segunda-feira, agosto 31, 2009
domingo, agosto 30, 2009
3 milhões de palavras
Num ano. É o seu objectivo.
Uau!!!!!!!!!!!
http://www.my1000words.info/2009/01/3-million-word-challenge.html
Uau!!!!!!!!!!!
http://www.my1000words.info/2009/01/3-million-word-challenge.html
529 [conto]
Não estou a dizer que o tenha notado assim de imediato. Não. Veio por fases. Melhor, por ondas. Há certos acontecimentos nas nossas vidas que vêm por ondas, não sei se já repararam. Eu tenho o hábito de reparar em tudo. Reparo tanto que perco quem amo assim. Perco amizades, perco casamentos porque o marido decidiu deitar-se com uma das minhas amigas quando eu não estava em casa. E eu reparei, claro, reparei no estranho comportamento dele, a sua alegria bizarra, fora de contexto, nada a ver com o seu carácter rígido e autoritário; reparei em como se sentia de repente incomodado quando esta agora ex-amiga estava presente e em como as suas orelhas avermelhavam; reparei até em dois momentos o modo como trocaram olhares e sorriram muito sem se darem conta. Reparei que os sustentaram só mais um segundo do que era habitual, mas foi tudo. Esse segundo disse-me tudo, disse-me o resto que ainda faltava saber. Sim, foram para a cama. Fizeram amor no nosso colchão, aquele colchão que nos custou os olhos da cara e que o Normando se recusava a comprar até lhe fazer ver os benefícios da aquisição. A saúde, as costas, a postura, o melhor sono. E era verdade. Soube que, pelo conforto, tiveram de dormir na nossa cama, no nosso quarto. Soube que provavelmente se encontraram depois na casa dela. Porque era divorciada e trabalhava a meio-tempo. Ele é que arranjava umas desculpas esfarrapadas para chegar mais tarde a casa e não ter o jantar feito a horas. Muito trabalho, o chefe pediu para ficar mais um bocado. Até logo. Ele tinha sorte, eu é que muitas vezes chegava não antes da meia-noite porque, a mim sim, me obrigavam a ficar no trabalho mais horas do que devia. Em casa encontrava-o já com o duche tomado e pronto para dormir. Mas isso não vem ao caso. Divorciei-me, claro. O que eu queria ilustrar é que tenho o hábito de reparar em tudo.
Por isso foi normal quando comecei a reparar no padrão anormal dos números. De súbito o número 529 estava por toda a parte. Com certeza já ouviram falar do famoso fenómeno 11:11. Cada vez que se olha para o relógio ou para o PC ou para a televisão - e são 11:11. Certas. Sempre. 11:11 por toda a parte. Milhões já reportaram este fenómeno. Há toda a sorte de teorias. Comunicação de anjos. A recordação de algo. Mas isso a mim não me importa. Estava a suceder-me pela primeira vez e era com o 529. Olho por acaso para a fachada de um prédio e o número que vejo é este; olho o relógio e são 5:29. Acordo a meio da noite e vou ver as horas: 5:29. Nas notícias há 529 infectados só num dia de gripe A num país qualquer. 529 por todo o lado. Ora mistérios não me agradam. Dão-me cabo do juízo e a primeira coisa que quero fazer é solucioná-los. Solucioná-los para que deixe de pensar neles obsessivamente. Quando já qualquer explicação racional tinha sido posta de parte por mim, desisti e pedi a ajuda de uma amiga ligada a esoterismos e metafísicas.
“Submete-te”, disse-me ela. “Ao quê?”, perguntei. Ela encolheu os ombros e disse “Simplesmente submete-te”. A Deus, ao Universo, a quem quer que seja que esteja a tentar comunicar comigo. “Porque raio não mandam um emílio? Ou me escrevem uma carta? Um sms? Isto parece-me demasiado labiríntico.” Ela riu-se. “Todas as noites quando fores dormir pede ao teu Guia Espiritual que te ilumine e indique o significado desta ocorrência. Vais ver, resulta. Demora é tempo.” “Quanto tempo?” “Não sei. Um mês. Duas semanas. Quatro meses.”
E assim, todas as noites, como a boa rapariguinha que sou, pedi a ajuda de um suposto guia. Ou mestre. Ou Eu Superior. Até requisitei com fervor a ajuda de Deus, não obstante o meu agnosticismo. Hoje é a noite 529. Hoje será a última noite em que peço o esclarecimento deste enigma. Depois, ah, depois ataco o mistério com a resolução de um Pittbull esfomeado ao atacar a carcaça de uma ovelha.
(29-30/08/2009)
Por isso foi normal quando comecei a reparar no padrão anormal dos números. De súbito o número 529 estava por toda a parte. Com certeza já ouviram falar do famoso fenómeno 11:11. Cada vez que se olha para o relógio ou para o PC ou para a televisão - e são 11:11. Certas. Sempre. 11:11 por toda a parte. Milhões já reportaram este fenómeno. Há toda a sorte de teorias. Comunicação de anjos. A recordação de algo. Mas isso a mim não me importa. Estava a suceder-me pela primeira vez e era com o 529. Olho por acaso para a fachada de um prédio e o número que vejo é este; olho o relógio e são 5:29. Acordo a meio da noite e vou ver as horas: 5:29. Nas notícias há 529 infectados só num dia de gripe A num país qualquer. 529 por todo o lado. Ora mistérios não me agradam. Dão-me cabo do juízo e a primeira coisa que quero fazer é solucioná-los. Solucioná-los para que deixe de pensar neles obsessivamente. Quando já qualquer explicação racional tinha sido posta de parte por mim, desisti e pedi a ajuda de uma amiga ligada a esoterismos e metafísicas.
“Submete-te”, disse-me ela. “Ao quê?”, perguntei. Ela encolheu os ombros e disse “Simplesmente submete-te”. A Deus, ao Universo, a quem quer que seja que esteja a tentar comunicar comigo. “Porque raio não mandam um emílio? Ou me escrevem uma carta? Um sms? Isto parece-me demasiado labiríntico.” Ela riu-se. “Todas as noites quando fores dormir pede ao teu Guia Espiritual que te ilumine e indique o significado desta ocorrência. Vais ver, resulta. Demora é tempo.” “Quanto tempo?” “Não sei. Um mês. Duas semanas. Quatro meses.”
E assim, todas as noites, como a boa rapariguinha que sou, pedi a ajuda de um suposto guia. Ou mestre. Ou Eu Superior. Até requisitei com fervor a ajuda de Deus, não obstante o meu agnosticismo. Hoje é a noite 529. Hoje será a última noite em que peço o esclarecimento deste enigma. Depois, ah, depois ataco o mistério com a resolução de um Pittbull esfomeado ao atacar a carcaça de uma ovelha.
(29-30/08/2009)
Artigos de Escrita
Já que há imenso tempo não falo sobre este tema.
Aqui ficam alguns artigos, em inglês, pois claro.
http://www.beverlybrandt.com/spreadsheet.htm Abaixo, um trecho que me pareceu relevante.
Aqui ficam alguns artigos, em inglês, pois claro.
What if?
What if you balanced on the edge of your dream, unable to see the rail, but went for it anyway? What if you failed the first four (hundred) times you tried but you still ran back to the start and tried again? What if you ignored every excuse, every reason to quit, and refused to back down?
What if?
Commitment is what marks us as writers. Writing requires time, effort, focus and a great deal of faith. We're like explorers crawling into a cave with nothing but the wavering beam of a flashlight to light our way. Without faith, we might turn back. Without persistence, we might give up. Which is exactly why writers need to commit: to writing that sentence, to filling up the page, to finishing the chapter, to wrapping up the book.
And of course, that's just the beginning! Re-read and revise. Cut some scenes, flesh out others. Yet… the joy of it. Ah, the tingling rush of pleasure as the eye follows the plot. This is magic of the best sort.
Did you know that scans have shown that our brains respond to imagined circumstances just as if they were real? When we write stories, and others read them, well… We are creating worlds here, my friends. This is True Magic.
http://www.beverlybrandt.com/spreadsheet.htm Abaixo, um trecho que me pareceu relevante.
PLOTTING--THE TWELVE-STEP METHOD
1. Ordinary world-set up what life is like before the story begins; give reader only what she needs to know (what's going to change)
2. Inciting incident-get one of the major plot lines moving
3. External conflict begins to rise-life is thrown off course, raise the stakes
4. Intensify conflict-troubles accrue because of the protagonist's actions in response to the antagonist. The protagonist appears to be making the right choices, but it just causes more problems for the antagonist, who then has to act in response, forcing #5.
5. Protagonist engages-have to give her a reason to do something (motivation)
6. Antagonist bites back-this forces the protagonist to take action, the antagonist is ACTIVELY working against the protagonist
7. Reversal (optional)-everything a character believed before changes 180 degrees
8. Point of no return-event, action or decision where the protagonist commits 100%, life as the protagonist knew it is over and things will never be the same.
9. Crisis-the worst that can happen does; bring in the internal conflict to make it the worst thing that could happen to your character. This is where it seems the protagonist is going to be conquered either emotionally or physically. S/he begins to think "maybe I am beaten"
10. Dark moment-emotional reaction to the crisis; giving up shouldn't seem like the coward's way out but a rational choice, but of course s/he won't do that
11. Climax-what happens after the h/h make their decision based on the dark moment (as much as you can, make crisis & climax happen in a BIG way -- make it public and not just in their minds. The dark moment is internal, the crisis and climax shouldn't be.) The protagonist appeared to be beaten, but continues on against all odds. The protagonist should come into direct, physical contact with the antagonist in this scene to make it more satisfying to the reader. The protagonist could not have won out against the antagonist when the story began, but what s/he's learned along the way gives her the tools to win out.
12. Resolution-show world restored to order. Should be triumphant; resolves interactive conflict between h/h and shows internal conflict has truly been resolved for all time; show the change your story has wrought in both the setting and in the protagonist. Shouldn't just be "I love you", "I love you, too."
sábado, agosto 29, 2009
MÁGICO/ VALETE DE PENTACLOS
[A Viagem do Locuo e do Mágico: cont.]
O Mágico não tinha um tostão furado. Não o incomoda, mas a sua barriga discorda da asserção. Decide parar na vila mais próxima, um vilareco de uma dezena de casas, cheia de gente pobre, mais pobre de horizontes e princípios do que a nível material e isso é dizer muito porque parecia terem menos do que pó para comer. Na tasca da vila há tremoços e cerveja. O Mago ergue o sobrolho, obviamente não habituado à magreza do manjar, há tanto que não tinha de se virar só para ter uma míngua tijela rasa de sopa. E isto nem sopa era. Mas lembrava-se dos tempos antigos, do que fazia, saído da infância, e mesmo enquanto criança de oito, nove anos, depois de se ter perdido dos pais ao seguir por curiosidade os saltimbancos - e nunca mais os haver encontrado. Uma criança com um intelecto quase sobrenatural e uma capacidade de se virar no mundo muito além daquela que tinham os adultos mais batidos nos caminhos agrestes da vida. Tinha o dom incomum para a sobrevivência. Era um homem alegre se bem que com os anos essa alegria se fosse alojando mais e mais no interior de si, como uma candeia eternamente acesa no centro da sua alma. Quando era jovem e adolescente ria e saltava por todo o lado, alegre no meio dos desafios porque era aí que se sentia mais vivo. Apesar de à superfície se parecer bastante com o Louco, nunca ninguém nos tempos de juventude se lembrou de o chamar de Tolo. A sua inteligência viva e inquisitiva saltava à vista.
Montou a banquinha no centro da vila, tirou a vara mágica do interior do manto e dispôs três copinhos em cima da banca. Alguns curiosos aproximaram-se e um entre eles, mais temerário, aceitou o desafio.
- Onde está o feijão mágico? Quem o encontrar fica com ele.
Após várias tentativas ninguém acertava, mas o Mago já tinha algumas moedas gastas de cobre que podia usar para matar a fome. Quando tinha o suficiente parou e arrumou a banca. Mas antes deixou que um velhote sem um tusto (permitiu que jogasse três vezes gratuitamente) “descobrisse” o feijão mágico. O Mago afastou-se enquanto o velho correu tropegamente com o seu prémio para muito longe. Quando achou que ninguém o via, plantou-o num monte de lixo. Daí a uns dias teria uma surpresa chocante. Mas deixemo-lo, a ele e ao seu prémio, o primeiro que recebera em toda a sua vida maltrapilha e desesperada.
Na tasca os tremoços souberam-lhe divinamente e a cerveja morna era como hidromel dos deuses. Há tanto tempo que não caminhava assim pela estrada, com absoluta confiança em Deus e nos seus talentos. Era como se vivesse de novo a juventude. A um canto afastado viu um valete, ricamente vestido com algum ouro debruado na roupa. Falava pelos cotovelos ao telemóvel. Falava e falava. Ideias de negócios, tinha-as aos milhares. E partilhava-as alegremente. Era muito jovem, parecia ter quinze anos. Parecia que tinha o telemóvel colado ao ouvido. Falava com patronos e mecenas, na esperança de que um deles financiasse uma das suas ideias que os tornaria a todos multimilionários. O Mago estava impassível à sua mesa, renovando os pires de tremoços e as cervejas mornas que lhe sabiam a ouro líquido, muito atento à conversa do jovem desenvolto. Tinha dinheiro suficiente. O seu lado matreiro veio ao de cima quando decidiu pedir para se sentar à mesa do Valente de Pentaclos e oferecer-lhe uma cerveja. Ofereceu-lhe várias, na verdade. As suficientes para o embriagar e soltar-lhe a língua. Intuíra que aquele rapaz sabia algo importante.
- Psst... anda cá, vou contar-te um segredo...! - disse baixinho e com modos entaramelados.
- Conta... - disse o Mago a rir-se. - Que segredo tão grande poderá um jovem ter?
- O Maaaaior de Tooodos...! - disse abrindo os braços de par em par e quase se estatelando no chão.
- Ah sim? - disso o Mago e bebeu outro gole de cerveja, não querendo parecer muito interessado.
Por fim o Valete de Pentaclos contou-lhe que tinha um mapa que mostrava o caminho exacto para o tesouro que o seu antigo Senhor tinha escondido dos bárbaros das tribos do Norte, aquando das invasões quatro anos antes. Levara muitos criados e matara-os a todos, menos a ele que teve a previdência de fugir e esconder-se. Lembrou-se de pôr em papel o “caminho para o tesouro”. Pouco depois o Rei de Pentaclos foi morto por um opositor e mais ninguém a não ser ele sabia onde o tesouro se encontrava.
O Mago riu muito alto. Pagou as cervejas generosamente e ainda um quarto para ambos passarem a noite. Depois pegou no rapazola, pô-lo ao ombro como uma saca de batatas e subiu as escadas até ao sótão abafado e ao colchão de palha. Despiu o jovem e olhou o corpo nu muito tempo. Era bonito. Acariciou-lhe os ombros e os braços, a seguir as faces rosadas e o cabelo loiro claro. Deu-lhe um beijo casto nos lábios e com pesar decidiu que não havia tempo para prazeres hoje. Localizou o telemóvel e abriu-o. No interior estava o mapa do tesouro, já gasto. Remontou o telemóvel com perícia e partiu, não sem antes olhar com pena para o corpo apetitoso do rapaz.
Procurava o Louco, ele próprio dono de algo valioso sem o saber, mas aquele desvio divertido valeria a pena, não pela fortuna, desprezível quando se tinha outra, a da sabedoria, mas pelo mistério, pela expectativa, pela aventura! Ah, era como se fosse criança uma segunda vez. E que bem isso sabia, todo esse ar fresco a bater-lhe na cara era como ouro, como ouro do mais puro.
7 de Agosto/09
4 DE COPAS/ MÁGICO
[A viagem do Louco e do Mágico: cont.]
Depois de passar o desfiladeiro, o Mágico chegou a um prado. O corpo pede descanso, ao menos por umas horas. É dia, ainda não pode ver as estrelas e guiar-se por elas. Ouve o corpo e senta-se à beira do carvalho, encosta a cabeça ao tronco e rapidamente adormece. O sonho vem logo a seguir. Nele vê quatro cálices frente a si e olha-os apático. Ele tem sede, mas cada um dos cálices tem um líquido diferente. Qual deles terá água? E qual terá o veneno? A escolha certa impõe-se. O Mago, dentro do sonho, senta-se em pose de lótus e não olha directamente nenhum dos cálices. Um lentamente ergue-se e pavoneia-se frente ao seu nariz como que dizendo: “Toma. Bebe-me”, mas ele permanece impassível. Era como se o copo fosse maléfico e o quisesse deter na viagem, terminá-la abruptamente. Matar o Mago - impedir que reencontrasse o antigo aprendiz e recuperasse a jóia que ele levara (inadvertidamente, era provável - o Louco não mentia, era puro e dizia a verdade - por isso o chamavam de Louco). Ora porque raio quereriam impedi-lo de encontrar-se com o antigo aprendiz? No sonho pode morrer-se, sabe o Mágico, se o veneno for forte o suficiente. Se o vissem de fora pensariam-no apático, sem força para tomar uma decisão (como a jovem das sete copas), mas na verdade pensava, planejava, planeava um curso de acção. Considerava cada detalhe com minuciosidade. De dentro do manto tirou a varinha e com um lento tremular todos os cálices se voltaram e despejaram o líquido no chão. A terra tornou-se cinzenta e morta. Afinal todos continham veneno.
Acordou durante a noite. Prosseguiu caminho, com as estrelas.
(30-31/07/09)
Depois de passar o desfiladeiro, o Mágico chegou a um prado. O corpo pede descanso, ao menos por umas horas. É dia, ainda não pode ver as estrelas e guiar-se por elas. Ouve o corpo e senta-se à beira do carvalho, encosta a cabeça ao tronco e rapidamente adormece. O sonho vem logo a seguir. Nele vê quatro cálices frente a si e olha-os apático. Ele tem sede, mas cada um dos cálices tem um líquido diferente. Qual deles terá água? E qual terá o veneno? A escolha certa impõe-se. O Mago, dentro do sonho, senta-se em pose de lótus e não olha directamente nenhum dos cálices. Um lentamente ergue-se e pavoneia-se frente ao seu nariz como que dizendo: “Toma. Bebe-me”, mas ele permanece impassível. Era como se o copo fosse maléfico e o quisesse deter na viagem, terminá-la abruptamente. Matar o Mago - impedir que reencontrasse o antigo aprendiz e recuperasse a jóia que ele levara (inadvertidamente, era provável - o Louco não mentia, era puro e dizia a verdade - por isso o chamavam de Louco). Ora porque raio quereriam impedi-lo de encontrar-se com o antigo aprendiz? No sonho pode morrer-se, sabe o Mágico, se o veneno for forte o suficiente. Se o vissem de fora pensariam-no apático, sem força para tomar uma decisão (como a jovem das sete copas), mas na verdade pensava, planejava, planeava um curso de acção. Considerava cada detalhe com minuciosidade. De dentro do manto tirou a varinha e com um lento tremular todos os cálices se voltaram e despejaram o líquido no chão. A terra tornou-se cinzenta e morta. Afinal todos continham veneno.
Acordou durante a noite. Prosseguiu caminho, com as estrelas.
(30-31/07/09)
quinta-feira, agosto 27, 2009
Hoje
Hoje - É um dia fabuloso: é véspera de Sexta-feira, que é véspera de Sábado!!!!!!
In other news.
Montes de trabalho hoje, parece que a malta estava à espera que os preços dos combustíveis baixassem para fazerem encomendas. Pois é, agora 'tou a fazer outra coisa e... não atendo!!!!! Por enquanto, isto é. Isto não se pode ter certeza de nada.
/Dunya out
In other news.
Montes de trabalho hoje, parece que a malta estava à espera que os preços dos combustíveis baixassem para fazerem encomendas. Pois é, agora 'tou a fazer outra coisa e... não atendo!!!!! Por enquanto, isto é. Isto não se pode ter certeza de nada.
/Dunya out
quarta-feira, agosto 26, 2009
domingo, agosto 23, 2009
Escrever um milhão de palavras
... num ano.
Um dia quero fazer isto.
Fui ao google e descobri este senhor:
http://yearofamillionwords.blogspot.com/2008/12/2008-year-of-eight-hundred-thousand.html
Decidiu escrever um milhão de palavras durante um ano - mas só conseguiu 800 mil.
Mesmo assim, bolas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! NADA MAU! Aliás - Brilhante!
Já 'tive ali a fazer umas contas, hehe. Precisaria de 10 cadernos A5 para escrever o meu milhão de palavras, lol - isto se escrevesse primeiro à mão e só depois passasse a PC.
Um dia, quem sabe, farei isto... :p
Adenda: http://www.openwriting.com/archives/2006/06/arthur_mee.php
"Arthur Mee, a man who wrote an estimated million words a year for 50 years."
Mãezinha! 0_0
Um dia quero fazer isto.
Fui ao google e descobri este senhor:
http://yearofamillionwords.blogspot.com/2008/12/2008-year-of-eight-hundred-thousand.html
Decidiu escrever um milhão de palavras durante um ano - mas só conseguiu 800 mil.
Mesmo assim, bolas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! NADA MAU! Aliás - Brilhante!
Já 'tive ali a fazer umas contas, hehe. Precisaria de 10 cadernos A5 para escrever o meu milhão de palavras, lol - isto se escrevesse primeiro à mão e só depois passasse a PC.
Um dia, quem sabe, farei isto... :p
Adenda: http://www.openwriting.com/archives/2006/06/arthur_mee.php
"Arthur Mee, a man who wrote an estimated million words a year for 50 years."
Mãezinha! 0_0
quarta-feira, agosto 19, 2009
segunda-feira, agosto 17, 2009
Saturno em trânsito na Casa 11 - II -
Saturn will be moving off an angle (your 10th house of career) and into your solar 11th house. On a straightforward level, Saturn here can affect your relationships with your friends. You may feel cooler toward them or vice versa. You may identify problems that need to be corrected. The same thing applies to groups you belong to. You may feel a need to straighten out problems there. On a larger level, Saturn in the 11th can affect how you relate to society in general. Your networking via social media sites can change, but also some of your deeper convictions and sense of contentment with how your life as a member of society is going. Social issues may affect you more profoundly. [A gripe A...?! lol] This can be good, in the sense of greater engagement with the world at large, and not so good, as you realize that society’s ills affect you personally.
E o Melhor de tudo é que este belíssimo Saturno vai fazer conjunção ao meu Plutão natal na 11 (Olé) e quadratura à sua posição natal, bem como à Lua natal na casa 2. Olé, olé, olé!!!! Ou seja vai activar a minha quadratura em T envolvendo Saturno/Lua/Plutão.
'Tou para ver o que é que vai sair daqui :/
domingo, agosto 16, 2009
Escrever
Je vous present le Journal de Jules Renard (escritor francês):
Concordo em absoluto.
E acrescento que a glória de escrever reside na glória de escrever todos os dias - ainda que anonimamente.
Le talent est une question de quantité. Le talent, ce n'est pas d'écrire une page : c'est d'en écrire 300. Il n'est pas de roman qu'une intelligence ordinaire ne puisse concevoir, pas de phrase si belle qu'elle soit qu'un débutant ne puisse construire. Reste la plume à soulever, l'action de régler son papier, de patiemment l'emplir. Les forts n'hésitent pas. Ils s'attablent, ils sueront. Ils iront au bout. Ils épuiseront l'encre, ils useront le papier. Cela seul les différencie, les hommes de talent, des lâches qui ne commenceront jamais. En littérature, il n'y a que des boeufs. Les génies sont les plus gros, ceux qui peinent dix-huit heures par jour d'une manière infatigable. La gloire est un effort constant.
Concordo em absoluto.
E acrescento que a glória de escrever reside na glória de escrever todos os dias - ainda que anonimamente.
sábado, agosto 15, 2009
sexta-feira, agosto 14, 2009
All that is gold does not glitter; not all those that wander are lost. ~ J.R.R. Tolkien
All that is gold does not glitter; not all those that wander are lost. ~ J.R.R. Tolkien, originally uploaded by daisybaxter.
Na minha rua oiço os badalos das ovelhas que regressam, com o pastor.
Concordo em absoluto com este gajo.
Oh, if I had my way...!
In other news: fui à piscina. Que BOM.
'Tava sozinha. Que fixe.
E agora tenho de ir trabalhar.
Job wise: agora 'tou a fazer outra coisa (embora no mesmo local) e por isso já não tenho tempo de escrever (durante o trabalho, I mean :p), no entanto, agora que a comecei, quero terminar a história da Viagem do Mágico e do Louco. Tenho alí uns capítulos para passar e colocar aqui.
/Dunya
Oh, if I had my way...!
In other news: fui à piscina. Que BOM.
'Tava sozinha. Que fixe.
E agora tenho de ir trabalhar.
Job wise: agora 'tou a fazer outra coisa (embora no mesmo local) e por isso já não tenho tempo de escrever (durante o trabalho, I mean :p), no entanto, agora que a comecei, quero terminar a história da Viagem do Mágico e do Louco. Tenho alí uns capítulos para passar e colocar aqui.
/Dunya
segunda-feira, agosto 10, 2009
Escrita
Fiquei com vontade de ter objectivos de escrita igualmente doidos depois de ler isto:
http://navywifeadventures.blogspot.com/2009/05/writing-goals-revisited.html
Eish, um dia hei-de escrever UM MILHÃO DE PALAVRAS NUM ANO!
Só para ver se sou capaz. Mesmo que depois tenha de queimar tudo se se revelar uma completa porcaria, lol.
[Adenda: ai que grande invejinha que eu tenho...! >:| ]
http://navywifeadventures.blogspot.com/2009/05/writing-goals-revisited.html
Eish, um dia hei-de escrever UM MILHÃO DE PALAVRAS NUM ANO!
Só para ver se sou capaz. Mesmo que depois tenha de queimar tudo se se revelar uma completa porcaria, lol.
[Adenda: ai que grande invejinha que eu tenho...! >:| ]
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(11 de Agosto de 2009)
O Louco nas suas andanças encontrou meio enterrado no chão um enorme escudo de ouro falante, que o abordou assim:
- Bom amigo: desenterra-me e leva-me contigo. Mostrar-te-ei grandes tesouros!
Não te fies, disse o cão num breve latido desconfiado.
O Louco respondeu:
- Para que é que eu quero ouro se a natureza sempre me dá aquilo que eu preciso? - e com isto começou a afastar-se.
- Espera! - gritou o Ás de Ouros assustado por vê-lo partir. - Mostro-te mil maravilhas! Mistérios desconhecidos de todos! Só tens que me levar!
O Louco parou e voltou para trás.
- De verdade?
O cão ganiu, destroçado pela sua tolice. Vai levá-lo! Este peso! Vai suar as estopinhas por nada!
- De verdade! - disse o Ás de Ouros sorrindo.
O Louco acabou de o desenterrar e colocou-o com muito esforço sobre as suas costas.
As horas seguintes foram as mais excruciantes da sua vida. A cada passo o peso parecia esmagá-lo, mas o Ás de Ouros continuamente o incitava, dizendo que além do monte estariam as maravilhas de que falava - mas o monte vinha e afinal não era esse, mas outro perto, um pouco mais além. E as maravilhas nunca vinham.
- Pessoas que crescem nas árvores como frutos! - exclamava o Ás de Ouros. - Sereias aladas com rabos de peixe!
Isto fazia com que o Louco andasse mais depressa e com maior vigor, ainda que se derretesse em suor pois o sol ia alto e estavam no pino do Verão. Ao fim da tarde não pararam para beber água, apesar dos latidos desesperados do cão branco (que só a ia alcançar com a ajuda do Louco, tão fraco de forças se encontrava).
O Ás de Ouro mal sentiu o Louco abrandar o passo, gritou esganiçado:
- Não! Que fazes! É já ali atrás daquela pedra, a melhor água que vais querer, água que sós os deuses bebem! Quem sabe estão lá agora! Anda, caminha! - ordenou em voz autoritária. O Louco tinha a impressão que a cada passo o escudo se tornava mais pesado e crescia. Mas não, tolices suas. Se alguma vez... era a fome, a sede a pregarem-lhe partidas. Mas, ah, depois daquela árvores, as coisas melhorariam, iriam ter um manjar, um banquete à sua espera. Seguramente. O Louco olhou para trás para transmitir esta ideia ao canito branco, mas não o viu. Recuou uns passos.
- Que fazes?! É em frente - zagarateou o Ás de Ouros.
O cão branco estava muito para trás, sem sentidos e um coiote aproximava-se do seu amigo inconsciente. Sem pensar duas vezes deitou o escudo de ouro ao chão e correu para o fiel amigo. No último instante arrebatou-o das garras do coiote e fugiu com ele. Ao passar pelo Ás de Ouros viu que se transformara num velho pedaço de chumbo com ar demoníaco e cheiro horrível. Gritava-lhe imprecações e exigia que o levasse às costas de novo senão coisas terríveis iam acontecer.
O Louco desviou-se e correu com o cão desmaiado nos braços. Do outro lado do monte havia um lago onde matou a sede. Com algumas gotas de água despertou o cão branco, que também bebeu. Não havia banquete nem deuses, mas o Louco não se importou e adormeceu rapidamente, segurando o canito branco contra o peito.