sagitário). Os cultos, seitas, que seguem as novas regras sobrevivem; aqueles que as negam, são dissolvidos. Saturno a testar a força interior da tua/nossa íntima espiritualidade, a força da nossa firmeza e fé. Saturno a dissolver crenças espirituais que não têm presença ou expressão na realidade vivida de todos os dias. Ateísmo e agnosticismo a crescer nas sociedades actuais. Grupos conservadores e autoritários (Saturno em Sagitário) que impõem os seus fanáticos, alucinados, delirantes, ilógicos, absurdos e sedutores pontos de vista religiosos e espirituais às grandes massas (Neptuno em Peixes).
Matar, assassinar, reprimir, vitimizar em nome de Deus e da religião.
A espiritualidade que se demarca de pontos de vista conservadores religiosos, que mina perspectivas mais ortodoxas.
Saturno que aceita outras formas de terapia e de tratamento alternativo para enfermos (desde que haja uma estrutura, e normas, a regular novos métodos terapêuticos). Saturno que começa a usar menos medicamentos para tratar dos pacientes (não só como forma de poupar dinheiro, mas também porque se começa a aceitar, no mainstream, outras formas de terapia, mais eficazes, que não passam por envenenar o corpo).

*

Juízes e novas leis, mais opressoras, que controlam a própria natureza das crenças espirituais, não permitindo nenhum tipo de incitamento à violência escudando-se os líderes espirituais na desculpa de que assim é o seu particular dogma religioso. Isso não mais será tolerado, de nenhuma forma, nos tribunais civis e na sociedade laica.
Juízes e forças de autoridade que necessitam de protecção e de se esconderem, enquanto investigam ou deliberam sobre determinadas seitas religiosas, líderes religiosos, artistas (Neptuno também os rege), e até grandes corporações dedicadas ao comércio do álcool ou corporações ilegais, escondidas e criminosas (a Máfia, em todas as suas formas e variantes). Também juízes, procuradores e polícia que têm de se esconder e proteger enquanto investigam ou deliberam sobre grandes corporações farmacêuticas.
Obrigatoriedade, imposta pelos Estados (Saturno), de estudar a nível académico (Sagitário) as novas ameaças bacteriológicas e de encontrar soluções farmacêuticas para lutar contra novas e poderosas bactérias multirresistentes aos antibióticos, que ameaçam lançar a sociedade (ocidental e não só) para o início do século vinte e semelhantes níveis de mortalidade (quando uma simples infecção matava). Punição severa a corporações farmacêuticas mundiais que, usando o dinheiro governamental dado especificamente para o desenvolvimento de novos antibióticos, o canalizam para outro género de fármacos, com maiores margens de lucro - punição que, além de severas multas, irá até ao encarceramento por longos anos. Decisão dos Governos (Saturno) de encontrarem novos antibióticos, subsidiando as entidades dispostas a conduzir este género de estudo.
Aparecimento de novas drogas, mais poderosas, com o poder de causar grande habituação e muita vitimização entre toxicodependentes. Dificuldade, ao início, para as autoridades, em perceber exactamente o que se está a passar e em compreender a natureza precisa destas drogas inovadoras; dificuldade em proibir o seu uso - mas rapidamente o farão. Novas leis e novos modos de lidar com a toxicodependência (eu diria: mais baseados na repressão, embora nem sempre).
Maior número de surtos psicóticos.
Surgimento de novas e mais rígidas regras higiénicas e sanitárias nos hospitais.
Novas doenças mentais (catalogação).
Surgimentos de novos tipos de infecção e vírus.
Novos surtos epidemiológicos e grande dificuldade em tratá-los.
Novos métodos e novas terapêuticas que surgem para lidar com doenças mentais graves (como a esquizofrenia).
Novas regras para internamento (compulsivo ou não) de doentes esquizofrénicos.
Maior vitimar de doentes mentais, maior descriminação dos mesmos; tirar-se-á recursos a estes doentes de modo a “racionalizar” custos com hospitais e Saúde.
Talvez haja o surgimento de novos medicamentos anti-psicóticos (que vão custar um balúrdio).
Novas terapias para lidar com pacientes esquizofrénicos (e outros géneros de doenças mentais).

*

Artistas prejudicados e martirizados com valores mais altos de impostos. A arte e a cultura que sofrem. Sociedade cultural menos rica e com menor diversidade por haver menos espaço para a multiplicidade e variação cultural (pequenos artistas de todo o género, esmagados por impostos incomportáveis, e só os que têm a bênção dos poderes dominantes, só os que não “incomodam”, só a esses se permite a sobrevivência na forma de “subsídios” e “bolsas”). Surgimento de uma nova cultura indie e underground, quase secreta (ou senão secreta de todo, de modo a poder sobreviver, de modo a poder existir).

*

Próximas quadraturas entre Saturno e Neptuno:
- 26 de Novembro de 2015 (7º Sagitário/Peixes);
- 18 de Junho de 2016 (12º Sagitário/Peixes): de notar que a 11 de Setembro de 2001, durante o atentado terrorista às Torres Gémeas nos EUA, Plutão em trânsito estava a 12º de Sagitário! Portanto parece-me que este dia (ou ao redor deste dia, antes e depois) tem que ser muito bem vigiado, por todas as autoridades do mundo ocidental, mas mais especialmente pelas dos Estados Unidos da América, porque pode haver o grande perigo de haver outro ataque terrorista de grande dimensão;
- 10 de Setembro de 2016 (10º Sagitário/Peixes): aspas idem, aquilo que disse relativamente à data de 18 de Junho de 2016, mas sobretudo por esta ser uma data, infelizmente, muito evocativa. Além disso a 1 de Setembro de 2016 há um eclipse solar a 9º Virgem, a tocar neste grau (10) onde a quadratura irá ocorrer. Aliás, este mês de Setembro de 2016, penso, pode ser um mês terrivelmente perigoso, podendo haver a séria ameaça de uma quantidade infinda de ataques terroristas a nível mundial.

*

Mais manifestações (possíveis) da quadratura.
Ser jornalista, cartoonista, é um acto de coragem. Maior defesa aos jornalistas, repórteres, aos Media, à TV, Rádio e jornais, mas defesa com polícia e militares em frente aos edifícios! Jornais e televisões (isto é, os edifícios) que se transformam em autênticas fortalezas, em autênticos bunkers! Novas formas de entrar nesses edifícios (com uma segurança a nível daquela que é implementada pelos Serviços Secretos). Ir trabalhar com colete à prova de bala.
Terroristas que passarão a olhar para TODOS os jornais e redacções (incluindo têvês) como alvos altamente apetecíveis. Grande possibilidade de ataques a jornais, tv’s, rádios (very soft target) e até gráficas onde são impressos periódicos e revistas. Possibilidade de ataques indiscriminados a todo o género de jornalistas e repórteres, feita por indivíduos iludidos, mentalmente incapazes, ou até pessoas movidas por ideologias religiosas radicais (de repente pensei em ataques à bomba a clínicas abortivas, uma coisa muito frequente nos EUA). Necessidade de proteger jornalistas e os Media, feita pelas autoridades e forças policiais (e até militares, se houver necessidade). Necessidade de muitos jornalistas se esconderem e até desaparecerem (Neptuno em Peixes) devido a extrema repressão e extremo perigo.
Limitação (Saturno) às liberdades, direitos e garantias individuais (Sagitário) devido ao terrorismo islâmico. Também possibilidade de limitação da liberdade de movimento.

E assim decorrerão, penso, os próximos três anos (até ao fim de Dezembro de 2017).

E no entanto eu Grito: Viva a Liberdade!

/Dunya_ModoAstrológico_Out


quinta-feira, janeiro 15, 2015

João Pereira Coutinho: A Loucura é Contagiosa

(Texto escrito pelo autor na Folha de São Paulo, retirado daqui: http://rota2014.blogspot.pt/2015/01/a-loucura-e-contagiosa-por-joao-pereira.html)

«Os terroristas franceses já devem estar com as suas 72 virgens no paraíso —e o leitor, no conforto do seu lar, sente que existe uma pergunta lógica, porém desconfortável, que ocupa espaço no seu crânio ecumênico. A saber: se o jornal satírico "Charlie Hebdo" nunca tivesse publicado cartuns ofensivos para a religião muçulmana, será que o massacre teria ocorrido?

Melhor ainda: por que motivo insistimos em "blasfemar" contra a fé dos radicais? Ganhamos alguma coisa com isso?

Para o leitor benemérito, se o Ocidente apagar o mundo islâmico dos seus radares, obedecendo caninamente aos preceitos da sharia, o mundo islâmico também apagará o Ocidente das suas armas. A Deus o que é de Deus, a César o que é de César –e a Alá o que é de Alá. Cada um no seu canto. Em paz e sossego.

Existem várias formas de lidar com essas perguntas ingênuas. A mais óbvia seria lembrar que o terrorismo islamita não precisa de nenhum pretexto para atacar um "modo de vida" que abomina no seu todo. Se não fossem os cartuns, seria outra coisa qualquer: aos olhos do fanatismo, os "infiéis" não pisam o risco apenas quando usam o lápis.

E, claro, silenciar a liberdade de expressão seria um suicídio civilizacional –e uma vitória para os assassinos.

Mas existe outra forma de responder às inquietações do leitor —e a história do século 20 continua sendo a melhor escola.

Daqui a uns dias, passarão 50 anos desde a morte de Winston Churchill. E um livro recente tem ocupado os meus dias: "The Literary Churchill", de Jonathan Rose (Yale University Press, US$ 25, 528 págs.), uma biografia do velho Winston lançada em 2014 que procura explicar o seu percurso político por meio dos textos que ele leu, escreveu e, naturalmente, representou como grande ator que era.

Um capítulo da obra, porém, merece atenção especial à luz do terrorismo na França: na década de 1930, com a memória da Primeira Guerra Mundial ainda fresca, a elite política (e conservadora) britânica tentava desesperadamente não embarcar em novo conflito contra a Alemanha.

E Lord Halifax, secretário de Relações Exteriores, era apenas um dos rostos dos "appeasers" (pacifistas, em português) que acreditou na possibilidade de manter a fera na sua jaula.

Halifax conheceu pessoalmente Hitler em 1937 e notou que o Führer nutria um ódio insano por dois temas em especial: o comunismo soviético (lógico) e, atenção leitor, a liberdade de expressão da imprensa britânica (ilógico?).

Para Hitler, e para o ministro da Propaganda alemã Goebbels, a imprensa britânica era o grande obstáculo para a paz. Por quê?

Ora, porque bastava ler a prosa antigermânica do "News Chronicle" ou do "Manchester Guardian" para concluir que os jornalistas britânicos não respeitavam a figura sagrada de Hitler, o "profeta" da raça ariana.

E quem diz "ler", diz "ver": no "Daily Herald" ou no "Evening Standard", Hitler não apenas era severamente criticado (por Churchill, por exemplo). Ele era igualmente ridicularizado nos cartuns de Will Dyson ou David Low (os Wolinskis da época).

Halifax, que nunca se notabilizou pela coragem, regressou à Inglaterra com a mesma ideia que o leitor ecumênico tem na cabeça: se ao menos a imprensa se comportasse"¦ Quem sabe? Talvez Hitler ficasse sossegadamente em Berlim, desenhando nas horas livres e constituindo família com Eva Braun.

Aliás, Halifax não ficou nas ideias: ele convenceu mesmo David Low a moderar os seus desenhos, coisa que o artista fez, mas só até Hitler invadir a Áustria em 1938.

Depois disso, regressaram os cartuns antinazistas (que os "appeasers" continuavam a considerar "gratuitos" e de "mau gosto").

Curioso: Hitler devorava a Europa, pedaço a pedaço, em busca do seu "espaço vital". Mas as avestruzes britânicas acreditavam que tudo seria diferente se o lunático Adolfo tivesse sido tratado com "respeito" pelos jornais.

Churchill nunca mostrou respeito. E, quando finalmente assumiu o governo, em 1940, tratou Hitler com a dureza de sempre. A besta nazista foi derrotada em 1945.

Existe uma moral na história dessa história?

Existe, leitor ecumênico: não somos nós os culpados pela loucura dos outros.

Imaginar o contrário, por medo ou ignorância, é simplesmente partilhar a loucura em que eles vivem.»

João Pereira Coutinho: As Leis da Selva

Texto de João Pereira Coutinho na Folha de S. Paulo 

(Retirado daqui:  http://filosofoincorrecto.blogspot.pt/2015/01/as-leis-da-selva-texto-de-joao-pereira.html)


«Terroristas encapuzados atacam um jornal satírico francês. Matam dez jornalistas e dois policiais. Nos minutos seguintes, nas horas seguintes, nos dias seguintes, os sábios mentecaptos que ajudaram a criar o caldo relativista em que os fanáticos cresceram e prosperaram cumprem essas cinco leis (sem exceção):
1ª lei - Não importa se o sábio mentecapto é ateu, agnóstico ou crente. De joelhos, ele reza a todos os santos para que os autores da chacina não sejam muçulmanos. O ideal era que fossem judeus (de preferência israelenses) ou, vá lá, cristãos. Alguns dos sábios, apesar de praticarem ioga, não se importariam que o terrorismo fosse budista, só para variar: dois monges com os ensinamentos do Dalai Lama debaixo do braço matando toda a gente com um "mantra" assassino.
2ª lei - É oficial: os terroristas professam a religião islâmica e afirmam, orgulhosos, que mataram em nome do profeta. Os sábios mentecaptos sofrem um leve desmaio.
3ª lei - Reanimados com teses de doutorado instantâneas sobre "islamismo", os sábios mentecaptos começam a disparar que não é legítimo fazer qualquer identificação entre "islã" e "terrorismo". O fato de os terroristas terem expressamente usado o Corão e o nome do profeta para realizarem os seus massacres nem sequer deve ser mencionado. Somos nós, ocidentais, que confundimos as coisas, nunca eles.
4ª lei - Procurar causas exteriores para explicar o massacre. Pode ser o defunto George W. Bush. Ou então é a "islamofobia" que "marginaliza" os marginais. Alguns dos sábios mentecaptos chegam mesmo a comparar a situação de exclusão dos muçulmanos que hoje vivem na Europa com os judeus do gueto em plena 2ª Guerra Mundial. Compreende-se: os judeus eram enfiados em guetos pelos nazistas porque, como todos sabemos, alguns deles tinham por hábito plantar bombas ou matar civis em nome de uma interpretação radical da Torá.
5ª lei - Culpar as vítimas. No caso do jornal "Charlie Hebdo", as vítimas eram jornalistas, cartunistas e policiais. Todas elas têm culpas repartidas. Os policiais porque representam a face visível da repressão (aqui, o sábio mentecapto cita Zizek). Os jornalistas e os cartunistas porque excederam os "limites" e não mostraram "deferência" pela sensibilidade dos fanáticos.
Daqui a uns dias, daqui a uns meses, daqui a uns anos, quando surge novo massacre, o sábio mentecapto regressa à lei nº 1 e repete todos os passos com igual coerência.
Perante isso, qual deveriam ser as cinco leis que uma pessoa racional deveria exibir perante a chacina de Paris? Arrisquemos:
1ª lei - Reconhecer que existe uma desproporção entre atentados terroristas com caução islâmica e atentados terroristas motivados por outras questões (nacionalistas, étnicas etc.). Quando existe um atentado com os contornos do parisiense, é legítimo presumir que o terrorismo islamita está de volta.
2ª lei - Não desmaiar com o fato. Procurar entendê-lo: saber como e onde se radicalizaram os assassinos –na França ou no exterior? E, dependendo das respostas, saber como foi possível o florescimento de uma indústria de ódio dentro das portas ou como se permitiu a entrada nas fronteiras de quem aprendeu a lição fora delas.
3ª lei - Existe uma relação entre "islã" e "terrorismo" que é estabelecida pelos próprios terroristas. Isso cria um problema à religião muçulmana e obriga os líderes religiosos a condenar enfaticamente quem comete tais "heresias". O xeque da mesquita de Lisboa, por exemplo, disse sobre o assunto: "Se eles não estão satisfeitos em viver num país liberal, podem emigrar e deixar-nos em paz". É a resposta de um homem corajoso e bom.
4ª lei - Não procurar causas exteriores ao massacre. Elas não existem. O que existe é um fanatismo semelhante aos totalitarismos do século 20: o mesmo ódio à liberdade e a mesma pretensão em submeter a sociedade a uma utopia de trevas.
5ª lei - As vítimas são vitimas. Se o islã ainda não teve a sua Reforma (e o seu Iluminismo), problema dele. O "Charlie Hebdo" usava ácido sulfúrico sobre cristãos, judeus, muçulmanos, hindus, animistas ou druídas. Se isso fere a "sensibilidade" dos crentes, eis o preço a pagar para quem deseja viver no século 21 –e não na Idade Média.»