domingo, fevereiro 02, 2014

O FUTURO DA EDIÇÃO: ALGUNS CONSELHOS




Qual vai ser o futuro da edição, não só em Portugal, como também noutros países?
Bom, eu tenho algumas teorias, porém não faço ideia se estarão ou não correctas.
Deixo-as, todavia, aqui.

1) A maioria da malta que escreve (a.k.a., escritores, autores) irá provavelmente optar pelo modelo indie, por ser mais rápido. Alguns gostarão do facto de poderem controlar cada mínimo aspecto da edição, desde a capa ao marketing; outros não irão apreciar lá muito isso ("oh, céus, eu  só quero Escrever!"), mas terão de o fazer por questões monetárias (muitos, duvido, terão dinheiro para contratarem o serviço de artistas).

2) Alguns autores, não obstante, irão continuar a dar maior valor às editoras tradicionais (por terem "mais prestígio"). É uma tolice, na minha opinião, e porquê. Muito bem, eu passo a explicar: essas editoras vão impôr contratos de Anos (e não meramente de um ano), nos quais irão englobar Todos os direitos do livro que publicam - incluindo o direito de publicar em ebook.
O autor fica ali, "agarrado", anos a fio, com aquele livro preso àquela editora. Imaginem o seguinte: o vosso primeiro emprego, o vosso primeiro trabalho: imaginem que a entidade empregadora vos Impunha um contrato de Sete Anos, a serem pagos Sempre o mesmo, sem a possibilidade de saírem para outro emprego (onde possivelmente vos pagassem melhor). Gostavam disso? A maioria dos escritores/autores, burrinhos, leva um porradão de tempo a perceber que o que eles fazem é Trabalho que deve ser Valorizado e Bem pago pelos outros. Receberem direitos de 10% (quando recebem) pelo seu trabalho é algo equivalente a escravatura (na minha opinião, que é apenas uma opinião). Muitos pensam - aliás, a maioria do público julga o mesmo - que a Arte deve ser gratuita e Não Paga; que, basicamente, o Escritor deve Viver do Ar e ainda Agradecer! Mas os autores têm contas para pagar, compram passe (ou gasolina), comem todos os dias (de preferência) e de vez em quando até compram, vá lá, um par de meias. Mas o Prestígio de ser Publicado por uma Editora Tradicional vai ser, e ainda para mais em Portugal, o ouro (falso) a brilhar (do outro lado do abismo). As falsas ilusões irão prevalecer durante muito e muito tempo. Não há volta a dar a estes autores: terão de aprender por eles próprios. Querem ser publicados tradicionalmente, não ser pagos como deve ser, e ainda por cima ficarem sem Todos os Direitos dos seus livros anos a fio? Oh pá, fixe. Nós, humanos, só aprendemos à porrada. Eventualmente acabarão por aprender haver outras maneiras, outras formas de publicar.

3) As editoras, pouco a pouco (já o fazem, mas não penso que de maneira sistemática e concentrada) irão prestar mais atenção aos indie, sobretudo aos que têm imenso sucesso, e irão oferecer-lhes Contratos de Edição! Aos mais estúpidos e ingénuos os contratos oferecidos irão incluir os direitos de publicação de livros electrónicos (não os assinem, pelo amor de Deus, não os assinem). Os deslumbrados e ingénuos irão, provavelmente, assiná-los, felizes de terem sido Escolhidos. Os outros, menos totós, ou que já aprenderam com as porradas da vida, ou irão declinar o amável convite (porque fazem mais dinheiro na via indie) ou, se assinarem, não irão incluir os direitos dos ebooks (e, já agora, todos os outros, mas isso é outra história que fica para outra altura. Adiante). O meu conselho é: só assinem o direito de publicar a edição em papel E MAIS NADA. Mais nada mesmo!!!!!
   
4) A malta que escreve irá, progressivamente, abrir os olhos. E as editoras tradicionais irão notar uma estranha ocorrência: menos e menos livros a aparecer. E com menor qualidade. Eu penso que a maioria dos autores nem sequer vão pensar em enviar o manuscrito a editora nenhuma: publicarão directamente na Smash, na Amazon, e numa quantidade de outros locais.

5) As editoras tradicionais, para colmatar isto, irão, de maneira Sistemática, tentar aliciar os Novos Autores que tenham talento (ou melhor dizendo, aqueles que prevêem que irão ter sucesso comercial - e, meus lindos, eu acredito que o talento não é divorciado disso, muito pelo contrário), tentarão aliciar esses novos autores - que estarão a Começar - com contratos Abusivos, de anos e anos. Isto é: tentarão Agarrá-los logo desde o início. Penso que as editoras tradicionais irão - forçadamente e não por sua própria vontade - adoptar uma visão a Longo-Prazo, tentando construir uma base de escritores que, provavelmente, imaginem alcançar sucesso futuro.

6) E depois entram os tribunais, que irão dissolver esses contratos, e esses escritores ficarão livres para publicarem onde quiserem.

7) As editoras tradicionais não irão desaparecer - antes irão tentar colher a futura safra de escritores que formará o seu catálogo Entre os indies (aqueles com uma base já comprovada de fans e que já têm sucesso; e outros que se estarão a iniciar nesta lides e que quererão "prender" antes que se tornem muito dispendiosos). Pensem: jogadores de futebol (vai ser quase a mesma coisa, julgo eu).

O meu conselho, que só é válido para o momento presente (porque as coisas evoluem de tal maneira e tão depressa que o que é válido hoje já poderá não sê-lo amanhã):
- fiquem com todos os direitos; publiquem directamente através de sites como a Smashwords e CreateSpace (publicam a vossa obra no formato físico). Em pouco tempo, se é que isso já não acontece (no estrangeiro sim, aqui em Portugal não faço ideia) os leitores poderão encomendar o vosso livro, editado na CreateSpace, em qualquer livraria nacional. Se uma editora tradicional vos quiser editar, cedam apenas o direito de editar em Formato Físico. FIQUEM COM TODOS OS OUTROS DIREITOS. Elas irão dizer: ah, tipo, mas isto é um contrato normal, que todas as casas usam e tal. WALK AWAY. Se vos querem assim tanto: façam-se caros. Não aceitem direitos de 10%. E não dêem (não entreguem, não, não e não) o direito de publicar os vossos livros em formato electrónico. Fiquem com ele, e publiquem vocês mesmos. Ganharão muito mais.

Rant over. O que ofereço é apenas a minha opinião e alguns conselhos básicos. Construam as vossas próprias ideias. Vejam como o mundo funciona.
Mas não ofereçam o vosso trabalho por dá aquela palha. Ele é valioso. Acreditem, PeloAmorDeDeus, que ele é precioso.

Beijocas a todos os escritores e futuros escritores. Muito sucesso a todos.

/Dunya out

2 comentários:

Olinda P. Gil © disse...

Gostei da tua linha de pensamento, mas fiquei curiosa: e se lançasses as cartas?

Por enquanto vamos andar em transição, no limbo.

Dunyazade disse...

Hum, é uma boa ideia. Não tinha pensado nisso. Ver se o faço!

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