Quando escrevo
Quando escrevo sinto uma suave vibração interior, a sweet humming sound, like a slow, lazy bee – or bumblebee.
Um doce embalo, hummmm, com o ême alongado. E dá-me prazer, difuso, mas constante.
Um abafado murmúrio. Um sonar que me atravessa e devolvo à fonte.
Ou talvez esse murmúrio seja a Fonte.
Habitada pela fonte – enquanto escrevo.
Quando caminhões passam na rua e a vossa casa pulsa ou quando o avião voa por cima das vossas cabeças e o corpo vos estremece – diminuam o volume, baixinho, baixinho. É algo assim, um pálido som, se o som tivesse cor, um som-creme, pastel. Mas menos denso. O décimo de um décimo de um brando tom pastel de azul ou amarelo. Azul. Just a hint of color. A hint. Quase temos de intuir a cor – mas ela está lá; tal como esse suave, doce pulsar, essa mansa vibração também se encontra presente. Enquanto escrevo.
terça-feira, junho 28, 2005
terça-feira, junho 21, 2005
segunda-feira, junho 13, 2005
sexta-feira, junho 10, 2005
Escrevi o texto abaixo para este desafio do Escreva!. Ainda podem participar até ao final deste mês :)
O Funeral
Convidaram o senhor Bentley para o funeral do vizinho Tim_booth, velho com as traças (sem desprestígio para as traças), que tencionavam realizar ali para os lados do Lumiar, perto do antigo palacete dos Holstein.
A intenção dos anfitriões (porque funeral sem anfitrião é como um jardim sem rosas. Ou gladíolos) era a de passar a mensagem subtil que, efectivamente, o seu tempo na terra esgotara-se há muito e essa teimosa insistência em conservar-se vivo começava a ser maçadora.
No funeral (não se apresentou ao velório. Deplora-os) o senhor Bentley comportou-se impecavelmente. O motivo era simples: tinha sido drogado pelo empregado do café, ricardomteixeira, que de modo sub-reptício despejara no chazinho de limão o vicodin previamente esmagado em finíssimo pó.
O senhor Bentley navegava por entre as pessoas como se navegasse num mar de algas que lhe embaraçavam os membros e a voz. Mas conseguiu manter os olhos abertos.
Viu Silvino Bastos, sargento reformado da GNR, gajo dos seus noventa anitos, com a pele da cara escura plantada de rugas, e uns arremessos de pêlo no topo do crânio, a estender os braços para os lados e a gabar a vida honrada e de amplas virtudes que Tim_booth levara. Quem o ouvisse julgaria que, de tão puro, o defunto não tinha nunca partido uma unha.
A bajulação ao morto seguiu os trâmites do costume, mas sem choradeiras. O senhor Bentley teve a peculiar intuição que ali todos aqueles aviltantes velhinhos e velhinhas se tinham reconciliado pacificamente com o horizonte da morte e andavam há muito a preparar-se para ela, sendo a comparência no funeral apenas outro ensaio. Ou prelúdio. Porque, a não ser por isso, não se justificaria que saíssem de casa, tendo em conta a sua encolhida saúde. Mas vieram. De andarilho, bengala, muletas, cadeira de rodas, ou apoiados em familiares mais jovens que os amparavam de cada lado, arrastando-se o melhor que podiam para a campa, baixando-se aos tremeliques para pegar num pedaço pequeníssimo de terra e lançarem-no desajeitada mas decididamente à tampa do caixão, já a emprenhar a cova.
O senhor Bentley pensou que se calhar eles estavam mais perto de Deus do que ele e pela primeira vez duvidou da sua Iluminação.
Mas teve pena de não ter conseguido dizer mal da esposa do finado, a CaMiLiNhA, pois certamente seriam palavras memoráveis.
[Continuo obcecada com esta personagem. Não consigo avançar para outras.]
O Funeral
Convidaram o senhor Bentley para o funeral do vizinho Tim_booth, velho com as traças (sem desprestígio para as traças), que tencionavam realizar ali para os lados do Lumiar, perto do antigo palacete dos Holstein.
A intenção dos anfitriões (porque funeral sem anfitrião é como um jardim sem rosas. Ou gladíolos) era a de passar a mensagem subtil que, efectivamente, o seu tempo na terra esgotara-se há muito e essa teimosa insistência em conservar-se vivo começava a ser maçadora.
No funeral (não se apresentou ao velório. Deplora-os) o senhor Bentley comportou-se impecavelmente. O motivo era simples: tinha sido drogado pelo empregado do café, ricardomteixeira, que de modo sub-reptício despejara no chazinho de limão o vicodin previamente esmagado em finíssimo pó.
O senhor Bentley navegava por entre as pessoas como se navegasse num mar de algas que lhe embaraçavam os membros e a voz. Mas conseguiu manter os olhos abertos.
Viu Silvino Bastos, sargento reformado da GNR, gajo dos seus noventa anitos, com a pele da cara escura plantada de rugas, e uns arremessos de pêlo no topo do crânio, a estender os braços para os lados e a gabar a vida honrada e de amplas virtudes que Tim_booth levara. Quem o ouvisse julgaria que, de tão puro, o defunto não tinha nunca partido uma unha.
A bajulação ao morto seguiu os trâmites do costume, mas sem choradeiras. O senhor Bentley teve a peculiar intuição que ali todos aqueles aviltantes velhinhos e velhinhas se tinham reconciliado pacificamente com o horizonte da morte e andavam há muito a preparar-se para ela, sendo a comparência no funeral apenas outro ensaio. Ou prelúdio. Porque, a não ser por isso, não se justificaria que saíssem de casa, tendo em conta a sua encolhida saúde. Mas vieram. De andarilho, bengala, muletas, cadeira de rodas, ou apoiados em familiares mais jovens que os amparavam de cada lado, arrastando-se o melhor que podiam para a campa, baixando-se aos tremeliques para pegar num pedaço pequeníssimo de terra e lançarem-no desajeitada mas decididamente à tampa do caixão, já a emprenhar a cova.
O senhor Bentley pensou que se calhar eles estavam mais perto de Deus do que ele e pela primeira vez duvidou da sua Iluminação.
Mas teve pena de não ter conseguido dizer mal da esposa do finado, a CaMiLiNhA, pois certamente seriam palavras memoráveis.
[Continuo obcecada com esta personagem. Não consigo avançar para outras.]
quinta-feira, junho 09, 2005
Texto que fiz para participar neste desafio. Só depois é que reparei que o limite eram 100 palavras. Portanto, aqui fica o texto completo.
Branco
A página em branco. A folha em branco. A blank sheet.
Quero escrever coisas que perdurem, inolvidáveis, ou dessa aparência. Desejo que aquilo que eu escrevo seja lembrado. Mas, hoje, lendo textos inesquecíveis de autores inesquecíveis, deparo-me com a minha inépcia para pensar num tema e falar sobre ele.
A folha em branco é predadora. Um leão que, sob a cobertura da vegetação, se aproxima, passo a passo, das minhas crias – as palavras – e as come, uma a uma, antes que eu dê por isso, antes que consiga fugir e pô-las a salvo – talvez num terreno alto e sem plantas, deserto, onde eu e outros possam ver claramente a aproximação furtiva do predador.
Quero escrever e não tenho objecto. Não é justo.
Passo em revista as muitas histórias que alguma vez imaginei. Em nenhuma delas o “branco” se inclui. Branco de quê? De mar? De sol? De convés? De terrorista de arma na mão, fazendo reféns num cruzeiro de luxo?
Não existem uzis brancas.
Ou talvez sim. Desconheço o que se considera “fashion” hoje em dia.
O que é branco além da folha carnívora?
As paredes, interiores, exteriores; a luz, quando nos apanha de frente, sobretudo ao guiar. Cerra-se os olhos, mas aquele luminoso branco permeia as pálpebras como água, luz líquida.
Pedras brancas.
Pombas.
Paz. A Paz é branca.
A folha em branco é um predador carnívoro.
E as palavras são carne.
Carne. Crua. De cruel, de crueza.
Branco
A página em branco. A folha em branco. A blank sheet.
Quero escrever coisas que perdurem, inolvidáveis, ou dessa aparência. Desejo que aquilo que eu escrevo seja lembrado. Mas, hoje, lendo textos inesquecíveis de autores inesquecíveis, deparo-me com a minha inépcia para pensar num tema e falar sobre ele.
A folha em branco é predadora. Um leão que, sob a cobertura da vegetação, se aproxima, passo a passo, das minhas crias – as palavras – e as come, uma a uma, antes que eu dê por isso, antes que consiga fugir e pô-las a salvo – talvez num terreno alto e sem plantas, deserto, onde eu e outros possam ver claramente a aproximação furtiva do predador.
Quero escrever e não tenho objecto. Não é justo.
Passo em revista as muitas histórias que alguma vez imaginei. Em nenhuma delas o “branco” se inclui. Branco de quê? De mar? De sol? De convés? De terrorista de arma na mão, fazendo reféns num cruzeiro de luxo?
Não existem uzis brancas.
Ou talvez sim. Desconheço o que se considera “fashion” hoje em dia.
O que é branco além da folha carnívora?
As paredes, interiores, exteriores; a luz, quando nos apanha de frente, sobretudo ao guiar. Cerra-se os olhos, mas aquele luminoso branco permeia as pálpebras como água, luz líquida.
Pedras brancas.
Pombas.
Paz. A Paz é branca.
A folha em branco é um predador carnívoro.
E as palavras são carne.
Carne. Crua. De cruel, de crueza.
segunda-feira, junho 06, 2005
Fui ao médico.
Consulta extarordinária no São José.
Atendeu-me - já nem recordo as horas. Perto das 13h.
Encontrei a mãe de uma amiga minha que também lá foi, mas para um exame aos olhos.
O raio do médico continua a insistir que eu durmo de olhos abertos, daí as feridas. Não passa daquilo. Ok, continuo o mesmo tratamento, menos à noite. Antes de dormir lubrifico os olhos e tapo-os para ter a certeza que eles não se abrem durante a noite!
(Isto, de súbito, parece-me tão ridículo.)
E não é que a minha mãe confirma o sacana do médico? "Sim, é verdade, - diz ela ao meu pai - ela dorme com os olhos abertos. Uma vez vi."
Bom, parece que o diagnóstico está definitivamente feito. Mas, por via das dúvidas, vou a um particular à noite.
Consulta extarordinária no São José.
Atendeu-me - já nem recordo as horas. Perto das 13h.
Encontrei a mãe de uma amiga minha que também lá foi, mas para um exame aos olhos.
O raio do médico continua a insistir que eu durmo de olhos abertos, daí as feridas. Não passa daquilo. Ok, continuo o mesmo tratamento, menos à noite. Antes de dormir lubrifico os olhos e tapo-os para ter a certeza que eles não se abrem durante a noite!
(Isto, de súbito, parece-me tão ridículo.)
E não é que a minha mãe confirma o sacana do médico? "Sim, é verdade, - diz ela ao meu pai - ela dorme com os olhos abertos. Uma vez vi."
Bom, parece que o diagnóstico está definitivamente feito. Mas, por via das dúvidas, vou a um particular à noite.
domingo, junho 05, 2005
Malta do México, da Noruega e agora da Colômbia anda a visitar muito o meu blog, nomeadamente este arquivo em particular. Ou melhor: é sempre esse o arquivo que visitam. Em direct hit. Sem busca no Google. Eu sou um bocado paranóica, mas por vezes considero que a paranóia se justifica. Sometimes they are really out to get you. Agora porquê é que eu desconheço.
Quer dizer... acho que sei o motivo de Tanto interesse. Talvez seja este vídeo de um ovni...
Que eu tirei do site para-normal.com (nos links). E que há uma data de meses está em baixo.
Ou não funciona.
Ou foi descontinuado.
Ou descontinuaram-no.
Sei lá.
Mas acho interessante a proveniência dos hits, os países...
Tenho de deixar de ver filmes americanos, não é?
Mas... podiam fazer-me um favor? Baixem o vídeo e ponham-no no vosso servidor e depois digam-me se andam a ter visitantes a mais de países como o México, a Noruega e a Colômbia. Ou, se não tiverem servidor, podem fazer hot-link.
Quanto aos meus olhos... pelo menos não estão a piorar. Amanhã vou ao médico: duas vezes. De manhã e à noite.
Já tentei visualizar-me com bengalinha de invisual e penso que não é um estilo que me ficaria bem.
Não, nada bem.
A escrita... ai, ai... há quanto tempo é que eu não escrevo? Too long. Mas não sigam os meus péssimos exemplos, windos! Visitem o Escreva! e participem nos novos desafios ou votem nos terminados!
Quer dizer... acho que sei o motivo de Tanto interesse. Talvez seja este vídeo de um ovni...
Que eu tirei do site para-normal.com (nos links). E que há uma data de meses está em baixo.
Ou não funciona.
Ou foi descontinuado.
Ou descontinuaram-no.
Sei lá.
Mas acho interessante a proveniência dos hits, os países...
Tenho de deixar de ver filmes americanos, não é?
Mas... podiam fazer-me um favor? Baixem o vídeo e ponham-no no vosso servidor e depois digam-me se andam a ter visitantes a mais de países como o México, a Noruega e a Colômbia. Ou, se não tiverem servidor, podem fazer hot-link.
Quanto aos meus olhos... pelo menos não estão a piorar. Amanhã vou ao médico: duas vezes. De manhã e à noite.
Já tentei visualizar-me com bengalinha de invisual e penso que não é um estilo que me ficaria bem.
Não, nada bem.
A escrita... ai, ai... há quanto tempo é que eu não escrevo? Too long. Mas não sigam os meus péssimos exemplos, windos! Visitem o Escreva! e participem nos novos desafios ou votem nos terminados!
quarta-feira, junho 01, 2005
Estou com muito medo de perder a vista. Esta porcaria não melhora. Fui às urgências. Receitaram-me outro medicamentos, para tomar além dos que eu já faço. Recomendaram-me que falasse com o meu médico. Pois, mas só consigo falar com ele dia 6. Até lá isto piora ainda mais.
Por isso recorro a um velho estratagema português: a cunha.
Um amigo do marido da minha prima é oftalmologista. Ela vai pedir ao marido para falar com o amigo.
Merda para isto.
E depois, a minha opinião, nunca é ouvida pelos médicos. Hoje falavam uns com os outros e não me explicavam o que diziam.
Se eu perder a vista depois peço-lhes a deles emprestada?
Por isso recorro a um velho estratagema português: a cunha.
Um amigo do marido da minha prima é oftalmologista. Ela vai pedir ao marido para falar com o amigo.
Merda para isto.
E depois, a minha opinião, nunca é ouvida pelos médicos. Hoje falavam uns com os outros e não me explicavam o que diziam.
Se eu perder a vista depois peço-lhes a deles emprestada?
domingo, maio 29, 2005
sábado, maio 28, 2005
Fonte: através dos espelhos. (Cuja fonte foi: Dona Ema.)
"Sempre que no Parlamento se levanta a voz plangente dum ministro, pedindo que cresça a bolsa do fisco e se cubra de impostos a fazenda do pobre, para salvação económica da pátria, há agitações, receios, temores, inquietações, oposições terríveis, descontentamentos incuráveis. O povo vê passar tudo, indiferente, e atende ao movimento da nossa política, da nossa economia, da nossa instrução, com a mesma sonolenta indiferença e estéril desleixo com que atenderia à história que lhe contassem das guerras exterminadoras duma antiga república perdida.(...)
Temos um déficit de 5.000 contos. Esta é a negra, a terrível, a assustadora verdade. Quem o promoveu? Quem o criou? De que desperdícios incalculáveis se formou? Como cresceu? Quem o alarga? É o governo? Foram estes homens que combatem, foram aqueles que defendem, foram aqueles que estão mudos? Não. Não foi ninguém. Foram as necessidades, as incúrias consecutivas, os maus métodos consolidados, a péssima administração de todos, o desperdício de todos. Depois, as necessidades da vida moderna, de terrível dispêndio para as nações. Como na vida particular, cresceram as superfluidades, o vão luxo, o aparato consumidor, mais precisões, mais gastos, a vida internacional tornou-se tão cara que mais ou menos todas as nações estão esfomeadas e magras.(...)
O déficit tornou-se um vício nacional, profundamente arraigado, indissoluvelmente preso ao solo, como uma lepra incurável."
Eça de Queiroz, 1867
"Sempre que no Parlamento se levanta a voz plangente dum ministro, pedindo que cresça a bolsa do fisco e se cubra de impostos a fazenda do pobre, para salvação económica da pátria, há agitações, receios, temores, inquietações, oposições terríveis, descontentamentos incuráveis. O povo vê passar tudo, indiferente, e atende ao movimento da nossa política, da nossa economia, da nossa instrução, com a mesma sonolenta indiferença e estéril desleixo com que atenderia à história que lhe contassem das guerras exterminadoras duma antiga república perdida.(...)
Temos um déficit de 5.000 contos. Esta é a negra, a terrível, a assustadora verdade. Quem o promoveu? Quem o criou? De que desperdícios incalculáveis se formou? Como cresceu? Quem o alarga? É o governo? Foram estes homens que combatem, foram aqueles que defendem, foram aqueles que estão mudos? Não. Não foi ninguém. Foram as necessidades, as incúrias consecutivas, os maus métodos consolidados, a péssima administração de todos, o desperdício de todos. Depois, as necessidades da vida moderna, de terrível dispêndio para as nações. Como na vida particular, cresceram as superfluidades, o vão luxo, o aparato consumidor, mais precisões, mais gastos, a vida internacional tornou-se tão cara que mais ou menos todas as nações estão esfomeadas e magras.(...)
O déficit tornou-se um vício nacional, profundamente arraigado, indissoluvelmente preso ao solo, como uma lepra incurável."
Eça de Queiroz, 1867
domingo, maio 22, 2005
Esta Merda da Infecção Nos Olhos NÃO HÁ MEIO DE DESAPARECER!
Eu já estou a entrar em paranóia!
Isto estava quase curado e hoje vejo que o olho esquerdo está muito vermelho e uma ferida na córnea reapareceu!
Raiva, raiva, raivaaaaa!!!!!!!
Segui a porra do tratamento todo como deve ser!
Porque é que esta merda não cura, porquê?!?!?!?!??!?!?!?!?!?!?!?!!??!
Eu já estou a entrar em paranóia!
Isto estava quase curado e hoje vejo que o olho esquerdo está muito vermelho e uma ferida na córnea reapareceu!
Raiva, raiva, raivaaaaa!!!!!!!
Segui a porra do tratamento todo como deve ser!
Porque é que esta merda não cura, porquê?!?!?!?!??!?!?!?!?!?!?!?!!??!
quinta-feira, maio 19, 2005
Numa destas noites sonhei com o novo Papa, todo vestido de branco e com aquela, hum, "bengala" retorcida que os Papas têm (não me lembro do nome). Ele entregava-me ou dava-me a ler uma folha, mas não me lembro do que estava escrito.
Sei que não gostava dele, já não me lembro qual a sensação exacta que ele me provocou no sonho, mas a minha atitude quando ele me abordou foi mais ou menos assim:
- "Mas o que é que este quer?!"
Tenho de começar a escrever detalhadamente os meus sonhos. Esqueço praí 90 por cento do que sonhei. Por exemplo sonhei com um primo meu, mas já não me lembro quando. E ontem soube que ele teve um acidente de trabalho :((
Tipo, não foi um sonho premonitório nem nada do estilo, foi apenas a imagem dele, sem nenhum sentimento a acompanhá-la.
Mas coisas deste género (ou melhor - este tipo de sonhos) andam a acontecer as vezes suficientes para eu notar - o que é esquisito, porque inédito.
Não é premonitório - é do género: sonho com alguém e semanas depois tenho notícias desse alguém.
E ando, eu própria, a ficar muito agressiva, verbalmente, nos sonhos.
Outro dia li que os sonhos são a nossa ligação ao espiritual, a porta pela qual lembramos a verdade, o sítio de onde viemos.
Bom, ver se amanhã escrevo o que sonhei.
Porque pode-me ser útil, mais tarde, não só para isto, mas para construir um mundo onírico, para fazer um romance mais ou menos baseado nisso.
Pensei nisto muitas vezes, mas acho que ainda não tenho sonhos suficientes (porque esqueço-me de anotar a maior parte).
Sei que não gostava dele, já não me lembro qual a sensação exacta que ele me provocou no sonho, mas a minha atitude quando ele me abordou foi mais ou menos assim:
- "Mas o que é que este quer?!"
Tenho de começar a escrever detalhadamente os meus sonhos. Esqueço praí 90 por cento do que sonhei. Por exemplo sonhei com um primo meu, mas já não me lembro quando. E ontem soube que ele teve um acidente de trabalho :((
Tipo, não foi um sonho premonitório nem nada do estilo, foi apenas a imagem dele, sem nenhum sentimento a acompanhá-la.
Mas coisas deste género (ou melhor - este tipo de sonhos) andam a acontecer as vezes suficientes para eu notar - o que é esquisito, porque inédito.
Não é premonitório - é do género: sonho com alguém e semanas depois tenho notícias desse alguém.
E ando, eu própria, a ficar muito agressiva, verbalmente, nos sonhos.
Outro dia li que os sonhos são a nossa ligação ao espiritual, a porta pela qual lembramos a verdade, o sítio de onde viemos.
Bom, ver se amanhã escrevo o que sonhei.
Porque pode-me ser útil, mais tarde, não só para isto, mas para construir um mundo onírico, para fazer um romance mais ou menos baseado nisso.
Pensei nisto muitas vezes, mas acho que ainda não tenho sonhos suficientes (porque esqueço-me de anotar a maior parte).
quarta-feira, maio 18, 2005
terça-feira, maio 17, 2005
É por causa disto que cada vez mais eu começo a acreditar na lei do Karma.
É que, doutra maneira, a vida não faz sentido.
A vida sem verdadeira justiça não faz sentido.
Estarmos vivos não faz sentido nenhum. Porque se o dinheiro compra tudo e os pobres é que se lixam sempre - porque raio estamos aqui? Somente para sofrer? Não pode ser. Tem de haver mais, muito mais. Tem de haver um verdadeiro equilíbrio.
Tem de haver uma justiça que transcende os homens. E seja realmente cega. E nunca cometa enganos.
É que, doutra maneira, a vida não faz sentido.
A vida sem verdadeira justiça não faz sentido.
Estarmos vivos não faz sentido nenhum. Porque se o dinheiro compra tudo e os pobres é que se lixam sempre - porque raio estamos aqui? Somente para sofrer? Não pode ser. Tem de haver mais, muito mais. Tem de haver um verdadeiro equilíbrio.
Tem de haver uma justiça que transcende os homens. E seja realmente cega. E nunca cometa enganos.
segunda-feira, maio 16, 2005
Capítulo 6 d'A Imortalidade
Sou pela intuição, acredito nas tramas invisíveis, insensíveis aos factos materiais, que nos avisam, nos aconselham sobre o caminho a seguir. Muito mal teria sofrido se tivesse entregue o juízo unicamente aos factos, quantas patadas da vida não teria apanhado.
Decido confiar no meu coração e volto-me para nunca mais retornar. Não me importa que esteja ali, presa. É um monstro e apenas a esse facto darei atenção.
Oiço-a lançar-se contra as barras, agarrá-las e depois, quase a gritar, dizer-me:
- Vais para casa! Fazer a comida ao maridinho! Escrava! ESCRAVA!
Estaco. Encaro o túnel de costas voltadas para ela.
- Limpar as ceroulas, varrer o chão, lavar as janelas! Acender a lareira. Oh, o fogão. E fazer-lhe bacalhau com batatas. Até morreres. Escrava!
- A mim quem me parece privada da liberdade és tu – replico, virando-me, lenta e surpreendentemente sem medo.
- Acreditas? Sou livre.
Revivo a última lida da casa, o cheiro do pó a picar-me o nariz, os vapores da roupa que passei a ferro a subirem-me para a cara, o odor e a textura húmida da roupa acabada de sair da máquina de lavar e o peso que carrego nos braços para a pôr no estendal; as pequenas partículas do Pronto a elanguescerem no ar quando pressiono a lata ao pé dos móveis. Tudo isso se abate sobre mim numa mistura de cheiros quotidianos, rotineiros. Cheiros que poucas vezes o meu marido sentiu, a não ser como espectador ou como aquele que usufrui do trabalho alheio. Ele pouco faz lá por casa, a não ser lavar a loiça em raras ocasiões, sobretudo quando há visitas. A desculpa do trabalho por turnos, que tem de ir dormir, está sempre presente. E eu, com o benefício de trabalhar perto de casa, indo a pé para o emprego, nem sei o cansaço que os transportes provocam. Sim, sou escrava de facto. Mas a culpa é minha. Podia obrigá-lo, fazer greve de tarefas domésticas e ele que se arranjasse. Mas abomino conflitos, prefiro perder as vantagens da assertividade e da autoridade aos benefícios de me fingir de forma constante um ser de temperamento forte. Por isso deixo que ele reine e ganhe a maioria das discussões.
Amo o meu marido, mas ele nunca me compreendeu totalmente.
Há uma parte de mim secreta, obscura, que guardo dos seus olhos analíticos, a parte que sente atracção pelo abismo, que pensa como seria abrir-me às trevas. Abrir-me à noite e à escuridão. Não posso ter este género de conversas com ele. Não as percebe. É demasiado céptico, superando-me. Morrerá uma criatura perfeitamente racional. Sim, sou escrava. Não dele, mas dos meus medos: o medo de sucumbir ao lado escuro de mim e o medo da mudança.
Apercebo-me que ela me olha interrogativa e ansiosa.
Continua.
Sou pela intuição, acredito nas tramas invisíveis, insensíveis aos factos materiais, que nos avisam, nos aconselham sobre o caminho a seguir. Muito mal teria sofrido se tivesse entregue o juízo unicamente aos factos, quantas patadas da vida não teria apanhado.
Decido confiar no meu coração e volto-me para nunca mais retornar. Não me importa que esteja ali, presa. É um monstro e apenas a esse facto darei atenção.
Oiço-a lançar-se contra as barras, agarrá-las e depois, quase a gritar, dizer-me:
- Vais para casa! Fazer a comida ao maridinho! Escrava! ESCRAVA!
Estaco. Encaro o túnel de costas voltadas para ela.
- Limpar as ceroulas, varrer o chão, lavar as janelas! Acender a lareira. Oh, o fogão. E fazer-lhe bacalhau com batatas. Até morreres. Escrava!
- A mim quem me parece privada da liberdade és tu – replico, virando-me, lenta e surpreendentemente sem medo.
- Acreditas? Sou livre.
Revivo a última lida da casa, o cheiro do pó a picar-me o nariz, os vapores da roupa que passei a ferro a subirem-me para a cara, o odor e a textura húmida da roupa acabada de sair da máquina de lavar e o peso que carrego nos braços para a pôr no estendal; as pequenas partículas do Pronto a elanguescerem no ar quando pressiono a lata ao pé dos móveis. Tudo isso se abate sobre mim numa mistura de cheiros quotidianos, rotineiros. Cheiros que poucas vezes o meu marido sentiu, a não ser como espectador ou como aquele que usufrui do trabalho alheio. Ele pouco faz lá por casa, a não ser lavar a loiça em raras ocasiões, sobretudo quando há visitas. A desculpa do trabalho por turnos, que tem de ir dormir, está sempre presente. E eu, com o benefício de trabalhar perto de casa, indo a pé para o emprego, nem sei o cansaço que os transportes provocam. Sim, sou escrava de facto. Mas a culpa é minha. Podia obrigá-lo, fazer greve de tarefas domésticas e ele que se arranjasse. Mas abomino conflitos, prefiro perder as vantagens da assertividade e da autoridade aos benefícios de me fingir de forma constante um ser de temperamento forte. Por isso deixo que ele reine e ganhe a maioria das discussões.
Amo o meu marido, mas ele nunca me compreendeu totalmente.
Há uma parte de mim secreta, obscura, que guardo dos seus olhos analíticos, a parte que sente atracção pelo abismo, que pensa como seria abrir-me às trevas. Abrir-me à noite e à escuridão. Não posso ter este género de conversas com ele. Não as percebe. É demasiado céptico, superando-me. Morrerá uma criatura perfeitamente racional. Sim, sou escrava. Não dele, mas dos meus medos: o medo de sucumbir ao lado escuro de mim e o medo da mudança.
Apercebo-me que ela me olha interrogativa e ansiosa.
Continua.
sexta-feira, maio 13, 2005
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