quinta-feira, abril 12, 2007

Rant

Eu trabalho numa empresa muito grande de Portugal, que subcontratou outra, a nossa actual empregadora.
Sou eu que vos atendo quando querem mudar a modalidade de pagamento.
Sou eu que vos atendo quando há avarias.
Sou eu que vos atendo com as putas das reclamações.
Sou eu que vos atendo quando querem fazer alterações no contrato.
Sou eu que vos oiço quando dizem, pois, vocês são todos uns gatunos, uns vígaros.

Trabalham lá montes de pessoas. Muitas mesmo. É um call-center algures em Portugal.
Muitas vêm de carro para o trabalho. Muitas não têm outra opção senão virem de carro porque moram longe.
Eu aturo 5 horas os clientes.
Há quem trabalhe full-time: desgraçados que não têm outra opção porque têm filhos para criar e casas para pagar.

Muitos, como eu, deixam o carro dentro de um certo sítio que é reservado a clientes, mas que tem na maioria das vezes as cancelas fechadas - só que à noite elas estão abertas e nós podemos sair.

Hoje os filhos da puta fecharam aquilo. Tive de pagar 20 euros para poder sair. Hoje eu trabalhei de graça. Sim, hoje eu aturei clientes à borliú. Mas valia não ter saído da puta da cama.

Porque é que eu e muitos colegas deixamos os carros num parque "reservado a clientes"?
Porque a puta da polícia - perdão -, a puta da Senhora Polícia multa os carros cá fora em cima dos passeios - que não estorvam ninguém.

Nós contribuímos para a economia da zona e, em contrapartida, a zona, em vez de ter algum tipo de Sensibilidade e Bom-Senso, não - rouba-nos descaradamente através de multas ou, como hoje, com a merda dos tikets pagos para sair da merda do parque.

Não há parqueamento interno nesse grande call-center dessa grande empresa nacional. Há, mas apenas para a malta que nos (sub)contratou, se é que me entendem.

Nós, operadores, que atendemos o país todo, não valemos nada - aparentemente.

A única razão que me impede de dizer o sítio onde trabalho - é o medo de ir para a rua. E eu preciso do emprego.
A Empresa devia solucionar isto - porque ninguém gosta de trabalhar de graça. Eu não ando a trabalhar para pagar multas nem parqueamentos de 20 euros ao dia.
Vão roubar a cona da mãe.

Há algum jornalista por aí interessado nesta história?

Serei uma fonte disponível (mas secreta, hã).

Ok, pouco secreta pouco já não sou exatamente anónima, lol.

shelter


shelter, originally uploaded by littlelakey.

Just because I like... umbrellas...

ladybird i


ladybird i, originally uploaded by The Norwegian.

quarta-feira, abril 11, 2007

Não adivinham!

... quem é que me acabou de visitar!

194.65.31.# (Ministro das Financas)

LOLOLOL.

Olá, pá. Atão... a fazer uma pausazita, hã? A ler blogs, meu manganão! A Ler blogs ainda por cima! Vá ler Sartre!

E os links que ele viu...

Este.

Este. (O que me leva a pensar que ele deve ter o meu feed...)

E este. (O arquivo de Maio de 2006)

15 minutos no total! Essa pausa 'tá no contrato? É que a minha pausa tem Exactamente essa duração...

O Ministro das FINANÇAS a ler o meu blog. Eish.
A glória. Enfim a Glória!

terça-feira, abril 10, 2007

my wings


my wings, originally uploaded by littlelakey.

[DA SÉRIE DE COISAS QUE EU NÃO SABIA]

Ser Escritor em Portugal: como funciona

Afinal os escritores também são obrigados a pagar Segurança Social, sabiam?
Dizem-me uma coisa na SPA (posso estar enganada, mas julgo que me disseram o contrário), dizem-me outra diferente na Seg. Social... 'tá bem. Afinal qual é o escritor que Come! Nós vivemos todos do ar, não é verdade?
E da musa. Pois. A musa é um buffet.
Mas.
- Se o meu rendimento anual ilíquido (de trabalhadora independente no qual se enquadram também trabalhadores intelectuais) for inferior a 6 vezes o salário mínimo nacional - então aí já não tenho de declarar nada à segurança social.
- Se o rendimento for superior já terei de declarar. E depois pago (dependendo dos rendimentos que tive) ou:
* 50% do salário mínimo nacional (por mês!)
*ou o duodécimo (12% - por mês também)

Porém!
- Se eu for trabalhadora por conta de outrém e ganhar o mínimo nacional (que é quanto, já agora?) não pago a Seg. social do que faço em recibos verdes.

A diferença entre um trabalhador normal independente e eu é: se o trabalhador intelectual não ganhou nada no ano passado, no ano seguinte não tem de declarar népia.

Quem tiver dúvidas, deixo aqui o telefone da Seg. Social: 21 8424200. Quando atenderem (e vai demorar muito tempo, aquilo nem vos dá música, só chama, chama, chama) peçam para passar à secção de Independentes.

Basicamente um escritor nesta merda de país tem de ter sempre a merda de um segundo emprego porque senão a Seg. Social vem e fode-lhe os cornos. Qual é o escritor que pode sequer Alimentar-se (todos os dias porque, enfim, convém, a não ser que esteja a treinar para top-model e tenha de fazer o exame final de anorexia) ganhando apenas 6 salários mínimos nacionais Por Ano?!?!?!?!?!
Pensava eu, na minha atroz ingenuidade, que nós Éramos Diferentes! Não tínhamos de pagar porque ganhávamos tão pouco! Quando ganhávamos!
Afinal é mentira.
Um escritor, para viver neste país, tem duas opções: ou vende caralhões de livros e aí já pode pagar 300 vezes a puta da seg. social ou tem um segundo emprego.
Imagine-se, faz de conta!, que eu ganhava, vá lá, 5000 euros por ano. Só publicando livros.
(Nem estou lá perto by the way.)
Estava tramada com a seg. social. Praí metade, se calhar, ia-me ser tirado, isto para não falar dos impostos. Ficava com quanto no fim?
Olha, ficava com o suficiente para viver do ar.
Isto é completamente injusto. Merda de país. Que exploda, que morra afogado no seu fel decadente! É o que te desejo (e auguro!) Portugal!!

Resumindo, três fantásticas opções:
- Ou se vende centenas de milhares de livros (com ou sem segundo emprego).
- Ou se tem um segundo emprego Por Conta de Outrem (por onde já se desconta para a seg. social. E tem de ganhar o mínimo nacional).
- Ou não faz o suficiente nem sequer para descontar para a seg. social porque vendeu escassos exemplares.

Eu, ¨atinadamente¨, escolhi a terceira opção. Digam lá que não sou esperta? Eu não, o meu anjo da guarda que parece saber mais sobre estas coisas. É que o ano transacto eu não ganhei, de todo, o salário mínimo nacional.

Enfim.
Agora, in other news, mas também sobre o assunto Recibos Verdes:
- Tenho uma colega que trabalha 10 horas por dia. Cinco horas num sítio, a recibos verdes, e outras cinco lá onde eu laboro.
No sítio onde recebe a RV não tem folgas, sabiam? E se começa a faltar muito põe-na na rua. Não é giro? Este país não é bonito? Atão a escravatura não foi abolida? Ou enganei-me?
Isto não é ilegal...?
Ah, eu esqueço-me: Portugal, Portugal, Portugal!
(Inté cantava o hino e dava hossanas ao senhor Sal, perdão, Sócrates e demais maralha - masNumMeApetece.)

segunda-feira, abril 09, 2007

AS DUAS PARTES

[O outro conto que faltava.]

As duas Partes encontraram-se num espaço neutro, nem céu nem Terra nem Reino lá de Baixo, mas num espaço que Deus ainda não tinha enchido com a sua criação, não sabia o que fazer com ele, estava à espera da contribuição das almas humanas que a Ele regressassem, talvez tivessem ideias melhores. O espaço era vazio. Deus criou uma sala, grande, e dividiu-a ao meio; de um lado Ele, do outro a Outra Parte e sua entourage. Ao meio, entre as duas, estava uma mesa redonda, em cima dela estavam talheres, guardanapos, copos e um tabuleiro de xadrez ao centro. As peças dormitavam, algumas ressonavam.
As peças do lado do Bem (sejamos claros, pois é do Bem que se trata) dormitavam placidamente enquanto que as do Outro Lado às vezes abriam um olhito e mandavam pedritas contra as peças do Bem, que oscilavam, mas não se manifestavam. Continuavam na sua placidez de sono adormecida.
Deus estava sentado do seu lado e esperava. A Sua paciência era infinita. A outra Parte estava atrasada, como sempre. Fora Ele que pediu o encontro, tentar arrumar as coisas antes que chegassem a um ponto de não retorno, ao caos total, e Ele amava demasiado a Sua criação para permitir isso.
Os anjos e querubins do seu lado esperavam também, atentos. Serviriam os bolos e doces conventuais em que a Outra Parte tinha parte do mérito na criação. E, aliás, ele pelava-se por doçaria conventual. Às vezes adiava as patifarias só para poder degustar toucinho-do-céu ou maminhas de freira (ó, o que ele adorava maminhas de freira! Deus também, verdade seja dita). Os querubins, menos habituados à paciência, torciam-se, mexiam-se, implicavam com o querubim do lado, puxavam-lhe os caracóis, riam-se e suspiravam de enfado. Os anjos mais velhos jogavam às cartas sentados no chão e os arcanjos olhavam para as suas trombetas e tinham saudades dos cd´s de jazz que tinham em casa, no reino dos céus.
Até que, enfim, um ponto muito ao fundo se foi tornando maior. A Outra Parte apresentava-se ao encontro.

Vestia-se como um príncipe renascentista, com capa e luvas e trajes ricamente decorados a pérolas, ouros e jóias. A barba estava soberbamente cortada e caminhava com calma arrogância e o desprezo de quem se sabe superior a todos os presentes.
A outra parte andou lentamente até à mesa, retirando com cuidado a luva que deixava à mostra mãos longas, brancas e de unhas tratadas e, com desprezo, sentou-se no seu lado depois de um diabinho obsequioso ter puxado a cadeira. O Mestre pôs uma perna em cima da mesa, derrubando copos e deitando um prato ao chão, estilhaçando-se com estrondo. Colocou a luva vermelha na mesa com imenso desdém. A sua entourage, ao contrário do que se esperaria, não era muito larga, alguns diabos e diabinhos em treino, tão apáticos e patéticos como sempre, quão diferente as criações de uma e de outra parte! Uma nascida do amor, da pura arte pelo amor da arte, a outra nascida de intenções egoístas, narcisistas, egocêntricas, onde não cabiam o livre-arbítrio, por isso eram cópias más da verdadeira criação.
O Gajo Mau, o Diabo, o Príncipe Veneziano, enfim, chamemos-lhe o Príncipe, fazia barulhos com os dentes, chupando-os e olhando fixamente Deus. Deus abriu os olhos e sorriu. Sorria sempre ao ver uma das suas criações, era quase um tique nervoso.
¨Como estás, velho?¨, disse o Príncipe, mas na verdade estava-se nas tintas. Ele só ali tinha ido por uma razão, já sabia que não ia haver acordo nenhum uma vez que fora quebrado, o que o aliciara foram os doces conventuais. Divinais, sobretudo se feitos por mãos puras e divinas. As freiras que ele desencaminhou só porque eram boas cozinheiras! A arte culinária nas mãos de quem ama não tem comparação. Os diabos eram uns azelhas a cozinhar e quem ele desencaminhava pouco depois perdia o mágico toque, o que o forçava a procurar novos pasteleiros.
¨Vai-se indo, vai-se indo. Assim assim, sabes como é, a idade não perdoa¨, disse Deus. Deus, envelhecer? Será lá isso possível? Convenhamos. Adiante.
O Príncipe disse ¨Hum¨ com um desprezo tão grande nesse murmúrio gutural que Deus não pôde deixar de rir para dentro. A seguir mandou que os anjos servissem as iguarias.
Os anjos tinham mourejado nas cozinhas do céu dias seguidos, aconselhados por pasteleiros de renome, mortos ou não. Apareceram em redopio resmas de bolos e doces. Ele eram pudins, bolos de dois e três andares, bolinhos, bolões, bolachinhas com molhos por cima, morango, mel, chocolate, todo o tipo de doces de comer e chorar por mais. E o Príncipe comeu, olá se comeu.

Arrancou pedaços dos bolos às mãos-cheias, sem se preocupar em usar talheres nem pratos nem sequer em esperar para ser servido, punha largos pedaços dentro da bocarra, que se alargava e alargava à medida que ele comia mais e mais. De um único golpe abriu a boca que se estendeu para trás, a cara recuou, o queixo desceu, e engoliu um bolo de dois níveis, limpando os dentes depois e dando um enorme arroto que abalou a sala. Não partilhou nada com os diabos. Os diabinhos tentavam pegar as migalhas, mas o Príncipe enxotava-os com as botarras e ao murro. Deus, ao contrário, comia delicadamente uma fatia de pudim de laranja, cortando pedaços mínimos e degustando cada um com imenso prazer, enquanto os anjos, querubins e arcanjos se deleitavam também nos doces. Deus partilhava e esse era também outro prazer. Um duplo prazer divino.

O Gajo Mau olhava, sôfrego, de olhos arregalados, para o lado do Bem, para a quantidade ainda de doces que sobrava. Mas não se atreveu a passar a linha divisória porque tinha medo de ser contaminado pelo Bem e regredir ao seu estado anterior de Pura Luz, que odiava e enjeitara muito tempo atrás para ser anjo rebelde no comando de outros anjos rebeldes. E, aliás, Deus não o permitiria, só que ele não tinha medo de Deus - tinha medo de deixar de ser o que era. Até o Príncipe Malvado tem receios.
De súbito disse ¨Não há acordo nenhum¨. Deus espantou-se e perguntou porquê. ¨O acordo entre nós foi quebrado por Ti.” “Por mim não”, disse Deus. ¨Não me venhas com merdas, velhote, conheço-te de gingeira. Foi um da tua parte, um dos teus membros: a Morte.¨ ¨A Morte é neutra¨, disse Deus. ¨Neutra o caralho. É tua, pertence-Te. Segundo a Carta do Acordo há leis rigorosíssimas que definem o comportamento da Morte e ela quebrou-as. O acordo fica sem efeito.¨ ¨Não¨, disse Deus consternado, ¨vamos remodelá-lo, estou preparado para fazer concessões¨, afirmou candidamente. Estava preparado para dar mais uma parte do Seu Reino para que o Acordo permanecesse Válido, só que o Príncipe além de guloso era ganancioso: queria tudo, o Reino inteiro para reinar em toda a parte como o Imperador do Mal. Talvez um resquício do Bem permanecesse para que os bolos que adorava continuassem a ser confeccionados. Melhor pensando, não, nenhuma mínima parte devia permanecer. O Bem devia ser ostracizado da realidade, do espaço. Matar Deus e pô-lo a ferros. Enclausurá-Lo. E torturá-lo lentamente, ai que gozo! Era a oportunidade perfeita para finalmente quebrar laços com a Carta do Acordo, o comportamento incompetente da Morte dera a desculpa perfeita. Cabra de merda. Cabrão, que a Morte era gajo.
O Príncipe desencaminhava humanos, tornando-os cegos em vida para as maravilhas (puhá!) da criação divina, não conseguiam ver magia em sítio algum, trabalhavam como autómatos a puta da vida inteira, trabalhar trabalhar, ir para casa, dormir, consumir consumir, sem tempo para nada, sem tempo para amar (puhá!) os filhos, a mulher, os parentes, os amigos, os colegas. Amar era passar tempo com eles, ouvi-los, partilhar, estar feliz na sua companhia, mas o Príncipe conseguira extirpar cada vez mais o tempo para isso. Inundara-lhes as mentes pequeninas de sonhos e ilusões, toldara-lhes a visão do que era real e imaginário, dera-lhes fantasias megalómanas, toldando-lhes a visão de si mesmos, o conhecimento interior, e muitos não sabiam que a verdadeira felicidade advinha de uma vida simples, com uma família e um trabalho que, apesar de pagar razoavelmente, os enchia de prazer.
Em vez disso convenceu-os que tinham o Direito a ser felizes e depois que só podiam alcançar a felicidade com coisas. Muitas coisas. Enchiam a casa de tralha inútil, saciando os sentidos, mas nunca a puta daquela chamazinha interior que Deus lhe dera à nascença.
Essa chama: havia que a erradicar de vez, matá-la. Infelizmente era imortal, mas podia abafá-la, cobri-la de lama, dejectos e porcaria, podia cobri-la de tal modo que ela mal respiraria. Ficaria comatosa. Gloriosamente comatosa! Oh, hossanas!, pensava ele com heresia e fazendo pouco do ritual religioso. Felicidade, felicidade.

Era assim que os perdia. E eram seus! Seus por direito! Agora o merdas faz-me esta desfeita, não se faz, não se faz, diz-se , fingindo consternação, como se lhe tivessem tirado o brinquedo favorito, na verdade acabavam de lho dar. Ó, a imensa alegria (puhá), o gozo, o deleite de brincar aos maus, polícias e ladrões, caubóis e índios, Benficas e Sportingues. Cabrão do velho. Estava-me a correr o negócio tão bem, a subida era exponencial, cada vez arrebatava mais almas, tirava-lhes metade do espírito e os homens seguiam pela vida, perdidos sem o saberem, a mourejar que nem escravos para pagar coisas que não precisavam, e depois na morte os diabos iam buscar esses espíritos apáticos, pálidos, sem memória, sem metade da Alma, a Morte não lhes podia tocar, eram MeusMeusMeus. Meus, puta. Meus, só meus. Isto tudo é meu, isto tudo é meu, meu e meu, só meu. A incompetente de merda começou a conduzir os meus espíritos à metade perdida da alma e, com ela, subitamente os espíritos vêem tudo, sabem para onde devem ir, sabem que têm de seguir o caminho do Bem (puhá) e os meus diabos de serviço não os podem já pegar pela mão, conduzi-los ao meu reino e distraí-los com os seus vícios secretos até ao fim da eternidade. Uma vez lá dentro não saem. Saiu um, sacana, nem sei como, mas há mãozinha de Deus nisso, olá se há, não me chame eu Godofredo Henriques (não se chama. É só um esclarecimento aos amados leitores). Uma vez no interior não saem, são meus para sempre. Só porque o negócio me estava a correr bem a Morte começou a roubar-me a clientela. Cabra. Cabrão. Cabra. Ainda te hei-de foder o miolo, haha, não sei como, espera para ver (pensa o Gajo Mau Que Nem As Cobras, palitando os dentes). Agora o Acordo está off e a culpa nem é dele, incrível!, mas da Parte do Bem (puháá) pois apesar de neutra (neutra, era era), a Morte pertence indubitavelmente ao lado bom. Agora finalmente a chance perfeita caíra-lhe no colo. Podia desfazer Deus e a Sua entourage. Apropiar-se de tudo.
¨Não há acordo. Prepara-te para a guerra¨, disse voltando costas e saindo por onde entrara, com a multidão apática de diabos amorfos a segui-lo.

Deus suspirou. Já sabia o que viria daquele encontro, afinal era Deus, . Ele não era surpreendido a não ser pelos homens. E gostava de ser surpreendido. A Outra Parte não o surpreendia. O caminho fácil da Outra Parte era sempre o mesmo. Para que a Outra Parte o surpreendesse o amor teria de entrar na equação, o que jamais ia acontecer. Aliás, era bom que não acontecesse porque sem a Outra Parte deixaria de haver livre-arbítrio no mundo. O caminho fácil passaria a ser o Bem e isso era mau.
Os anjos arrumaram a sala, limparam os cacos, guardaram os bolos e os doces (os que não eram apanhados pelos querubins gulosos), varreram o chão e guardaram o tabuleiro de xadrez que não chegou a ser usado. No fim Deus fechou a porta. A batalha ia começar.

domingo, abril 08, 2007

From rejected bin


From rejected bin, originally uploaded by kktp_.

Freedom


Freedom, originally uploaded by kktp_.

Until I’m gone, until I can’t see light no more

sábado, abril 07, 2007

The last pride


The last pride, originally uploaded by kktp_.

sexta-feira, abril 06, 2007

The way it works for you

"So they’re probably surprised when I stand up at the lectern and tell them that
I write my books an entirely different way. I have no idea where my story will
take me when I sit down to write the first page. I don’t do character sketches
and I don’t do outlines. I’m forced to come up with a three-page synopsis for my
editor (just so my publisher can start planning the cover design) but more often
than not, my final story will end up completely different from the one I
promised. If this sounds like a chaotic way to write a book, it is. It means I
write myself into corners. It means characters will suddenly transform into
other people halfway through the first draft. It means I spend many sleepless
nights trying to figure out how to fix a story that’s gone off the rails. It
means I may suffer from weeks and weeks of writer’s block. It means I spend
months on the re-writes. But it’s the only way I’ve ever been able to write my
books, and even though I wish I could do it Michael’s way, I find that I just
can’t write an outline. Or, if I do, the book turns out different anyway."

"After twenty years of writing, I think the best advice I can give a new novelist is this: find the method that’s comfortable for you, and use it. And don’t apologize. "



Fonte

L’OUBLI - OBLIVION


L’OUBLI - OBLIVION
Originally uploaded by bleuet / Anne-Marie.

F O L G A.

E amanhã: FOLGA!

E Domingo?

FO...!

Ah não, trabalho... :/

quinta-feira, abril 05, 2007

Best

Também tenho de escrever um livro destes...

Hey

Já cá tengo el piruças novo de volta.
A impressora já imprime.
A música já dá.

E daqui a pouco saio para ir... ai, trabalhar :/
Que vontadex!

Aturar clientes que telefonam sem dados e ainda têm a lata de nos chamar incompetentes quando não os identificamos logo no sistema.
Ter de esperar pela porra do intervalo que nunca é à hora certa.
Mas Domingo vai ser giro: das 20h à 1h da manhã. Ganha-se mais, fixolas. E num se faz nenhum, hehehe. Só joguinhos. Há lá um do Bin Laden munta giro.

QueMeApareçamCoisas... descomplicadas.

Às vezes há lá com cada pergunta que a gente fica assim um bocado, a modos que, prontoS!, um bocado! Um bocado assim...

A propósito, colegas que estejam a ler isto: não identifiquem a empresa nos comentários! Ok?

Bom, vou continuar a fazer a interpretação astrológica da S., uma colega, ódespois arranjo-me e lá vou eu...

Joquitas, mês lindes.

quarta-feira, abril 04, 2007

Novo PC

Mas tenho de o levar Novamente à Vobis.

A música não funciona.
E a porcaria da impressora não imprime.

RAIIIIVAAAAAAAA.

Merda do Vista!

Bom, I'm Back!
Mas vão ter de ter mais um pouco de paciência comigo.

terça-feira, março 13, 2007

Ois

Olá meninos. Yap, ainda estou sem computador. Tenho mesmo de comprar um, irra. Bom, ´tou na biblioteca e daqui a pouco vou para o job. Ainda estamos em formação, por isso não quero dizer onde é que eu estou exactamente. Talvez na próxima semana assinemos o contrato (eu digo Talvez porque só acredito nas coisas quando elas são definitivas, concretas!). Nos entretantos deixo aqui dois contos (quase contos) que desentranhei de um livro que escrevi no fim de 2005. Uma parte do livro vai ser reaproveitada - a outra não. Portantos ficam aqui com muito material para ler.
[Por imperativos de tempo o outro fica para outra altura.]
Ah, para terem uma ideia daquilo que eu faço (apoio ao cliente) fica um textozinho. Não posso nomear a empresa porque se começo a gozar muito com a dita (e a revelar os processos de atendimento) - acho que me põem na rua.

SAL E PIMENTA

Cliente: Ora, boa tarde, boa tarde. É para dizer que eu pa, paguei a taxa e ainda não vieram cá pôr a pimenta no cu da avó!
Operadora: Senhor Armando, temos efectivamente uma ordem de serviço para ir pôr pimenta no cu da avó, já saiu para a rua, mas o período em que pode ser feito é até amanhã às 15 horas.
Cliente: Então e eu agora! E eu agora vou lamber aquilo sem pimenta?! É que só com sal não tem jeito nenhum! Eu paguei, eu já paguei!

[Tivesses pago mais cedo. Totó.]

Op: Senhor Armando, é como eu acabei de o informar. A ordem de serviço está na rua, é questão apenas de aguardar por um contacto de um técnico nosso.
Cliente: Mas hoje? Vêm cá pôr pimenta no cu da avó hoje?! É que só com sal, só com sal não tem jeito nenhum!
Op: O prazo é até amanhã às 15 horas.
Clt: Mas tem de ser hoje, caneco! Tem de ser hoje! Eu não saio...!
Op: Senhor Armando...
Clt: Eu Não Saio Daqui Até Me Garantirem que vêm Hoje, Sem Falta, pôr cá, pôr cá a pimenta no cu da avó! Como é que eu vou lamber aquilo só com sal?! Tem de amaciar, a senhora sabe isso, também tem avó, não é? Compreende, não é?
Op: Senhor Armando...

[And on and on and on]

*******

MIRIAM


Miriam está dentro do sonho de Filipe. Entre pegar no telefone para falar com ele e comunicar doutro modo, preferiu rasgar um pouco o tecido da realidade, rasgá-lo, não penetrar nele, e confrontá-lo. Nunca tinha entrado nos seus sonhos antes por vergonha e medo de o intimidar e também por lhe respeitar a privacidade. Mas amantes honestos costumam visitar-se, e amar-se, em sonhos. Porém a honestidade entre os dois fora trocada por outra coisa que ela não sabia definir.
- Chamei-te - diz Miriam à figura enevoada sentada em cima de uma cama de ferro negro. Tem cobertas brancas que contrastam com o ferro retorcido em círculos simétricos. Filipe dissolve-se, é névoa difícil de apanhar, de conter em redor das mãos, de abraçar. Miriam tem medo de se aproximar muito, pode dispersar as moléculas para longe. E depois, como falará com ele? Não se pode falar com o espaço vazio, mas também não se dialoga com a névoa.
- Chamei-te. Não vieste.
- Ir onde? - responde, tornando-se mais sólido. Distinguem-se os olhos e pouco a pouco o nariz e os lábios cheios reaparecem.
- Ter comigo - diz, sentando-se ao lado, na cama, e virando o rosto na sua direcção. Com cuidado não o tocou. Temia que se quebrasse como um espelho e despertasse do sonho na sua cama.
Filipe olha para longe, subitamente esquecido de Miriam. Ela estreita os olhos. Ao fundo há dois berlindes de cor florescente a brilhar, um azul, outro verde. Filipe desliza no chão como um gato na direcção das jóias. Estas parecem afastar-se cada vez para mais longe, a cada passo que dá. Filipe gatinha com pressa, aumenta o ritmo, mas as jóias afastam-se para além do horizonte sem sol.
Miriam está na cama a reprimir as lágrimas (sim, também se chora nos sonhos. No momento, na realidade, Miriam está na posição fetal e o Gato cheira-lhe a cara e avança os bigodes para ela, preocupado. Põe uma pata dentro da testa e entra para o sonho). Levanta-se. Baixa-se para Filipe. Pega no seu rosto apático, diz Amo-te, e beija-o. De início não se apercebe de nada, mas a seguir a apatia levanta como um manto de nuvens a ameaçar tempestade e ele retribui com paixão. Quando se separam ele sorri, reconhece-a, Miriam, diz, Miriam.
O Gato roça-se nela, de cauda alçada, e faz pffff para ele. Não gosta de Filipe. Filipe estende a mão lentamente para o felino, com a intenção de lhe fazer uma festa, mas é repelido com uma sapatada. Au!, diz ele, arranhou-me.
- Mau! Feio! - diz Miriam.
- Para que perdes o tempo com este tipo? - diz o Gato. - Não gosto dele. Não serve para ti.
- Alguém te pediu a opinião?
- Ele fala? - diz Filipe aparvalhado.
- Pois claro que falo. Bípede idiota... - sibila o Gato, limpando a cara com a pata de costas para ele.
- Ele fala? Mas fala?
- Filipe, olha para mim.
- Devo estar a sonhar!
- Por acaso...
- Um gato que fala...
- Larga-o - diz ele a Miriam. - Não tens tempo para te dedicar a idiotas deste calibre.
- Chiu. Cala-te - vocifera num murmúrio.
- Tempo? - diz Filipe.
- Não lhe disseste! - exclama o Gato surpreso.
- Cala-te - diz Miriam entredentes, num tom ameaçador, de olhos arregalados. Faz um gesto de mão e o Gato voa para longe aos rodilhões, como as ervas secas dos desertos americanos.
- Miiiaaauuuu... - diz ele, magoado no seu felino orgulho.
Tem sempre a mania de se meter onde não é chamado, espuma Miriam, quer saber tudo, mas se lhe peço para me contar a mínima coisa, é o contas! Coscuvilheiro de um raio. Amanhã dorme no olho da rua e que se amanhe com os zombies. Quero lá saber.
Procura Filipe, mas ele afastou-se. Está de pé a observar as duas jóias, ao nível do seu peito, quase pode tocar-lhes, mas elas afastam-se só um pouco, fica a milímetros de lhes roçar os dedos. Aquele espaço mínimo irrita-o.
- Filipe... - chama Miriam do seu lado. Ele ignora-a. Nem a vê. De repente, num salto, o Gato reaparece, pula sobre as jóias e aterra de barriga colada ao chão. Filipe assusta-se, salta para trás, põe um joelho no solo, diz bichano, bichano, deixa ver, deixa... O Gato ronrona de forma ameaçadora e levanta-se deixando nada a descoberto. Permite que Filipe vasculhe no meio do pêlo, como se tivesse sido sedado para uma visita ao veterinário, sem nada descobrir. Antes de o largar o Gato revela:
- A Miriam vai morrer.
Ele arregala os olhos, volta-se, rápido e nervoso, para ela. Miriam está pálida, de olhos esbugalhados. De súbito ele acorda a chorar e mergulhado em suor na sua cama vazia. Agarra no telefone e repara nas horas: 3h12, não pode telefonar a Miriam àquelas horas.
Levanta-se, molha a cara, anda pela casa (não repara que os móveis o espreitam pelo canto dos olhos) e cai em si - era um sonho, o estúpido de um sonho. Mas, realiza, então porque o terá afectado tanto? Porque o terá deixado naquela desalmada condição? A realização do porquê limpa-lhe a mente de pensamentos.
Miriam está fodida com o filhodaputa do Gato. Ala, Ala!, ralha ela, enxotando-o da cama quente e acolhedora, Lá para fora! Andor! ANDOR!, grita enfurecida. Mas Miriam, mia ele, fazendo a sua cara mais triste, apelando à compaixão da bípede, lá fora está muito frio! Eu morro com o frio! Havia de ser o dia, diz ela com escárnio, em que me saísse a sorte grande. Ala para fora, caneco! Miriam, por favor, implora o Gato; Rua!, diz enxotando-o para o exterior da casa.
E agora, o que dizer a Filipe? Ele podia continuar cego, surdo e mudo quanto à magia que o mudo encerrava, mas por vezes ela duvidava, por vezes parecia que ele tentava desesperadamente ignorar ou fazer de conta que não via o que já via. Talvez ignorasse este sonho. Talvez. Em todo o caso, se lhe perguntasse, ela mentiria.
*

Ela abraça-o por muito tempo, de olhos fechados. Há qualquer coisa que o anda a incomodar, mas não sabe o quê, e esse gesto, esse indelével abraço lembra-lhe o sonho, o pesadelo que tinha tido há uma semana. Estranho. Ele não se lembrava dos sonhos, não era costume e muito menos com uma semana de atraso.
Miriam, disse; Sim, respondeu. Tive um sonho esquisito!, disse ele, galhofeiro, de braço apoiado no chão e a outra mão a tocar suavemente o estômago dela. Hum, disse ela. Ela dizia ¨Hum¨ quando não queria falar das coisas. A pulga instalou-se atrás da orelha.
- Estranho como?
- Estranho... sei lá. O teu gato falava.
- O meu gato?
- Sim. Havia qualquer coisa que me distraía, não recordo o quê. Tentei, não sou capaz. Mas lembro-me vividamente que o teu gato falava. E comeu qualquer coisa. Acho que comeu. O teu gato não fala, pois não? - perguntou, brincalhão.
- Ora pois! Era logo! - disse ela a rir-se. Súbito ficou com o rosto sério. Ele perguntou, preocupado:
- O que foi?
- Estás a aleijar-me.
- Desculpa - e deslizou para o lado. Após um momento de silêncio disse:
- Disse-me que ias morrer.
Miriam estreitou as sobrancelhas.
- Quem?
- O gato.
- O gato - riu-se.
- Tu ficaste muito zangada. Depois acordei. Lembro-me que antes de despertar te vi no sonho a olhar para ele zangada.
- Eu também lá estava, então.
- Sim.
- E havia mais alguém?
- Não. Apenas eu, tu e o teu gato. Miriam... - e baixou o rosto - não estás doente, pois não?
Ela virou-se para o lado e começou a rir, o corpo dando minúsculos saltos.
- Que parvoíce. Que raio de pergunta. Agora acreditas em sonhos?
- Não, mas... não sei, aquele... não há nada de errado, pois não?
- Está tudo óptimo - respondeu sorrindo sem mostrar os dentes.
- Ainda bem - pousou-lhe a mão na face. - O teu gato, onde anda?
- Ó, por aí, às gatas, a caçar ou a brincar. Não é muito caseiro.

Amaram-se muitas horas seguidas. Filipe estava mais gentil do que nunca. Não lhe diria nunca. Estava a ser egoísta, sabia-o, mas aqueles momentos de amor eram-lhe preciosos, queria beber cada um deles como se bebesse da fonte da eterna juventude. Não era justo que ele, um dia, chegasse e chegasse apenas para o seu funeral, mas não era capaz de contar-lhe. Queria todo o seu amor antes de ir, não queria a sua mágoa, as lágrimas, o afastamento.

sábado, fevereiro 17, 2007

Sabem

O que descobri desde que estou sem net?

Em 15 minutos faço tudo o que é necessário... :/


Acho que vou ficar sem pc mais uns tempos... se calhar é melhor.


Joquitas pipol! ;)

sábado, fevereiro 10, 2007

Na Biblioteca José Saramago, em Loures.

Olá lindos. Pois, a modos que o pc... 'tá em coma, moribundo, nem com uma garrafa de oxigénio aquilo arriba.
O que é Engraçado é que, se eu não mexer na internet - funciona às mil maravilhas (e o canalha nem me deixa imprimir). Estou a escrever isto nele para depois o poder publicar pelo computador da biblioteca. Fixe. Querendo ou não - acabo por me livrar do vício da net.

The good news is.
'Tou em formação para ser assistente de apoio ao cliente de uma grande empresa nacional. Qual não digo porque eu ainda não sei se passo ou não à formação.

Estou com o medo ridículo de que, só por contar isto, dê azar.
Eu Quero Passar! QueroQueroQuero!!!!!!

A parte teórica são três semanas, ao fim das quais há um teste de duas horas 0_0. Se chumbarmos não transitamos para a parte prática que dura duas semanas.

Portantes! Se daqui a mais ou menos três semanas começarem a ver muitos posts por aqui... é porque eu fui afogar as mágoas no meu vício favorito num sítio perto onde há acesso à net (a pagar).

Mas pensamento positivo! Sempre!

Ah, e sabem o máximo? Se não passarmos NÃO NOS PAGAM! Não é giro? Eu acho que sim, que é giro! Mas a modos que é igual em todo o lado... embora eu não ache isso muito justo.

Outra boa notícia: tive gripe! (Aliás, ainda a tenho.) É uma óptima notícias para mim porque há Anos que nem uma reles constipação eu apanhava. Já tinha saudades, catano.

Finalmente, sabem quantos Bentleys se venderam até agora?
659 exemplares, e muitos estão à consignação (ou seja, se não forem vendidos pelas livrarias são devolvidos ao editor). Arrrrgh! :(
Estarei destinada ao underground forever...? É que eu não queria nada só começar a ser conhecida quando já estivesse com os pés para a cova.
Eh pá, se o Bentley estivesse nos hipermercados eu Sei que saía que nem pãezinhos quentes (yes, I do have a materialistic side). Mas é muito difícil entrar nesse circuito. São os distribuidores que apresentam uma série de livros a quem faz as compras das obras para pôr nos hipermercados do país. E o meu não foi apresentado - ou se foi declinaram. Mas penso que nem o devem ter apresentado para consideração. É pena.
Enfim - não posso pensar nestas coisas. Limitar-me apenas a fazer o meu trabalho.

Joquitas a todos.