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domingo, novembro 22, 2015

Este é o melhor poema

Este é o melhor poema de todas as épocas e entre as muitas continuadas eras. Eu que era dos homens o único homem a ser deste e de outros tempos; eu, que não acolhia dúvidas severas ou questões difíceis em mim - sendo puro o meu coração. Eu que gozava do gozo dos que não gozam nem têm a mínima ou a mais solene das alegrias: sou como o Vento que se afoga nas antigas matas destruídas. Que bom ser sereno quando é devastada e Comida a serenidade no dia-a-dia que nos traga e mata. Mas eu só quero falar de Vida e deste ar a encher-me os pulmões.

Ágata Simões, 11 de Novembro de 2015

/Dunya_poetic_mode_OUT

sábado, abril 26, 2014

A BUSCA (ou: Psyche na Casa Um)





A mim própria me estou buscando
No caminho que faço
Serve pouco o embaraço
De não saber quem sou
No entretanto
Se a mim me busco
É porque devo
Sou eu que levo
A alma pela mão
O espírito recusa desistir de mim
Enquanto eu não me encontrar
Por isso ando por aí
Pelos caminhos
Perdida no rumo certo
A buscar-me
A buscar-me até me alcançar
Meio dormindo, meio silente
Meio acordada, meio sem nada
Mas com tudo o que eu já tenho,
No aconchego do peito,
Magicamente aninhado na palma da mão

24 de Abril 2014

sábado, dezembro 28, 2013

Poemas: inglês

William Blake. 1757–1827


The Tiger

TIGER, tiger, burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder and what art
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand and what dread feet?

What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears,
And water'd heaven with their tears,
Did He smile His work to see?
Did He who made the lamb make thee?

Tiger, tiger, burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?


Love's Secret

NEVER seek to tell thy love,
Love that never told can be;
For the gentle wind doth move
Silently, invisibly.

I told my love, I told my love,
I told her all my heart,
Trembling, cold, in ghastly fears.
Ah! she did depart!

Soon after she was gone from me,
A traveller came by,
Silently, invisibly:
He took her with a sigh.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

roxas

Mesmo Para Não

 

E aqui vem tudo neste encantamento do não-ser

(mariposas, então, mariposas)

Há um descalabro de neve e uma chaleira ao lume

Com um copo de chá a nevar

(mariposas – então – mariposas)

Cri-cri, diz a caneta, mariposas ao lume; cri, gritam, gritam ambas mariposas e resto do lume ao chá à noite a nevar pelo frio do fim do inverno

(mariposas-mariposas-mariposas)

- Estou a fazer isto para não ter sentido nenhum porque hoje I’ve been a bad bad girl não trabalhei e mariposas –

Roxas.

A lenha apagou-se-acabou-se O lume não acende

Talvez Madonna ou Franz Ferdinand.

CD, qual deles? A Madonna é tipo algodão-não-engana (mariposas mariposas e um mordomo gordo)

Céus a viajarem de avião à noite (a nevar)

O chá ao lume evapora-se ao lume

Roxas.

Se puder. Se puder, roxas. Sim, é das roxas, das roxas, criaturinha.

A pessoinha lá vem andando andando

(mesmo para não ter sentido nenhum porque não posso passar sem a caneta a morder à frente da língua-de-neve e ao chá a nevar)

Nevam no chá. Hoje serve-se chá que neva.

(Mariposas – I’ve missed you)

(Assim, forte, moreno, bonito e forte, por dentro por fora, forte bonito e gentil)

(De mãos mariposas)

Moreno. E mariposas.

 

Roxas.

 

24 Fevereiro’06