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quarta-feira, novembro 04, 2015

I WISH I DID I HAD A CAT: a poem

i wish i had a cat
I DID I DID
i wish i wish i had a cat
I DID I WISH I DID I DID
i did had a cat
a cat a cat i did i did
i wish i wish oh how i wish wish i had a cat
I DID I DID I DID
A Cat
I Did


Ágata Simões

4 de Novembro'15

quinta-feira, abril 02, 2015

segunda-feira, março 02, 2015

Poema: 7 Anos




7 ANOS

A escravidão ao especulador
Faz do político um grande Senhor
Deus já disse ao Diabo:
“Vê se lhe guardas o melhor bocado!”

Especulado, derrubado, derrotado
Portugal não vale um alho
E é assim que o demo
Faz o seu melhor trabalho

Escravos da usura,
De uma dívida que não é nossa
(Ai que o Fisco Amossa!)
O Povo trabalha e não se revolta
(Pois é Parvo o Povo, olaré)
(E mal o nota.)

12 de Abril de 2013// 2 de Março de 2015

sábado, abril 26, 2014

A BUSCA (ou: Psyche na Casa Um)





A mim própria me estou buscando
No caminho que faço
Serve pouco o embaraço
De não saber quem sou
No entretanto
Se a mim me busco
É porque devo
Sou eu que levo
A alma pela mão
O espírito recusa desistir de mim
Enquanto eu não me encontrar
Por isso ando por aí
Pelos caminhos
Perdida no rumo certo
A buscar-me
A buscar-me até me alcançar
Meio dormindo, meio silente
Meio acordada, meio sem nada
Mas com tudo o que eu já tenho,
No aconchego do peito,
Magicamente aninhado na palma da mão

24 de Abril 2014

sábado, junho 08, 2013

Poema

HOJE, ASSIM

Eu descubro minh ‘alma quando a poesia me descobre
(Em recantos ainda incógnitos ao meu ser)
A pintar janelas, a partir paredes
A ruir tectos, a arregaçar celas
Assim me encontra a poesia a mim
Desnudando-se
(Descobrindo-se)
E a alma engrandece-Se a observar-Se
A alma parte os tectos aos céus de Deus
É a minha alma pioneira
A crescer no interior de um pequeno planeta poeirento
Mais sedenta que todas as águas do mar permitem (ou consentem)
Tem sede dos céus e sede da terra
Cede ao espírito para se quebrar
E fazer-se um ovo donde renascer
Até ser
Aquilo que sempre foi

4 Junho 2013
Rio Maior

domingo, maio 26, 2013

Astrologia + Poema



(Texto escrito Antes de se saber Quem seria o novo Papa.)

Novo Papa: possíveis previsões - anunciado a 16 de Março de 2013 (cerca das 22h54m, hora local).
Vai ser um homem despótico e trabalhador - a formigueira obreira - visto como incompetente pelos seus parceiros. Talvez revolucione algo pela força da sua vontade no mundo financeiro da igreja (mas isso não significa uma maior transparência).
Será um homem irascível, de fúrias rápidas e breves, mas constantes. Impõe as suas ideias e acções aos outros.
Pode ser que sejam espalhadas mentiras sobre ele pelos seus parceiros “políticos”, há aqui uma grande decepção e ilusão (Mercúrio Retrógrado em conjunção com Neptuno).
A vida das mulheres não irá melhorar muito com a eleição deste Papa (maior vitimização).
O que é sagrado aqui? A imagem - imaculada - da Igreja. Usam-se as redes sociais e a internet para fazer passar uma ilusão.
Pallas na casa 8: nova maneira - secreta, inteligente e inovadora - de esconder o dinheiro do Vaticano.
Plutão na casa 5: grande ego deste novo Papa, grande sentimento de poder pessoal. Ou pode ter outro significado: transformação na forma como se tratam os abusos das crianças e jovens.
Há uma viragem na substância da Igreja (Pholus na casa 4). Nos valores filosóficos?
Uma viragem fundamental na raiz, no essência da Igreja - feita com inteligência criativa e combativa? (Pholus em trígono exacto com Pallas.)

******
Aos Filhos da Puta

Já não se pode chamar filhos da puta
Aos filhos da puta
Porque as almas graúdas deste país
São sensíveis e sérias
Os filhos da puta de Portugal
Não podem ser incomodados
Com a Verdade
Se pudessem, poriam a Verdade
Na cadeia
Algemada
E torturada
Aos filhos da puta do meu país
Há que proclamar:
A Verdade não se Enterra
A Verdade não se Algema
A Verdade não se Venda
A Verdade é superior a ti
- Ó seu grandessíssimo filho de uma cadela

25/5/2013

terça-feira, março 19, 2013

À Dentada: Poema Depois de Chipre

(Poema dito.)

http://soundcloud.com/dunyazade/a-dentada-poema-dito



À DENTADA: POEMA DEPOIS DE CHIPRE

Porque é que não nos matam de uma vez por todas?
Não apenas os Portugueses, mas muitos dos Europeus. Claramente o
Facto de existirmos custa dinheiro a gente e a Entidades Importantes.
Muito mais importantes que meros cidadãos como nós, cheios de carne e sangue e ossos.
Ossos mesmo a jeito de serem esmagados e vendidos a Bancos de tecidos (porque assim,
Assim, sim, Já Se Faz Dinheiro!).
Caros Governantes Europeus e Portugueses e do Raio que os Parta:
Porque é que não nos liquidam? Seguramente podem fazê-lo a custo zero! Haverá com certeza alguma empresa chinesa ou brasileira ou indiana
Que poderão subcontratar - e será baratinho, baratinho. Matem-nos, cabrões, matem-nos, suas bestas, matem-nos porque custamos, seguramente, demasiado guito.
Olha a massaroca que andamos praí a gastar, respirando este ar gratuito! (Oh, taxá-lo, taxá-lo! Que fazer senão taxá-lo!)
Acabem com a nossa raça. Poupam no pastel. Ficam com a Europa às moscas - e depois podem arrendá-la baratinha, baratinha,
A malta que trabalha catorze horas por dia, acha normal e nem se queixa.
E porque não retornar aos velhos tempos medievais?
Meu Deus, governantes do meu país, governantes Europeus, já devem ter notado que a nossa vida Custa Demasiado. É por demais custosa.
Vá lá, seus animais, suas alimárias de merda: Matem-nos!
Acabem com a nossa existência! Acabem connosco... antes que nós vos arranquemos a pele à dentada.



(18 de Março de 2013, à noite.)

terça-feira, dezembro 06, 2011

As Coisas que eu Tenho Por Fazer

Tanta coisa para fazer.

Porque é que eu não estou a fazer as coisas
Que tenho para fazer?

Porquê? Porquê? Porquê?

Porque não há Prazer nas Coisas Por Fazer.


(Isto é um poema-mínimo.)

domingo, junho 05, 2011

Em Busca

Hoje, 5 de Junho de 2011, fui votar. Eish, ganda lista de partidos que a malta tem! Que inflação partidária, fáxavor! Nisso, olarilas, não somos pobres. O problema é sempre a questão ética. Somos pobres na ética e quem se lixa é o mexilhão - se bem que a ética do mexilhão seja tão escassa quanto a dos partidos que elege para que governem a Mexilãndia (gostam? Inventei agora). Em menos de um minuto 'tava feito. Eu também não altero muito as minhas preferências à hora de votar. Voto quase sempre nos mesmos. No entanto! Acaso começassem esses gajos a ganhar - começaria a votar nos adversários. Just because. Não me agrada concentrações de poder.
Bem, deixo aqui um poeminha que fiz ontem. Uma espécie de poema. Pelo menos para mim é.

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EM BUSCA

Fui em busca da minha alma, mas a minha alma escondia-se de mim por que eu a procurava.

Tinha-a eu encerrado dentro de um quarto vazio cheio de vazio, um vazio imenso, e tentava arrombar a fechadura (não obstante ter a chave guardada no meu bolso).

Fui à procura da minha alma e ela, por isso, escondia-se de mim (porque eu a buscava incessantemente, como o alcoólico procura o próximo copo de vinho).

A minha alma não ouvia, não falava, não sabia chorar - mas, mesmo assim, sabia tudo. Sabia mais do que eu sobre mim. Era (é) uma alma gentil. Bem bonita, a minha alma.

Fui à procura dela porque desejava, com toda a força dos meus instintos humanos, encerrá-la dentro do meu corpo e apoderar-me dela para sempre. Eu que construí uma prisão tão bonita para ela - a minha própria carne - e a danada não a aceita. Ela foge de mim. A minha alma é livre e não quer andar a carregar fardos de carne pelo Universo.

Fui na sua peugada, para apanhá-la, bater-lhe e dominá-la e, por fim, pô-la onde devia ter estado desde sempre - no meu corpo (fechado).

Mas a minha alma foge de mim a rir (apesar de não falar, mas eu bem lhe compreendo o riso), sem medo nenhum. E eu nem consigo abraçá-la.

Porque eu a procurava - a minha alma escondia-se de mim.

Um dia desisti de chamá-la. Fui sentar-me debaixo da oliveira velha e adormeci. Acordei a ver a árvore desde o topo. A minha alma juntou-se a mim. Deu-me a mão e lá fomos as duas, volitando acima de tudo. A carcaça que eu deixei para trás andará, quiçá, ainda à nossa procura.

(4 de Junho de 2011)

quinta-feira, abril 14, 2011

Morrer (um poema)





Eu não tenho medo da morte
Eu não tenho medo da morte
Porque haveria eu de temer a morte?
A morte é o suave cobertor que nos abraça e enlaça depois da vida.
É o doce e suave sono - esta é a morte. É o descanso. O recreio. A recompensa. As férias após meses de trabalho sem fim.
A morte eu não a temo. Temo mais a vida que a morte (esse suave murmúrio que acompanha e amortalha o dia).
Viver é difícil. Morrer é fácil. Morrer é natural. Viver custa. Viver custa-te a pele. A própria pele, eis o custo da vida.
Mas a morte é um velho fiel amigo. Mesmo se inimiga fosse, mesmo aí (ou nela) habitaria a calma e quieta e tranquila amizade. Um reconhecimento antigo, longínquo...


Ó morte, não te temo. Não Te Tenho Medo. Nunca medo terei de ti.
Pelo contrário. Acarinho-te no meu peito todos os dias (enquanto caminho). E todas as noites fecho os olhos e entrego-me a ti durante sonos e sonhos. Dormes comigo abraçada como um gato, como todos esses gatos que eu amei e perdi y que añoro (añoro...).


Não me leves ainda, porém, para apodrecer com suavidade e leveza debaixo da terra fria. Preciso de viver muito, tanto, porque viver custa e eu ainda não aprendi a viver bem - com coragem, com toda a força do meu peito. Dá-me um abraço, agora, ó morte, e um leve beijo na fronte - e deixa-me viver (viver viver) mais este dia.


Amanhã, como sempre, conversarei contigo. Daremos as mãos, velha amiga.




[Escrito a 14 de Abril de 2011]


(Comentário do meu ego super-inflado: porra, que eu escrevo bem!)

domingo, maio 31, 2009

Quis

E eu que estive tanto tempo
ao pé de ti,
a sorrir, por dentro de ti,
a ver através de ti
Não te quero mais
Não te quero tanto
Não te quero quanto quis
(Apesar de mim)

31.05.09

quinta-feira, maio 14, 2009

gato Gato GATO

Sempre quis ter um Gato
negro Negro NEGRO
como a noite



Negro como o Sol
negro Negro NEGRO
como o dia



Um gato alvo em olhos verdes
Olhos verdes faiscantes
que sorriem



Sempre quis um Gato



Sempre quis um Gato



12-14/5/2009

quarta-feira, abril 15, 2009

Poema

Domínio Vazio

Tenho três tempestades dentro de mim à boca de rebentar,
ranger dentes;
Tenho-as em aleluias, em aleluias de santo, as tempestades a ranger dentes dentro de mim, a bailar como as deusas em fúria nos cabelos grissalho-brancos de Neptuno;
O meu Neptuno dorme e corrói-me;
Dorme como um tronco de madeira podre na pobre floresta apodrecida;
Dorme e tudo rebenta à sua volta, mas ele é o santo, o santo que destrói a dormir;
Mil aleluias ao santo, levantai-vos, dai as graças e dançai com as musas no meio do mar enquanto rangem tempestades dentro de mim.
Entretanto o céu caiu, o sol dissolveu e apagou-se no mar e o mar engoliu quase tudo.
E aqui Neptuno acordou para um domínio vazio.

13/2/09

terça-feira, março 31, 2009

Re-Post: poema

Evil

O que é a maldade?
É a flor negra A flor podre
A água viva estagnada
n'alma de quem vivo estando - morre
E sendo morto mata a
frágil flor branca da bondade
Fá-la minguar Estarrecer
ante a incompreensível iniquidade
O mal no seio de nós nasce
Entre nós cresce
Além de si lança raízes
e nos faz apodrecer
Flor preta Obscura
Maléfica Venenosa
Mentirosa Impura
Se a vires florir ante ti
esmaga-a na indiferença
E a descrença há-de matá-la, pôr-lhe fim

3/12/01

Re-Post: mais um poema

::Não sejas parvo, rapaz::

Para quê (para quê, para quê) tudo isto
se ando a ler Somerset Maugham e
compreendo tudo, tudo?
(O anavalhado livro está no fio...)
(Que óptima ideia - a biblioteca!)
Não sejas parvo, rapaz, há mais coisas além do céu, tantas que nem
Shakespeare (o que abana a espada) soube contar (enumerar, discriminar).
Ontem, perto do sopé da montanha, desceu-me um duende ao ouvido e disse:
"Ás vezes sei de coisas que nem sei como soube delas."
Espantei-me magnificamente. Os duendes nascem do céu! E têm questões filosóficas consigo! Os duendes, por Deus, os duendes!
E, por aqui, como vão as gentes absolutamente terrealizadas?
Vão desrealizando desrealizando-se na vida que se vive vivida.
O soberano e muy acumulado bom senso reina.
(Acumulamos coisas, não nos acumulamos a nós próprios, já repararam?)
Não sejas parvo, rapaz, não sejas parvo.
Há que realizar a total desrealização, proferem.
(Doce, doce inanidade...)
(Ando a ler o enchanted Heyst do Conrad... interessante, gosto.)
Gosto.
(O tipo é um barão sueco cavalheiro até à medula.)
(E depois há o Schomberg, a singular besta.)
Enfim, não se fale mais de mim.
Cale-se cale-se no morno mar a histeria do fim.
Que imbecilidade rapaz, a ler Conrad?!
O duende trambolhou montanha abaixo - um género de desporto radical - e num discreto sussurro disse:
"Às vezes sei de palavras que nem sei como soube delas.
Vêm-me, etéreas, poisar nas mãos porque as conservo
nuas, vazias e limpas."
(E 'tás praí especado a observar a folha branca e não compreendes que já acabou?)
(Vai-te embora. É fecho de emissão.)
Fechou.

1/2000

segunda-feira, março 30, 2009

Re-Post: uma série de poemas

NÃO ME APETECE ESCREVER

Não me apetece escrever, hoje.
Não, hoje não me apetece Nada escrever.
Por isso não vou escrever, pronto.
Não escrevo, pronto.
Já disse, não escrevo!
Ninguém me poderá obrigar a escrever,
se eu não quero. Muito menos a caneta
com que escrevo as palavras que não
quero escrever - compreendem?
Está tudo dito - não escreverei!

*

Já disse, hoje não escrevo!
Que maçada...Não! Odeio ter de me repetir.
Quantas vezes terei de dizer que hoje, hoje,
hoje, Não Escrevo?!?

4/96


IT RAINS NOT

(Tenho saudades da chuva.)
"Tenho saudades de ti a ter saudades da chuva."
(Tenho medo que a chuva parta para donde
não sinta as saudades que sinto dela.)
Encostamos os dois a cara e
enleamos os cabelos na mão de cada um...
e eu digo:
"Tenho medo que um dia esqueças as saudades
que eu tive de ti a ter saudades da chuva;
que me esqueças o temor que senti por ti,
temendo a partida da chuva para lá do sítio
onde as saudades inda se sentem."

E depois o silêncio sobreveio a tudo,
até ao barulho das águas a cair sobre o telhado.

3/99



ACHA

Vem de mim a espada
Vem de mim o tecto, o iludido luto
Da dor funesta que findou
Na mentira do outro

Vem a mim a certeza
Acesa
Da perene canalhice
Macha

Amor é foda
Não é afecto de espírito
Não é comunhão em dois
Amor é a roda rodando do Rito

É o que nunca vem depois
da findada paixão a acha.


MEU AMOR

Se houvesse coisa que eu quisesse
que fosse amor meu que ma desse
Se eu, acaso, gostasse de cortinas de folhos
que meu amante para mim as tecesse
São verdes, seus belos olhos
e por eles me perdia, se ele me tentasse
Mas é meu amor que, por mim, se perde
e me deseja todos os sonhos
a que eu tentado
esteja
ou sonhasse

1/96

quinta-feira, março 26, 2009

Outro poema revisitado: Alice

(Originalmente publicado a 6.06.08.)

Não Acordes

Não acordes, Alice, esse coelho da cartola que ele pode beliscar-te e roubar os flamingos à Rainha. E ela corta-te a cabeça se não jogar croquet.

A rainha e o gato às vezes riem, mas de maneira diferente. O riso da rainha não é invisível e o gato pode dispensar o corpo inteiro quando sorri.

Não acordes, Alice, o jogo e lentamente adormece e lentamente adormece ao som da minha voz doce, cálida e lânguida. Terna como a chávena de chá quente.

Eu quero descobrir o que há debaixo desses folhos, Alice. Bebe o chá, Alice, e faz de conta que a mão que te amarinha perna acima é um navio a navegar o mar preguiçoso cheio de Sol.


6.06.08

Poema Revisitado

Pode não parecer, mas é um poema


Pudesse eu ser tudo aquilo que não sou, ser da matéria das marés, dos bosques; pudesse eternamente entreter-me nos bosques como um sátiro, um delicioso sátiro, com pés de sátiro, corpo de sátiro e tronco humano; um sátiro a beber as flores do caminho, a esmagar as flores amarelas nas mãos, a comê-las às colheradas; um sátiro a fazer amor com as árvores e elas, envergonhadas, a gemerem baixinho, baixinho para não incomodar as ervas, o sono das ervas, o nobre sono das ervas; um sátiro com pés de cabra, pés de cavalo, pés de besta; um gordo sátiro a espumar de resina no ventre cavalar; um sátiro sem esperma porque os sátiros, procriando, fazem-no com o hálito, os olhos, as mãos (os meus sim).

Pudesse eu ser da matéria de um mar seco, engelhado, velho, absolutamente gasto, idoso, mau, rosnento, ladrando insultos aos rios; um mar que cobriu a terra e depois a terra expulsou-o para longe, muito longe, longe longe.

Pudesse a juventude dos bosques pertencer-me como pertence aos sátiros e a velhice de oceanos secos ser minha, minha, minha.

Pudesse eu ser jovem e tudo e ser velha e nada; quero um ódio imenso a escapar-me das unhas e um amor a quebrar-me a pele. À marretada.

Quero embrulhar-me num novelo de tudo e espremer, burilar a essência do homem do mundo do tempo do ser.


27 Janeiro’06