You're Costa Rica!
You're about as peaceful as anyone on the planet, a real dyed-in-the-wool
pacifist. And why not? No one really poses much of a threat to you and
everything seems to work out, no matter how much violence and insanity rages all around
you. So you relax and appreciate nature and culture while the rest of the world carries
on their petty disagreements. If only everyone could follow your
example...
Take the Country Quiz at the Blue Pyramid
quinta-feira, março 04, 2004
LOL!
domingo, fevereiro 29, 2004
quinta-feira, fevereiro 26, 2004
Tenho de lá ir :)
Mais comércio justo:
- Latitude0.net
- Comércio Justo
- Produtos: Mó da Vida.(Ver também.)
Mais comércio justo:
- Latitude0.net
- Comércio Justo
- Produtos: Mó da Vida.(Ver também.)
A Dream Within a Dream
Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow-
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.
I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand-
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep- while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?
Edgar Allan Poe
Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow-
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.
I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand-
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep- while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?
Edgar Allan Poe
segunda-feira, fevereiro 23, 2004
Quem é 'miguinha, quem é?
[Poema passado no #poesia.]
Tu estás aqui
Estás aqui comigo à sombra do sol
escrevo e oiço certos ruídos domésticos
e a luz chega-me humildemente pela janela
e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano
e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama
que uso para ser também isto este bicho
de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos
quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e sabem
o que sei o
que faço ou então sou eu que julgo que o sabem
e sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras
e sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa sou
outra coisa
esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior
a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço
bem entendido o que faço com este braço
Estás aqui comigo e à volta são as paredes
e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa
e dizer aqui é a sala de estar aqui é o quarto aqui é a casa de banho
e no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer
Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigado
passado nas pernas de sala em sala. Sou só estas salas estas paredes
esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa
essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol
Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso
diante dos dias. Que ninguém conheça este meu nome
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro
nome embora no mesmo nome este nome
de terra de dor de paredes este nome doméstico
Afinal fui isto nada mais do que isto
as outras coisas que fiz fi-Ias para não ser isto ou dissimular isto
a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome
que não merda
e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das
outras coisas
Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto
pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa
uma coisa para além disto que não isto
Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo
é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos
mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos
tu és em cada gesto todos os teus gestos
e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como
a palavra paz
Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
perdoa pagares tão alto preço por estar aqui
perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui
prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente
deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias
e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer
sou isto é certo mas sei que tu estás aqui
Ruy Belo
Toda a Terra
[Poema passado no #poesia.]
Tu estás aqui
Estás aqui comigo à sombra do sol
escrevo e oiço certos ruídos domésticos
e a luz chega-me humildemente pela janela
e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano
e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama
que uso para ser também isto este bicho
de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos
quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e sabem
o que sei o
que faço ou então sou eu que julgo que o sabem
e sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras
e sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa sou
outra coisa
esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior
a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço
bem entendido o que faço com este braço
Estás aqui comigo e à volta são as paredes
e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa
e dizer aqui é a sala de estar aqui é o quarto aqui é a casa de banho
e no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer
Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigado
passado nas pernas de sala em sala. Sou só estas salas estas paredes
esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa
essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol
Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso
diante dos dias. Que ninguém conheça este meu nome
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro
nome embora no mesmo nome este nome
de terra de dor de paredes este nome doméstico
Afinal fui isto nada mais do que isto
as outras coisas que fiz fi-Ias para não ser isto ou dissimular isto
a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome
que não merda
e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das
outras coisas
Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto
pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa
uma coisa para além disto que não isto
Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo
é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos
mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos
tu és em cada gesto todos os teus gestos
e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como
a palavra paz
Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
perdoa pagares tão alto preço por estar aqui
perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui
prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente
deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias
e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer
sou isto é certo mas sei que tu estás aqui
Ruy Belo
Toda a Terra
sexta-feira, fevereiro 20, 2004
Confesso: a inspiração para o blog anda nula.
Solução: fanar poemas de outros blogs.
Este é tão lindo, porra. Leiam em voz alta, devagar. Leiam para vós; leiam, em sussurros, ao ouvido do/a vosso/a amante.
Um Sonho num Sonho
Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.
Fico em meio ao clamor, que se alteia
de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura
com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?
Edgar Allan Poe
::::::::
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho
Eish! Belo.
Solução: fanar poemas de outros blogs.
Este é tão lindo, porra. Leiam em voz alta, devagar. Leiam para vós; leiam, em sussurros, ao ouvido do/a vosso/a amante.
Um Sonho num Sonho
Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.
Fico em meio ao clamor, que se alteia
de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura
com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?
Edgar Allan Poe
::::::::
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho
Eish! Belo.
quinta-feira, fevereiro 19, 2004
Por ordem de preferência gosto do:
- Bugs Bunny (What’s up, doc?);
- Duffy Duck, o pato psicótico (You’re deçççççpicable! – Perdigotos, muitos perdigotos.);
- Pepe Le Pew (Oooh, she is shy.).
Em pequena odiava (e detesto ainda):
- O Papa-Léguas e o Coyote (irra, qu’era burro todos os dias);
- Tom e Jerry.
Razões: eram desprovidos de legendas. E não falavam. Considerava tais desenhos animados adequados a criancinhas de três anos.
Hoje detesto cartoons dobrados em português. Pela vossa rica saudinha: não me tirem as legendas. Nem as vozes originais. O Bugs, dobrado, só se for em Espanha. Aqui não, please.
[Transformamos os miúdos em idiotas – too soon – ao facilitarmos tudo. Eu, por exemplo, aprendi inglês por causa das legendas. Aos oito anos já entendia algumas coisas. Agora os putos são capazes de o aprenderem devido à influência da internet, ok. E quem não a tem? E os pobres? Ainda há pobres. Ainda há info-excluídos neste belo país à beira-mar plantado.]
Pergunta caída de paraquedas: os desenhos animados têm metafísica?
Qual será a filosofia dos cartoons?
(‘Tou no gozo.)
Pergunta: que tipo de batom usa o Bugs Bunny? E aquelas tranças loiras encantadoras, quem será o cabeleireiro?
[Isto foi escrito durante um documentário sobre o Chuck Jones, daí o carácter errático, perdoem.]
Elmer Fudd (tipo mais irritante): Be wewy wewy wiet, I’m wantig wabbits. Shhhh!
[Risos.]
E os saltos altos, Bugs, onde os compraste? ‘Tavam em saldo? Ficas uma estampa.
[Ai, ai, a infância...]
- Bugs Bunny (What’s up, doc?);
- Duffy Duck, o pato psicótico (You’re deçççççpicable! – Perdigotos, muitos perdigotos.);
- Pepe Le Pew (Oooh, she is shy.).
Em pequena odiava (e detesto ainda):
- O Papa-Léguas e o Coyote (irra, qu’era burro todos os dias);
- Tom e Jerry.
Razões: eram desprovidos de legendas. E não falavam. Considerava tais desenhos animados adequados a criancinhas de três anos.
Hoje detesto cartoons dobrados em português. Pela vossa rica saudinha: não me tirem as legendas. Nem as vozes originais. O Bugs, dobrado, só se for em Espanha. Aqui não, please.
[Transformamos os miúdos em idiotas – too soon – ao facilitarmos tudo. Eu, por exemplo, aprendi inglês por causa das legendas. Aos oito anos já entendia algumas coisas. Agora os putos são capazes de o aprenderem devido à influência da internet, ok. E quem não a tem? E os pobres? Ainda há pobres. Ainda há info-excluídos neste belo país à beira-mar plantado.]
Pergunta caída de paraquedas: os desenhos animados têm metafísica?
Qual será a filosofia dos cartoons?
(‘Tou no gozo.)
Pergunta: que tipo de batom usa o Bugs Bunny? E aquelas tranças loiras encantadoras, quem será o cabeleireiro?
[Isto foi escrito durante um documentário sobre o Chuck Jones, daí o carácter errático, perdoem.]
Elmer Fudd (tipo mais irritante): Be wewy wewy wiet, I’m wantig wabbits. Shhhh!
[Risos.]
E os saltos altos, Bugs, onde os compraste? ‘Tavam em saldo? Ficas uma estampa.
[Ai, ai, a infância...]
domingo, fevereiro 15, 2004
Como ando sem inspiração nenhuma (inspira, expira; isso, inspira, expira) aqui vos deixo, meus windos sacaninhas, um poema. Não agradeçam, a casa oferece.
E POR VEZES
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
Nunca mas são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes ah por vezes
Num segundo se evolam tantos anos
David Mourão Ferreira
[O gajo sabia/sabe escrever. Olhó sacana do gajo. Qu'inveja do gajo.]
E POR VEZES
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
Nunca mas são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes ah por vezes
Num segundo se evolam tantos anos
David Mourão Ferreira
[O gajo sabia/sabe escrever. Olhó sacana do gajo. Qu'inveja do gajo.]
terça-feira, fevereiro 10, 2004
segunda-feira, fevereiro 09, 2004
sábado, fevereiro 07, 2004
quinta-feira, fevereiro 05, 2004
A Electricidade de Portugal e a sua participada ONI vão, amanhã, proceder a uma demonstração do Powerline, a tecnologia que permite a utilização das linhas eléctricas para telecomunicações.
"(...)A apresentação decorrerá uma escola no Parque das Nações, contando com a presença do ministro da Educação, David Justino e Diogo Vasconcelos, responsável da UMIC.
Em Espanha, as principais eléctricas estão a apostar nesta tecnologia, alternativa à rede fixa de telecomunicações, para lançar ofertas de comunicações."
Espanha sempre à frente :/
Sobre o mesmo assunto ver também este artigo.
Bom, vou estar atenta.
"(...)A apresentação decorrerá uma escola no Parque das Nações, contando com a presença do ministro da Educação, David Justino e Diogo Vasconcelos, responsável da UMIC.
Em Espanha, as principais eléctricas estão a apostar nesta tecnologia, alternativa à rede fixa de telecomunicações, para lançar ofertas de comunicações."
Espanha sempre à frente :/
Sobre o mesmo assunto ver também este artigo.
Bom, vou estar atenta.
segunda-feira, fevereiro 02, 2004
Têm o Mydoom?
Vão aqui: McAfee AVERT Stinger.
Para os felizes possuidores (hahaha) do ME e XP leiam isto antes de fazerem o scan. É importante.
..........
SCHWARZENEGGER NEGA PERDÃO A CONDENADO À MORTE
O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, que tomou a sua primeira decisão sobre a pena capital desde que ocupa o cargo, negou o perdão a um condenado à morte. Kevin Cooper, a quem a sentença será aplicada a 10 de Fevereiro, será a primeira execução daquele estado norte-americano nos últimos anos.
Filho da puta. Filho da puta. Filho da puta. Filhodaputafilhodaputafilhodaputa. Não vou discutir isto com ninguém, não vou dialogar sobre o tema com ninguém. Podem deixar os vossos comentários, mas em relação a este assusto eu vou Morrer com a opinião formada: Não Se Mata. É a única certeza com que sairei desta terra.
........
Se mandaram alguma mensagem para o meu e-mail da aeiou - sorry, mas não consigo ter acesso total à caixa de correio. Por favor, não o usem.
Vão aqui: McAfee AVERT Stinger.
Para os felizes possuidores (hahaha) do ME e XP leiam isto antes de fazerem o scan. É importante.
..........
SCHWARZENEGGER NEGA PERDÃO A CONDENADO À MORTE
O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, que tomou a sua primeira decisão sobre a pena capital desde que ocupa o cargo, negou o perdão a um condenado à morte. Kevin Cooper, a quem a sentença será aplicada a 10 de Fevereiro, será a primeira execução daquele estado norte-americano nos últimos anos.
Filho da puta. Filho da puta. Filho da puta. Filhodaputafilhodaputafilhodaputa. Não vou discutir isto com ninguém, não vou dialogar sobre o tema com ninguém. Podem deixar os vossos comentários, mas em relação a este assusto eu vou Morrer com a opinião formada: Não Se Mata. É a única certeza com que sairei desta terra.
........
Se mandaram alguma mensagem para o meu e-mail da aeiou - sorry, mas não consigo ter acesso total à caixa de correio. Por favor, não o usem.
quinta-feira, janeiro 29, 2004
quarta-feira, janeiro 28, 2004
«Escrevo. Escrevo que escrevo. Mentalmente vejo-me a escrever que escrevo e também posso ver-me a ver que escrevo. Recordo-me já escrevendo e também vendo-me que escrevia. E vejo-me recordando que me vejo a escrever e recordo-me vendo-me a recordar que escrevia e escrevo vendo-me a escrever que recordo ter-me visto a escrever que me via a escrever que recordava ter-me visto a escrever que escrevia e que escrevia que escrevo que escrevia. Também posso imaginar-me escrevendo que já tinha escrito que me imaginaria escrevendo que tinha escrito que me imaginava escrevendo que me vejo a escrever que escrevo.»
Salvador Elizondo, El Grafógrafo
[Citado por Mário Vargas Llosa em A Tia Júlia e o Escrevedor.]
Salvador Elizondo, El Grafógrafo
[Citado por Mário Vargas Llosa em A Tia Júlia e o Escrevedor.]
terça-feira, janeiro 27, 2004
segunda-feira, janeiro 26, 2004
Viver na assumpção da imortalidade. E a auto-ilusão cai por terra quando vemos um tipo de 24 anos subitamente a morrer. Num momento estamos vivos e no outro podemos desaparecer, assim, de repente. Culpar o destino fulminante? Ou culpar a nossa auto-ilusão? Ou não culpar nada nem ninguém e observar apenas?
Observar como compartimentamos a vida e alimentamos a ilusão da perenidade. Ninguém vive para sempre com 10 anos. Ninguém vive para sempre com 40 anos. Ninguém vive para sempre. A certeza única é a morte. Mas até lá adiamo-la com expectativas e resultados e desejos. E. E. E.
Eu não estou aqui para chegar ali.
Eu estou aqui para viver.
Eu estou aqui e pronto. E chega. É isso.
Basicamente a própria vida é um presente.
Os dons e os talentos são prendas. Não são meios para alcançar fins.
Toda a gente sabe isto, mas a sociedade passa décadas a moldar-nos para agirmos em consonância com as ilusões que ela, desconfio para sobreviver, nos impinge.
Para... ser imortal? Ou viver mais do que um mero ser humano.
Os indivíduos não são eternos, as comunidades são... quase.
Cegueira imposta e auto-imposta. Cegueira que se alastra.
Não estamos habituados à morte. A vê-la tão perto. E em gente tão jovem. Não morram à nossa frente, por favor, dissipam-nos a fantasia. Eu sei que vou viver feliz para sempre logo depois de terminar o curso, arranjar um emprego Bom, casar-me, comprar casa, ter filhos, casá-los bem casados, ter uma boa reforma, e vencer o cancro. Aos 70 anos vou ser tão feliz. Imortal.
O amor é eterno enquanto dura.
A vida (terrena, esta) é eterna enquanto dura.
O segundo que passa - enquanto passa - é perpétuo.
Temos acesso a esta imortalidade enquanto não morremos e antes de comermos erva pela raiz - que imagem tão bonita.
Ser me-lhor. Ser pi-or. Ser.
Sou um ser que é.
Isto para mim faz, abstractamente, sentido. Ou tem um sentido de um novelo de lã enrodilhado. Mas possui-o e, cá dentro, mais que compreendê-lo - intuo-o.
Eu não escrevo para. Eu escrevo. Escrevo.
Mas as cegueiras embaraçam-nos a visão original, primária, primitiva, e quem escreve (e agora falo por mim porque só por mim posso falar) sofre por isto ou aquilo ou aqueloutro. Não há fins, porra; não há meios, chiça. Há acções. Estar na acção é tudo. É a imortalidade.
Enquanto amamos somos imortais; enquanto escrevemos somos imortais; enquanto lavamos a loiça somos imortais; ontem a passar a roupa a ferro fui imortal.
Observar como compartimentamos a vida e alimentamos a ilusão da perenidade. Ninguém vive para sempre com 10 anos. Ninguém vive para sempre com 40 anos. Ninguém vive para sempre. A certeza única é a morte. Mas até lá adiamo-la com expectativas e resultados e desejos. E. E. E.
Eu não estou aqui para chegar ali.
Eu estou aqui para viver.
Eu estou aqui e pronto. E chega. É isso.
Basicamente a própria vida é um presente.
Os dons e os talentos são prendas. Não são meios para alcançar fins.
Toda a gente sabe isto, mas a sociedade passa décadas a moldar-nos para agirmos em consonância com as ilusões que ela, desconfio para sobreviver, nos impinge.
Para... ser imortal? Ou viver mais do que um mero ser humano.
Os indivíduos não são eternos, as comunidades são... quase.
Cegueira imposta e auto-imposta. Cegueira que se alastra.
Não estamos habituados à morte. A vê-la tão perto. E em gente tão jovem. Não morram à nossa frente, por favor, dissipam-nos a fantasia. Eu sei que vou viver feliz para sempre logo depois de terminar o curso, arranjar um emprego Bom, casar-me, comprar casa, ter filhos, casá-los bem casados, ter uma boa reforma, e vencer o cancro. Aos 70 anos vou ser tão feliz. Imortal.
O amor é eterno enquanto dura.
A vida (terrena, esta) é eterna enquanto dura.
O segundo que passa - enquanto passa - é perpétuo.
Temos acesso a esta imortalidade enquanto não morremos e antes de comermos erva pela raiz - que imagem tão bonita.
Ser me-lhor. Ser pi-or. Ser.
Sou um ser que é.
Isto para mim faz, abstractamente, sentido. Ou tem um sentido de um novelo de lã enrodilhado. Mas possui-o e, cá dentro, mais que compreendê-lo - intuo-o.
Eu não escrevo para. Eu escrevo. Escrevo.
Mas as cegueiras embaraçam-nos a visão original, primária, primitiva, e quem escreve (e agora falo por mim porque só por mim posso falar) sofre por isto ou aquilo ou aqueloutro. Não há fins, porra; não há meios, chiça. Há acções. Estar na acção é tudo. É a imortalidade.
Enquanto amamos somos imortais; enquanto escrevemos somos imortais; enquanto lavamos a loiça somos imortais; ontem a passar a roupa a ferro fui imortal.
sábado, janeiro 24, 2004
sexta-feira, janeiro 23, 2004
quarta-feira, janeiro 21, 2004
maggie and milly and molly and may
went down to the beach (to play one day)
and maggie discovered a shell that sang
so sweetly she couldn't remember her troubles, and
milly befriended a stranded star
whose rays five languid fingers were;
and molly was chased by a horrible thing
which raced sideways while blowing bubbles: and
may came home with a smooth round stone
as small as a world and as large as alone.
For whatever we lose(like a you or a me)
it's always ourselves we find in the sea
:: e.e. cummings
went down to the beach (to play one day)
and maggie discovered a shell that sang
so sweetly she couldn't remember her troubles, and
milly befriended a stranded star
whose rays five languid fingers were;
and molly was chased by a horrible thing
which raced sideways while blowing bubbles: and
may came home with a smooth round stone
as small as a world and as large as alone.
For whatever we lose(like a you or a me)
it's always ourselves we find in the sea
:: e.e. cummings
terça-feira, janeiro 20, 2004
sábado, janeiro 17, 2004
http://www.transparency.org/
Purpose
To curb corruption by mobilising a global coalition to promote and strengthen international and national Integrity Systems.
What makes TI different?
TI is the only international movement exclusively devoted to curbing corruption.
(Também em português.)
Purpose
To curb corruption by mobilising a global coalition to promote and strengthen international and national Integrity Systems.
What makes TI different?
TI is the only international movement exclusively devoted to curbing corruption.
(Também em português.)
sexta-feira, janeiro 16, 2004
O FdP do meu Editor Interno (o sacaninha sadista que nos lixa o vigor literário e nos estraçalha a auto-estima com comentários cínicos) fez alguma à Musa. Ela anda demasiado calada. Desconfio que albergo uma Musa deprimida. Ou talvez seja dos charros. Mas desde quando charros deprimem Musas? Ainda por cima são biológicos (ela é esclarecida activista ambiental, além de hippie viciada no Bingo, mas divago). É o cabrão do EI. Fez-lhe alguma, de certeza. Vou ter de tomar medidas drásticas e encomendar a "morte natural" ao gajo. O sacana tem é o vício de reencarnar. É para aí o décimo quarto passamento que lhe encomendo. Isto fica-me caro em cartuchos, o que é que pensam. (O tipo que faz o serviço dá a mão de obra e eu forneço o material. A vida 'tá cara e assim saco um desconto.)
Real chaga.
Real chaga.
"(...) É importante dar qualidade ao esforço, em vez de esperar o resultado dele. Tudo o que você precisa fazer é apenas esforçar-se ao máximo, libertando-se de um rótulo ou julgamento, de que você é ou não capaz, de que você é ou não bom. Esqueça isso e faça apenas um esforço enorme." [In Blog do Zendô]
Hummmm... como isto se aplica à escrita.
O meu problema é que nos últimos meses me esqueci disso.
Hummmm... como isto se aplica à escrita.
O meu problema é que nos últimos meses me esqueci disso.
Graças ao Wysiwyg (Obrigada!) consegui puxar a imagem para cima e tapar o anúncio da blogspot. Mas é engraçado: no Explorer tapa tudo por completo, enquanto que no Opera os anúncios do Google continuam a ser visíveis. Por mim tudo bem :)
segunda-feira, janeiro 12, 2004
O Escala Estantes voltou.
E apagou os arquivos, o que para mim é crime de lesa-blog, mas cada um trata o seu weblog como bem entende.
O post mais recente tem a data de 10 de Janeiro de 2004.
E apagou os arquivos, o que para mim é crime de lesa-blog, mas cada um trata o seu weblog como bem entende.
O post mais recente tem a data de 10 de Janeiro de 2004.
domingo, janeiro 11, 2004
Não consigo escrever. Tenho uma personagem que adoro por ser tão malvada, mas a seiva que me impele à escrita estagnou. Porra.
Basta sentar-me e agarrar na caneta e abrir o caderno e ligar o candeeiro? Não, não basta.
Caraças.
Não consigo.
Tenho que escrever outra coisa qualquer para me distrair daquilo que quero, mas que sou incapaz de escrever. Mas essa outra coisa também não me sai.
Carago. Carago não, que é à moda do Porto, porra. E eu 'tou em Lisboa, chiça.
Falhou o mecanismo. Falhou a roda. Falhou algo.
Não é writer's block. É outra coisa qualquer que não tem este nome. Não é preguiça, é outra coisa.
É uma coisa que eu não sei/não quero nomear. Estou-me nas tintas para o nome.
Nem vontade de escrever cartas tenho. E já nem me esforço o que me esforçava dantes em relação ao blog.
Às vezes tenho vontade de deitar a televisão fora e o computador. E amarrar-me à secretária como os monges copistas da antiguidade. Obrigada a escrever assim durante horas e horas. Mas criar é mais difícil do que copiar.
Criar é outra coisa e hoje não me apetece ser deus. Das minhas personagens, pelo menos.
Bolas.
Basta sentar-me e agarrar na caneta e abrir o caderno e ligar o candeeiro? Não, não basta.
Caraças.
Não consigo.
Tenho que escrever outra coisa qualquer para me distrair daquilo que quero, mas que sou incapaz de escrever. Mas essa outra coisa também não me sai.
Carago. Carago não, que é à moda do Porto, porra. E eu 'tou em Lisboa, chiça.
Falhou o mecanismo. Falhou a roda. Falhou algo.
Não é writer's block. É outra coisa qualquer que não tem este nome. Não é preguiça, é outra coisa.
É uma coisa que eu não sei/não quero nomear. Estou-me nas tintas para o nome.
Nem vontade de escrever cartas tenho. E já nem me esforço o que me esforçava dantes em relação ao blog.
Às vezes tenho vontade de deitar a televisão fora e o computador. E amarrar-me à secretária como os monges copistas da antiguidade. Obrigada a escrever assim durante horas e horas. Mas criar é mais difícil do que copiar.
Criar é outra coisa e hoje não me apetece ser deus. Das minhas personagens, pelo menos.
Bolas.
sábado, janeiro 10, 2004
Uma coisa que aprendi com uma criatura sociopata: o ódio não é o contrário do amor; ódio é Não Saber que há outra coisa; ódio não é a escolha entre dois caminhos - amor e ódio - mas a imposição do único caminho conhecido: a maldade. Errata: onde pus ódio ler "mal". A única coisa que os sociopatas sentiram desde sempre foi a maldade, nunca experimentaram o amor, os sentimentos bons, logo, desconhecem-nos, sabem que existem, mas nunca os sentiram. O que me leva a: para conhecer totalmente é preciso sentir. O conhecimento passa pelas emoções. O conhecimento do amor passa pela emoção. Tenho, até certo ponto, pena destas criaturas: aquando da morte vão receber em cheio, senão dobrado ou triplicado, todo o mal que provocaram e semearam. Vão, pela primeira vez, sentir culpa e remorso. Só no momento da morte, desgraçados.
Saber racionalmente não é saber/conhecer; saber emocionalmente sim.
(Os sociopatas sabem que há outra via, mas não a conhecem porque nunca a sentiram.)
Saber racionalmente não é saber/conhecer; saber emocionalmente sim.
(Os sociopatas sabem que há outra via, mas não a conhecem porque nunca a sentiram.)
segunda-feira, janeiro 05, 2004
Psicopatia: uma epidemia.
(Em inglês.)
Esta malta é muito destrutiva porque encerra em si o Mal perfeito onde nenhum verdadeiro bom sentimento humano reluz. Leiam para não apanharem desprevenidos uma besta destas pela frente. Elas existem, acreditem.
«We can feel fear, sympathy, empathy, sadness, and so on because we can IMAGINE in an abstract way, the future based on our own experiences in the past, or even just "concepts of experiences" in myriad variations. We can "predict" how others will react because we are able to "see ourselves" in them even though they are "out there" and the situation is somewhat different externally, though similar in dynamic. In other words, we can not only identify with others spatially - so to say - but also temporally - in time.
The psychopath does not seem to have this capacity. They are unable to "imagine" in the sense of being able to really connect to images in a direct "self connecting to another self" sort of way.
(...) they "feel" need/want as love, and not having their needs/wants met is described as "not being loved" by them.
(...) this "need/want" perspective posits that only the "hunger" of the psychopath is valid, and anything and everything "out there," outside of the psychopath, is not real except insofar as it has the capability of being assimilated to the psychopath as a sort of "food." Can it be used or can it provide something is the only issue about which the psychopath seems to be concerned. All else - all activity - is subsumed to this drive.
In short, the psychopath - and the narcissist - is a predator. »
(Mais sobre o mesmo assunto, em inglês, aqui: The Penny Drops!)
(Em inglês.)
Esta malta é muito destrutiva porque encerra em si o Mal perfeito onde nenhum verdadeiro bom sentimento humano reluz. Leiam para não apanharem desprevenidos uma besta destas pela frente. Elas existem, acreditem.
«We can feel fear, sympathy, empathy, sadness, and so on because we can IMAGINE in an abstract way, the future based on our own experiences in the past, or even just "concepts of experiences" in myriad variations. We can "predict" how others will react because we are able to "see ourselves" in them even though they are "out there" and the situation is somewhat different externally, though similar in dynamic. In other words, we can not only identify with others spatially - so to say - but also temporally - in time.
The psychopath does not seem to have this capacity. They are unable to "imagine" in the sense of being able to really connect to images in a direct "self connecting to another self" sort of way.
(...) they "feel" need/want as love, and not having their needs/wants met is described as "not being loved" by them.
(...) this "need/want" perspective posits that only the "hunger" of the psychopath is valid, and anything and everything "out there," outside of the psychopath, is not real except insofar as it has the capability of being assimilated to the psychopath as a sort of "food." Can it be used or can it provide something is the only issue about which the psychopath seems to be concerned. All else - all activity - is subsumed to this drive.
In short, the psychopath - and the narcissist - is a predator. »
(Mais sobre o mesmo assunto, em inglês, aqui: The Penny Drops!)
domingo, janeiro 04, 2004
segunda-feira, dezembro 22, 2003
Qual a pergunta que desejamos lhes fazer ?
"VOCÊS QUEREM QUE APAREÇAMOS ?"
A minha resposta é: SIM.
[Edit: mudou para N Ã o, P O R R A! E vão raptar a avózinha, pázinhos!]
O que acham, meu amigos? Qual é a vossa resposta?
(P.S.: Vá lá. Faz de conta que isto é verdade. Faz de conta que isto é Mesmo verdade. Porque pode ser mesmo verdade. Por isso respondam. Se for mesmo verdade talvez eles oiçam.)
[Back to HIATUS.]
[Update: vejam este artigo sobre o mesmo assunto (em inglês): Cosmic Spam]
"VOCÊS QUEREM QUE APAREÇAMOS ?"
A minha resposta é: SIM.
[Edit: mudou para N Ã o, P O R R A! E vão raptar a avózinha, pázinhos!]
O que acham, meu amigos? Qual é a vossa resposta?
(P.S.: Vá lá. Faz de conta que isto é verdade. Faz de conta que isto é Mesmo verdade. Porque pode ser mesmo verdade. Por isso respondam. Se for mesmo verdade talvez eles oiçam.)
[Back to HIATUS.]
[Update: vejam este artigo sobre o mesmo assunto (em inglês): Cosmic Spam]
quarta-feira, dezembro 17, 2003
Caríssimo viajante do tempo: que tal marcarmos novo encontro?
Pode ser aqui em casa ou no café. Quando? Humm, dia 20, que tal?
A que horas? Escolhe tu.
Gostava imenso que fosses um descendente directo da minha família. Traz bolinhos. E os números do totoloto (joking).
Apareces, a malta conversa e tal. Era giro.
'Tá o encontro marcado?
Pode ser aqui em casa ou no café. Quando? Humm, dia 20, que tal?
A que horas? Escolhe tu.
Gostava imenso que fosses um descendente directo da minha família. Traz bolinhos. E os números do totoloto (joking).
Apareces, a malta conversa e tal. Era giro.
'Tá o encontro marcado?
segunda-feira, dezembro 15, 2003
Em relação às propinas: que tal processar o Estado Português por violação do Artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos?
Artigo 26:
1º Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos, em plena igualdade, em função do seu mérito.
(...)
E onde falha a igualdade?, perguntam. Ora, nas propinas. Os pobres, esses sacanas, não têm bago para as pagarem. É descriminação económica. E quanto às bolsas... pois. Então não é. É mesmo. É a velha história do burro: quem não te conheça, que te compre.
É só uma ideia.
Artigo 26:
1º Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos, em plena igualdade, em função do seu mérito.
(...)
E onde falha a igualdade?, perguntam. Ora, nas propinas. Os pobres, esses sacanas, não têm bago para as pagarem. É descriminação económica. E quanto às bolsas... pois. Então não é. É mesmo. É a velha história do burro: quem não te conheça, que te compre.
É só uma ideia.
Pena de morte: mais outro apedeite.
Não me calo com isto, não é?
Quem defende a pena de morte não compreende que a defende também para si e para os seus? Não está a defendê-la única ou primeiramente para os outros, mas para si e para o cônjuge e os filhos e os pais e os amigos e os irmãos. Se a pena de morte é para ti aceitável, então estás a dizer-me que em caso de tu seres condenado, a aceitas também. E em caso dos teus filhos serem condenados, a aceitas também. E em caso dos teus pais serem condenados, a aceitas também.
Não duvido que exista malta por aí que responda sim sem hesitação.
O que me espanta formidavelmente.
Há gente que aceita que outros têm direito de tirar a sua vida. Há gente que aceita que outros, validados, têm direito de tirar a vida da sua mulher ou esposo e dos seus filhos. Há gente que aceita que o Estado tem o direito (ou deveria ter o direito) de executar os seus pais. Com eles a assistir, aposto.
Há gente que aceita que a sua própria vida vale tão pouco. Vale nada. Que a vida dos seus filhos vale tão pouco – vale nada; que a vida dos seus familiares vale nada.
Se dão tão escasso valor à vida de quem (alegadamente) amam – que tipo de valor darão à vida humana de estranhos?
Lobos. Somos lobos.
A relembrar:
Declaração Universal dos Direitos Humanos
Artigo 3:
Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Não me calo com isto, não é?
Quem defende a pena de morte não compreende que a defende também para si e para os seus? Não está a defendê-la única ou primeiramente para os outros, mas para si e para o cônjuge e os filhos e os pais e os amigos e os irmãos. Se a pena de morte é para ti aceitável, então estás a dizer-me que em caso de tu seres condenado, a aceitas também. E em caso dos teus filhos serem condenados, a aceitas também. E em caso dos teus pais serem condenados, a aceitas também.
Não duvido que exista malta por aí que responda sim sem hesitação.
O que me espanta formidavelmente.
Há gente que aceita que outros têm direito de tirar a sua vida. Há gente que aceita que outros, validados, têm direito de tirar a vida da sua mulher ou esposo e dos seus filhos. Há gente que aceita que o Estado tem o direito (ou deveria ter o direito) de executar os seus pais. Com eles a assistir, aposto.
Há gente que aceita que a sua própria vida vale tão pouco. Vale nada. Que a vida dos seus filhos vale tão pouco – vale nada; que a vida dos seus familiares vale nada.
Se dão tão escasso valor à vida de quem (alegadamente) amam – que tipo de valor darão à vida humana de estranhos?
Lobos. Somos lobos.
A relembrar:
Declaração Universal dos Direitos Humanos
Artigo 3:
Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
domingo, dezembro 14, 2003
quarta-feira, dezembro 10, 2003
domingo, dezembro 07, 2003
(Perfeito retrato de Portugal.)
POEMA TEMPERAMENTAL
Ó caralho! Ó caralho!
Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó caralho! Ó caralho!
Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.
Ó caralho! Ó caralho!
Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?
Ó caralho! Ó caralho!
Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó caralho! Ó caralho!
Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.
Ó caralho! Ó caralho!
Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.
Ó caralho! Ó caralho!
O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Concerteza.
Ó caralho! Ó caralho!
Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.
Ó caralho! Ó caralho!
Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.
Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó caralho! Ó caralho!
Ó caralho!
Joaquim Pessoa
POEMA TEMPERAMENTAL
Ó caralho! Ó caralho!
Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó caralho! Ó caralho!
Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.
Ó caralho! Ó caralho!
Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?
Ó caralho! Ó caralho!
Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó caralho! Ó caralho!
Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.
Ó caralho! Ó caralho!
Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.
Ó caralho! Ó caralho!
O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Concerteza.
Ó caralho! Ó caralho!
Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.
Ó caralho! Ó caralho!
Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.
Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó caralho! Ó caralho!
Ó caralho!
Joaquim Pessoa
Tenho uma vontade enorme de escrever.
Mas sobre o quê?
É como ter vontade de resolver problemas matemáticos e não haver enigmas à mão.
Não sei se me explico.
Escrever sobre, sobre, sobre!
O Estado da Nação. O estado dos políticos!
(PQP)
Sendo mais explícita: PQ'OsP.
Cada vez que leio o correio da manhã apetece-me emigrar para Marte.
Ou Espanha, que é mais perto.
Aborto é crime. Atão não.
Se o meu útero é teu, sacana de legislador, quer dizer que a tua próstata é minha?
Quer dizer que os teus tintins são meus?
Porra, há Igualdade ou não?! Ou há justiça ou comem todos.
Mulher: a puta, a santa, a que leva menos money para casa por ser mulher.
Mulher, a que merece menos, a que vale menos. A que faz tudo no lar. Trabalha, educa/limpa/trata os filhos, limpa a casa.
E o homem vai para o café desanuviar. Com os amigos. Com os camaradas, colegas, gajos.
Filho da puta do árbitro, o Mantorras/Pinto/Figo/PQP é que é, aquilo é que é jogar.
Às vezes tenho nojo de ser portuguesa. Onde é que anda a justiça social, económica? Fugiu para um paraíso fiscal? Uma offshore (ou lá como se escreve). Não percebo os cabrões dos políticos. Eles não compreendem, não interiorizaram ainda que, façam o que fizerem, são Sempre vistos pela populaça como Filhos da Puta? Ainda não perceberam isto? Porque raio não fazem então o certo, o correcto, o Ético? Porquê? Há países em que fazer o correcto é, tipo, uma obsessão nacional.
Aqui é passar a perna ao próximo e não ser caçado...
Opinião pessoal: devíamos ter continuado espanhóis. Ai devíamos. Olhem para eles e olhem para nós.
Olhem Para Eles E Olhem Para... nós.
What. Ever.
/Lola out
Mas sobre o quê?
É como ter vontade de resolver problemas matemáticos e não haver enigmas à mão.
Não sei se me explico.
Escrever sobre, sobre, sobre!
O Estado da Nação. O estado dos políticos!
(PQP)
Sendo mais explícita: PQ'OsP.
Cada vez que leio o correio da manhã apetece-me emigrar para Marte.
Ou Espanha, que é mais perto.
Aborto é crime. Atão não.
Se o meu útero é teu, sacana de legislador, quer dizer que a tua próstata é minha?
Quer dizer que os teus tintins são meus?
Porra, há Igualdade ou não?! Ou há justiça ou comem todos.
Mulher: a puta, a santa, a que leva menos money para casa por ser mulher.
Mulher, a que merece menos, a que vale menos. A que faz tudo no lar. Trabalha, educa/limpa/trata os filhos, limpa a casa.
E o homem vai para o café desanuviar. Com os amigos. Com os camaradas, colegas, gajos.
Filho da puta do árbitro, o Mantorras/Pinto/Figo/PQP é que é, aquilo é que é jogar.
Às vezes tenho nojo de ser portuguesa. Onde é que anda a justiça social, económica? Fugiu para um paraíso fiscal? Uma offshore (ou lá como se escreve). Não percebo os cabrões dos políticos. Eles não compreendem, não interiorizaram ainda que, façam o que fizerem, são Sempre vistos pela populaça como Filhos da Puta? Ainda não perceberam isto? Porque raio não fazem então o certo, o correcto, o Ético? Porquê? Há países em que fazer o correcto é, tipo, uma obsessão nacional.
Aqui é passar a perna ao próximo e não ser caçado...
Opinião pessoal: devíamos ter continuado espanhóis. Ai devíamos. Olhem para eles e olhem para nós.
Olhem Para Eles E Olhem Para... nós.
What. Ever.
/Lola out
quarta-feira, dezembro 03, 2003
Luiz Francisco Rebello accionou um processo judicial contra a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), exigindo uma indemnização correspondente ao vencimento de seis meses de trabalho. Rebello, que esteve durante 30 anos à frente da SPA, alega incumprimento do contrato que tinha com a instituição.
Mais c'est toujours la même merde?
E ninguém vai dentro, é que é o máximo!!!!!!
Portugal, Portugal, Portugal, quero ser ESPANHOLA.
/Lola out
Mais c'est toujours la même merde?
E ninguém vai dentro, é que é o máximo!!!!!!
Portugal, Portugal, Portugal, quero ser ESPANHOLA.
/Lola out
sábado, novembro 29, 2003
Meu caro senhor (digo. Me), não façamos um bicho de sete-cabeças da vida!
Os políticos são uns filhosdaputa (assim mesmo, tudo pegadinho), o que é que importa?
Morres da cura, mais vale ficar com a doença - o que é. Que. Importa?
Somos campeões das Certidões! O que é que importa?
Gostamos tanto de Certificados! E depois?
(Song while I write: into my armas, Deine Lakaien.)
Meu caro senhor, não faça da vida uma série de obstáculos a ultrapassar.
Admire as Certidões!
E os Certificados!
Chame filhosdaputa aos políticos com um brilhozinho de admiração nos olhos!
Eles gostam. Faça-lhes festinhas mas de longe, hã, de longe... As hienas riem, riem, mas arrancam-te os dedos num piscar de olhos.
Admiremos a vida, meu caro senhor, admiremos o dia que passa!
(Song: come back, my dream, into my armas, into my arms.)
Into My Arms.
Into My Arms.
Os políticos são uns filhosdaputa (assim mesmo, tudo pegadinho), o que é que importa?
Morres da cura, mais vale ficar com a doença - o que é. Que. Importa?
Somos campeões das Certidões! O que é que importa?
Gostamos tanto de Certificados! E depois?
(Song while I write: into my armas, Deine Lakaien.)
Meu caro senhor, não faça da vida uma série de obstáculos a ultrapassar.
Admire as Certidões!
E os Certificados!
Chame filhosdaputa aos políticos com um brilhozinho de admiração nos olhos!
Eles gostam. Faça-lhes festinhas mas de longe, hã, de longe... As hienas riem, riem, mas arrancam-te os dedos num piscar de olhos.
Admiremos a vida, meu caro senhor, admiremos o dia que passa!
(Song: come back, my dream, into my armas, into my arms.)
Into My Arms.
Into My Arms.
O gin tónico.
Leiam tudo, mais especificamente a parte sobre a saúde e os hospitais.
E torçam para não ficarem doentes.
Leiam tudo, mais especificamente a parte sobre a saúde e os hospitais.
E torçam para não ficarem doentes.
quarta-feira, novembro 26, 2003
terça-feira, novembro 25, 2003
"O acto sexual é para ter filhos!" - João Morgado.
Resposta da Natália Correia:
Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
1982
Resposta da Natália Correia:
Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
1982
Pena de morte: apdaite.
Vi os testemunhos de duas juradas que decidiram
dar a pena de morte ao John Allen Muhammad, um dos (alegados - palavrinha tão bonita: a-le-ga-dos)
snipers de Washington. Uma, ‘tadita, estava em lágrimas porque por causa da decisão
os filhos nunca mais iam poder ver o pai. E ela sabe o que isso significa porque
ela própria tem filhos.
Pergunto: ah sim? Ai ela sabe? Se soubesse tinha dito Não. Porque este tipo de
saber tem-se no coração. Sinto um nojo por esta malta de Apurada Sensibilidade e
Consciência e Cumpridora e Boa Cidadã. Imagino-me no corpo dos réus, a gritar para
os que acabaram de decretar a minha morte: Filhos da Puta! Assassinos de Merda!
Virei Do Inferno Todas As Noites Para Vos Atormentar O Sono Até Ao Fim
Dos Vossos Dias!
Se aquela cabra loirinha, de lindos olhos azuis, soubesse mesmo o que era tirar o
pai aos filhos não teria decidido pela pena de morte. Penso nestas coisas
e sinto uma raiva a crescer dentro de mim. E imagino: um dia os filhos deste homem
que certamente morrerá (os EUA são tão competentes, não há recurso
que safe os gajos, ao contrário de um país que a gente cá sabe) vão bater-lhe à porta e,
suponho, dizer-lhe algo deste género:
- Olá, eu tenho 15 anos (ou 20 ou 30) e decidi este ano visitar os assassinos do meu
pai. Queira fazer o favor (o obséquio) de chamar os seus filhos. Olá. Olha para a
senhora tua mãe e lembra-te, ao almoço e jantar, que de facto é uma assassina
e me tirou o pai. Podia ter escolhido outro castigo, outra punição, mas a pena
escolhida castigou-me a mim e aos meus filhos que nunca conhecerão o avô.
Castigou todas as pessoas que eu conheci e conhecerei na vida porque, embora
não pareça, há uma parte de mim que falta, parte que o meu pai me teria dado
se não tivesse sido morto por, entre outros, a tua mãe. Sigo na vida com uma fenda, uma falha cá dentro e essa falha afecta outros, percebes, meu lindo? Lembra-te: quando
a tua mãe te afagar, recorda que são os braços de uma assassina que te abraçam
ou as mãos de um carrasco que te limpam as lágrimas. Sim? Obrigado por este
momento. Adeus, vou visitar os restantes jurados.
Era o que eu faria. Quero pensá-lo, pelo menos. Quero pensar que ao fim de anos
e anos e anos de sofrimento convocaria recursos dentro de mim e iria visitar Todos
os que tivessem contribuído para a morte do meu pai (salvo seja): jurados, juízes, acusadores, governadores ou presidentes que não tivessem usado a possibilidade
que tinham de salvar a vida de um ser humano.
Aliás, será que os filhos crescidos, órfãos feitos pelo Estado, não fazem estas visitas?
Será que os jurados, juízes, etc., não têm insónias uma vez por outra a pensar nestas
crianças que talvez um dia lhes venham bater à porta pedir explicações?
Era lindo, não era? Eu acho que sim. Toc-Toc. Quem é? Bom-dia, não me conhece, mas há 20 anos atrás a senhora decidiu matar a minha mãe. Quero informá-la das consequências do seu acto.
Pena de morte. Pensamentos dispersos. Ou: contributos para (parece mais intelectual).
- Ao matar um ser humano para castigá-lo pela morte de outro entra-se em paradoxo. A razão perde a lógica. O justiceiro torna-se assassino.
- Ao matar uma pessoa corta-se qualquer possibilidade da mesma evoluir, perceber os seus erros. Essa pessoa não poderá mais contribuir para os outros.
- Mata-se para castigá-la e, empiricamente, evitar que ela volte a magoar, a causar mal a outros seres humanos. Pergunto: como o faria se já está presa?
- Essa pessoa tem família. Muitas vezes filhos. Não se mata apenas o assassino: mata-se o pai desses filhos, o marido, o amigo. É justo castigar os filhos pelo mal dos pais? O teu pai era tão mau (para os outros, não para ti) que to vou tirar. Não me interessa se precisas dele ou não para te transformares num cidadão pleno (em qualquer área da tua vida, incluindo a emocional).
- Quem o mata julga-se Deus. Não é. Não existe ninguém à face desta miserável/maravilhosa terra que seja superior a outra criatura humana. Ninguém, seja lá a razão que tiver, tem o direito de tirar uma vida humana.
- Quem o fizer irá, acredito, inevitavelmente, encontrar a pessoa que condenou à morte. E terá de enfrentar a vergonha. E, espero, será obrigado a sentir todo o mal que provocou. Nisso consiste o inferno (suponho, presumo, desconfio): experimentar na pele toda a minúscula dor que fizemos sentir aos outros.
- A única coisa que me causa grande orgulho em ser portuguesa é não termos pena de morte. Acho que o restabelecimento da mesma seria o único motivo que me faria publicamente manifestar-me.
- Matar é errado. Honestamente pensava que todos o sabiam.
- Em posição de poder, se me apresentassem mil Hitlers, com contagem de cadáveres proporcional - quero pensar que seguiria os meus princípios. Quero pensar que teria essa coragem. Quero pensar que seria incapaz de me afundar no ódio, na raiva, na vontade vingativa.
- Às vezes tenho a impressão que, a ser possível, aqueles que condenam outros seres humanos à morte, matá-los-iam um milhão de vezes. Over and over again. Tenho a impressão que se pudessem dar essa dor aos condenados - mil vezes matar-te e ressuscitar-te para te matar de novo - não hesitariam.
(Work in progress.)
Vi os testemunhos de duas juradas que decidiram
dar a pena de morte ao John Allen Muhammad, um dos (alegados - palavrinha tão bonita: a-le-ga-dos)
snipers de Washington. Uma, ‘tadita, estava em lágrimas porque por causa da decisão
os filhos nunca mais iam poder ver o pai. E ela sabe o que isso significa porque
ela própria tem filhos.
Pergunto: ah sim? Ai ela sabe? Se soubesse tinha dito Não. Porque este tipo de
saber tem-se no coração. Sinto um nojo por esta malta de Apurada Sensibilidade e
Consciência e Cumpridora e Boa Cidadã. Imagino-me no corpo dos réus, a gritar para
os que acabaram de decretar a minha morte: Filhos da Puta! Assassinos de Merda!
Virei Do Inferno Todas As Noites Para Vos Atormentar O Sono Até Ao Fim
Dos Vossos Dias!
Se aquela cabra loirinha, de lindos olhos azuis, soubesse mesmo o que era tirar o
pai aos filhos não teria decidido pela pena de morte. Penso nestas coisas
e sinto uma raiva a crescer dentro de mim. E imagino: um dia os filhos deste homem
que certamente morrerá (os EUA são tão competentes, não há recurso
que safe os gajos, ao contrário de um país que a gente cá sabe) vão bater-lhe à porta e,
suponho, dizer-lhe algo deste género:
- Olá, eu tenho 15 anos (ou 20 ou 30) e decidi este ano visitar os assassinos do meu
pai. Queira fazer o favor (o obséquio) de chamar os seus filhos. Olá. Olha para a
senhora tua mãe e lembra-te, ao almoço e jantar, que de facto é uma assassina
e me tirou o pai. Podia ter escolhido outro castigo, outra punição, mas a pena
escolhida castigou-me a mim e aos meus filhos que nunca conhecerão o avô.
Castigou todas as pessoas que eu conheci e conhecerei na vida porque, embora
não pareça, há uma parte de mim que falta, parte que o meu pai me teria dado
se não tivesse sido morto por, entre outros, a tua mãe. Sigo na vida com uma fenda, uma falha cá dentro e essa falha afecta outros, percebes, meu lindo? Lembra-te: quando
a tua mãe te afagar, recorda que são os braços de uma assassina que te abraçam
ou as mãos de um carrasco que te limpam as lágrimas. Sim? Obrigado por este
momento. Adeus, vou visitar os restantes jurados.
Era o que eu faria. Quero pensá-lo, pelo menos. Quero pensar que ao fim de anos
e anos e anos de sofrimento convocaria recursos dentro de mim e iria visitar Todos
os que tivessem contribuído para a morte do meu pai (salvo seja): jurados, juízes, acusadores, governadores ou presidentes que não tivessem usado a possibilidade
que tinham de salvar a vida de um ser humano.
Aliás, será que os filhos crescidos, órfãos feitos pelo Estado, não fazem estas visitas?
Será que os jurados, juízes, etc., não têm insónias uma vez por outra a pensar nestas
crianças que talvez um dia lhes venham bater à porta pedir explicações?
Era lindo, não era? Eu acho que sim. Toc-Toc. Quem é? Bom-dia, não me conhece, mas há 20 anos atrás a senhora decidiu matar a minha mãe. Quero informá-la das consequências do seu acto.
Pena de morte. Pensamentos dispersos. Ou: contributos para (parece mais intelectual).
- Ao matar um ser humano para castigá-lo pela morte de outro entra-se em paradoxo. A razão perde a lógica. O justiceiro torna-se assassino.
- Ao matar uma pessoa corta-se qualquer possibilidade da mesma evoluir, perceber os seus erros. Essa pessoa não poderá mais contribuir para os outros.
- Mata-se para castigá-la e, empiricamente, evitar que ela volte a magoar, a causar mal a outros seres humanos. Pergunto: como o faria se já está presa?
- Essa pessoa tem família. Muitas vezes filhos. Não se mata apenas o assassino: mata-se o pai desses filhos, o marido, o amigo. É justo castigar os filhos pelo mal dos pais? O teu pai era tão mau (para os outros, não para ti) que to vou tirar. Não me interessa se precisas dele ou não para te transformares num cidadão pleno (em qualquer área da tua vida, incluindo a emocional).
- Quem o mata julga-se Deus. Não é. Não existe ninguém à face desta miserável/maravilhosa terra que seja superior a outra criatura humana. Ninguém, seja lá a razão que tiver, tem o direito de tirar uma vida humana.
- Quem o fizer irá, acredito, inevitavelmente, encontrar a pessoa que condenou à morte. E terá de enfrentar a vergonha. E, espero, será obrigado a sentir todo o mal que provocou. Nisso consiste o inferno (suponho, presumo, desconfio): experimentar na pele toda a minúscula dor que fizemos sentir aos outros.
- A única coisa que me causa grande orgulho em ser portuguesa é não termos pena de morte. Acho que o restabelecimento da mesma seria o único motivo que me faria publicamente manifestar-me.
- Matar é errado. Honestamente pensava que todos o sabiam.
- Em posição de poder, se me apresentassem mil Hitlers, com contagem de cadáveres proporcional - quero pensar que seguiria os meus princípios. Quero pensar que teria essa coragem. Quero pensar que seria incapaz de me afundar no ódio, na raiva, na vontade vingativa.
- Às vezes tenho a impressão que, a ser possível, aqueles que condenam outros seres humanos à morte, matá-los-iam um milhão de vezes. Over and over again. Tenho a impressão que se pudessem dar essa dor aos condenados - mil vezes matar-te e ressuscitar-te para te matar de novo - não hesitariam.
(Work in progress.)
Acabei de encontrar um nome fabuloso para usar numa personagem:
Phineas!
Tenho sempre problemas com os nomes das personagens. Um invulgar que quase usei foi este: Hirondina.
Phineas!
Tenho sempre problemas com os nomes das personagens. Um invulgar que quase usei foi este: Hirondina.
domingo, novembro 23, 2003
Querem um sistema de comentários decente?
Estejam atentos.
::......::
O teu olhar (não, não é a novela).
Preceitos para uso do pessoal doméstico (porque é que eu não me lembrei deste título?).
Noz (vós, eles ;).
Estejam atentos.
::......::
O teu olhar (não, não é a novela).
Preceitos para uso do pessoal doméstico (porque é que eu não me lembrei deste título?).
Noz (vós, eles ;).
sexta-feira, novembro 21, 2003
Fartei-me de rir com isto! Roubei daqui. (Data: 17 de Outubro)
Mê nome é Maria Anacleta da Assunção. Tênho 79 anos. Moro no monte das Alpoêderas, perto de uma aldeia perto de Pias, aqui no Alêntejo. Vi no sê blogui que estava gozando com a tercêra idade, pois fique sabendo vocemecê que nós ainda semos muito utiles á socidade! Eu cá sempre tive uma vida de miséria na agricultura, toda a vida trabalhando e acartando verduras e ovos e lête pra cima e pra baixo que era uma cansera! Agora com a interneti deixê-me disso proque comecê uma mercêria onelaine e que é assim: agora vendo os mês ovos, mês ovos salvo sêja que sã das pintadinhas, e o mê lête pela interneti, ou seja, o lête da minha vaca. Gosto muito do telêtrabalho e enquanto os meus dedos têclarem cá hê-de continuar ca graça de deus. Também tenho um cólecentere que é assim: a ti Chica do poço mora muito longe e tá sempre pedindo ovos e lête prós moços, pois agora ela telefona e mando lá o meu neto mais novo levar as incomendas. A interneti também dá para a gente se distrair, olhi, já conheci o Manel da póvoa que é muito bom moço e é viúvo sem filhos... e também tenho um blogui que é o Setagenário. Quando chegar aos 80 estou pensando mudar-lhe o nome para Otógenário. Nã posso escrever muito por causa da escorose mas lá se vai teclando... Isto da interneti foi uma grande idêa... Minha mãe tem 97 anos mas inda está muito boa de cabeça e tamém trabalha no telêtrabalho fazendo porogamação de páiginas de interneti, dêtadinha na cama, côtadinha, mas inda dá rendimento prá casa. Por isso o senhor na goze ca tercêra idade que nós semos alfabetos mas inda estemos muito bem de cabeça.
Mê nome é Maria Anacleta da Assunção. Tênho 79 anos. Moro no monte das Alpoêderas, perto de uma aldeia perto de Pias, aqui no Alêntejo. Vi no sê blogui que estava gozando com a tercêra idade, pois fique sabendo vocemecê que nós ainda semos muito utiles á socidade! Eu cá sempre tive uma vida de miséria na agricultura, toda a vida trabalhando e acartando verduras e ovos e lête pra cima e pra baixo que era uma cansera! Agora com a interneti deixê-me disso proque comecê uma mercêria onelaine e que é assim: agora vendo os mês ovos, mês ovos salvo sêja que sã das pintadinhas, e o mê lête pela interneti, ou seja, o lête da minha vaca. Gosto muito do telêtrabalho e enquanto os meus dedos têclarem cá hê-de continuar ca graça de deus. Também tenho um cólecentere que é assim: a ti Chica do poço mora muito longe e tá sempre pedindo ovos e lête prós moços, pois agora ela telefona e mando lá o meu neto mais novo levar as incomendas. A interneti também dá para a gente se distrair, olhi, já conheci o Manel da póvoa que é muito bom moço e é viúvo sem filhos... e também tenho um blogui que é o Setagenário. Quando chegar aos 80 estou pensando mudar-lhe o nome para Otógenário. Nã posso escrever muito por causa da escorose mas lá se vai teclando... Isto da interneti foi uma grande idêa... Minha mãe tem 97 anos mas inda está muito boa de cabeça e tamém trabalha no telêtrabalho fazendo porogamação de páiginas de interneti, dêtadinha na cama, côtadinha, mas inda dá rendimento prá casa. Por isso o senhor na goze ca tercêra idade que nós semos alfabetos mas inda estemos muito bem de cabeça.
quarta-feira, novembro 19, 2003
terça-feira, novembro 18, 2003
Só acabo o nanonovel à paulada.
Está tão, mas tão mau, lol...
Já meteu: fantasmas; uma senhora adormecida no hospital por quem o Rui se apaixona (o irmão sacana da Geninha, a suposta protagonista, mas que desde o início me dá nervos); Piedade, a mãe de Geninha, José e Rui, que escondeu a gravidez de Rui (fruto do adultério), o deu para adopção e mais tarde convenceu o marido a adoptá-lo (e ainda por cima é o filho preferido dele); Orlando, um gigolo que roubou dinheiro a uma colega da Geninha e que lhe custou o emprego (mas hoje eu vou fazê-lo sofrer, hehehehe); Diana, a "amiga" vigarista, que teve um caso com o José, já estava este casado e à espera do primeiro filho. Há mais. Já deito o livro pelos olhos. Só me apetece esganar a protagonista cada vez que pego nela. Não me parece que este livro vá ter o final estabelecido - e eles viveram felizes para sempre. Fim. Logo se vê.
Está tão, mas tão mau, lol...
Já meteu: fantasmas; uma senhora adormecida no hospital por quem o Rui se apaixona (o irmão sacana da Geninha, a suposta protagonista, mas que desde o início me dá nervos); Piedade, a mãe de Geninha, José e Rui, que escondeu a gravidez de Rui (fruto do adultério), o deu para adopção e mais tarde convenceu o marido a adoptá-lo (e ainda por cima é o filho preferido dele); Orlando, um gigolo que roubou dinheiro a uma colega da Geninha e que lhe custou o emprego (mas hoje eu vou fazê-lo sofrer, hehehehe); Diana, a "amiga" vigarista, que teve um caso com o José, já estava este casado e à espera do primeiro filho. Há mais. Já deito o livro pelos olhos. Só me apetece esganar a protagonista cada vez que pego nela. Não me parece que este livro vá ter o final estabelecido - e eles viveram felizes para sempre. Fim. Logo se vê.
Na manhã em que me levantei para
começar este livro tossi. Algo estava a
sair-me da garganta, a estrangular-me.
Rasguei o cordão que o retinha e arran-
quei-o. Voltei para a cama e disse:
Acabo de cuspir o coração.
Existe um instrumento chamado
quena que é feito de ossos humanos.
Tem origem no culto que um índio
dedicou à sua amante. Quando ela
morreu ele fez dos seus ossos uma
flauta. A quena tem um som mais
penetrante, mais persistente do que a
flauta vulgar.
Aqueles que escrevem sabem o pro-
cesso. Pensei nisto enquanto cuspia o
coração.
Só que eu não estou à espera da
morte do meu amor.
Anaïs Nin
A Casa do Incesto
assírio e alvim
1984
Roubei.
começar este livro tossi. Algo estava a
sair-me da garganta, a estrangular-me.
Rasguei o cordão que o retinha e arran-
quei-o. Voltei para a cama e disse:
Acabo de cuspir o coração.
Existe um instrumento chamado
quena que é feito de ossos humanos.
Tem origem no culto que um índio
dedicou à sua amante. Quando ela
morreu ele fez dos seus ossos uma
flauta. A quena tem um som mais
penetrante, mais persistente do que a
flauta vulgar.
Aqueles que escrevem sabem o pro-
cesso. Pensei nisto enquanto cuspia o
coração.
Só que eu não estou à espera da
morte do meu amor.
Anaïs Nin
A Casa do Incesto
assírio e alvim
1984
Roubei.
domingo, novembro 16, 2003
sábado, novembro 15, 2003
Bom, abaixo está um trecho do que ando a escrever durante o nanowrimo. É capaz de ter uns errozitos. Seja como for é para reescrever mais tarde.
- Porra, pá, o que é que te custa?! – vociferou Rui.
- O meu estômago. O meu almoço, o meu jantar. O tipo dá-me náuseas.
- Olha quem fala.
- Estúpido!
- Estúpida!
- CALOU! – gritou Piedade. – Já estou por aqui de vos ouvir, por aqui! Rui: deixa a Geninha em paz, se ela não quer ir é porque não quer, não insistas! Eugénia: não respondas ao teu irmão. Quantas vezes é que eu te disse?! Se ele começa tu não tens de continuar... mania... vocês cansam-me, chiça. Cansam-me os dois. Fazem-me mais velha do que aquilo que eu sou.
Deu um suspiro grande, como um balão a esvaziar-se, e sentou-se. Rui não conseguiu conter a raiva.
- Pois, a senhora toma sempre o lado dela! Sempre do lado dela! É a filha preferida, toda a gente sabe isso.
CHAP. Piedade pregou estalo valente e sonoro na face de Rui que se quedou estupefacto. Era a primeira vez que a mãe lhe batia. Entredentes Piedade disse-lhe, lágrimas de fúria e mágoa ameaçando brotar:
- Nunca mais digas uma barbaridade dessas. Só Deus sabe os sacrifícios que fiz por ti – afastou-se e fechou-se no quarto.
- Vês o que tu fizeste – murmurou Geninha.
- Eu?! – gritou ele. – Sou sempre eu. Vou mas é dar uma volta – agarrou no casaco e saiu, batendo estrondosamente a porta.
Piedade saltou com o barulho. Os ombros estremeceram. As lágrimas rolavam em silêncio face abaixo.
- Mãe?
Nenhuma resposta.
- Mãe, posso entrar?
- Deixa-me. Tu deixa-me. Deixem-me os dois!
“Vou ter de ir à merda da concentração de Ferraris. Cabrão do Rui. Estou deserta para ter casa minha e não ter de lhe aturar as merdas do costume.”
- Porra, pá, o que é que te custa?! – vociferou Rui.
- O meu estômago. O meu almoço, o meu jantar. O tipo dá-me náuseas.
- Olha quem fala.
- Estúpido!
- Estúpida!
- CALOU! – gritou Piedade. – Já estou por aqui de vos ouvir, por aqui! Rui: deixa a Geninha em paz, se ela não quer ir é porque não quer, não insistas! Eugénia: não respondas ao teu irmão. Quantas vezes é que eu te disse?! Se ele começa tu não tens de continuar... mania... vocês cansam-me, chiça. Cansam-me os dois. Fazem-me mais velha do que aquilo que eu sou.
Deu um suspiro grande, como um balão a esvaziar-se, e sentou-se. Rui não conseguiu conter a raiva.
- Pois, a senhora toma sempre o lado dela! Sempre do lado dela! É a filha preferida, toda a gente sabe isso.
CHAP. Piedade pregou estalo valente e sonoro na face de Rui que se quedou estupefacto. Era a primeira vez que a mãe lhe batia. Entredentes Piedade disse-lhe, lágrimas de fúria e mágoa ameaçando brotar:
- Nunca mais digas uma barbaridade dessas. Só Deus sabe os sacrifícios que fiz por ti – afastou-se e fechou-se no quarto.
- Vês o que tu fizeste – murmurou Geninha.
- Eu?! – gritou ele. – Sou sempre eu. Vou mas é dar uma volta – agarrou no casaco e saiu, batendo estrondosamente a porta.
Piedade saltou com o barulho. Os ombros estremeceram. As lágrimas rolavam em silêncio face abaixo.
- Mãe?
Nenhuma resposta.
- Mãe, posso entrar?
- Deixa-me. Tu deixa-me. Deixem-me os dois!
“Vou ter de ir à merda da concentração de Ferraris. Cabrão do Rui. Estou deserta para ter casa minha e não ter de lhe aturar as merdas do costume.”
quinta-feira, novembro 13, 2003
terça-feira, novembro 11, 2003
domingo, novembro 09, 2003
Papagaio morto
(Traduzido – ok, estraçalhado - daqui: http://bau2.uibk.ac.at/sg/python/ Scripts/TheDeadParrotSketch )
[Update: não encontro o link directo. Apenas este.]
Cliente entra em loja de animais.
Cliente: Olá, menina?
Dono: O que quer dizer com “menina”?
C: (pausa) Desculpe, estou constipado. Quero fazer uma queixa!
D: Vamos fechar para o almoço.
C: Isso não interessa, meu rapaz. Quero queixar-me deste papagaio que comprei nem há meia hora nesta mesma boutique!
D: Ah, o Azul Norueguês. Que é que há de errado com o bicho?
C: Eu já lhe digo o que é que há de errado, meu rapaz! Ele ‘tá morto! É o que há de errado com o bicho!
D: Não, não. Não – ele ‘tá a descansar…
C: Ó camarada, eu conheço um papagaio morto quando lhe ponho os olhos em cima, e estou agora a olhar para um
D: Ná, ná, ele não ‘tá morto! ‘Tá a descansar! Lindo passaroco, o Azul Norueguês, hem? Linda plumagem!
C: A plumagem não é práqui chamada! Ele está morto que nem uma pedra!
D: Não-não-não! ‘Tá a descansar!
C: Ok, então se ele está a descansar, eu já o acordo!
(Grita pá gaiola)
Olá, senhor papagaio Polly! Tenho uma deliciosa posta de peixe para ti se mostrares… (o dono bate na gaiola)
D: Viu! Mexeu-se!
C: Mexeu uma porra! Foi você a bater na gaiola!
D: Não bati nada!
C: Bateu sim!
D: (aos gritos e a bater na gaiola sem parar): OLÁ POLLY! Teste, teste, teste! É o teu alarme das nove horas!
(Saca o papagaio da gaiola e martela-lhe a cabeça contra o balcão. Lança-o para o ar e fica parado a vê-lo espatifar-se no chão.
C: Ora a isto é o que eu chamo um papagaio bem morto!
D: Nãããão… ‘tá atordoado.
C: ATORDOADO?!
D: Claro! Vossemecê atordoou-o mal ele acordou! Os Azuis Noruegueses ficam azoados com facilidade.
C: Hum… olhe lá, olhe lá, ó camarada, já me estou a passar com isto. Aquele papagaio está mais do que defunto e quando eu o comprei nem há meia hora atrás o senhor garantiu-me que a sua total ausência de movimentos era devida ao facto de estar cansado e totalmente exausto após um prolongado grito.
D: Hum… ele, errr, provavelmente tem saudades dos fiordes.
C: SAUDADES DOS FIORDES?!?!?! Mas que raio de conversa é essa?! Olhe lá, porque é que ele caiu de costas, duro que nem uma tábua, mal cheguei a casa?
D: O Azul Norueguês prefere manter-se deitado de costas. Pássaro fabuloso, lorde, não acha? Linda plumagem!
C: Olhe, eu tomei a liberdade de examinar aquele papagaio quando cheguei a casa e descobri que estava sentado no poleiro unicamente porque o tinham PREGADO lá.
(pausa.)
D: Bem, claro que estava lá pregado! Se não tivesse pregado aquele pássaro, ele tinha afocinhado até às barras, tinha-as separado com o bico e VUUM! Fiiuiiuiiuii!
C: “VUUM”?!? Ó amigo, este pássaro não ia VUUM nem que o atravessasse com um milhão de volts! Ele está morto, diabo!
D: Não, não. Ele está melancólico!
C: Ele não está melancólico! Ele passou desta para melhor! Este papagaio não é mais! Ele deixou de ser! Ele expirou e foi ter com o criador! É um cadáver! Despojado da vida, descansa em paz! Se não o tivesse pregado ao poleiro ele já estava no jardim das tabuletas! Os seus processos metabólicos passaram à história! Ele vestiu um colete de madeira! Bateu as botas! Libertou-se das vestes mortais, baixou a cortina e juntou-se ao maldito coro invisível!! ESTE É UM EX-PAPAGAIO!
(pausa)
D: Bem, então é melhor substituí-lo.
(dá uma espreitadela rápida por detrás do balcão)
D: Desculpe, senhor, dei uma olhadela nas traseiras da loja e, hum, esgotaram-se-nos os papagaios.
C: Estou a ver. Estou a ver, apanho a ideia.
D: (pausa) Tenho uma lesma.
(pausa)
C: (doce como o mel) E, diga-me, fala?
D: Neeeem por isso.
C: NÃO CHEGA A SER UMA SUBSTITUIÇÃO, POIS NÃO?!?!?!
D: Olhe, se for à loja de animais do meu irmão em Bolton, ele substitui-lhe o papagaio.
C: Bolton, hem? Muito bem.
O cliente sai.
O cliente entra na mesma loja. O dono põe um bigode falso.
C: Isto é Bolton, não é?
D: (com o bigode falso) Não, é Ipswitch.
C: (olhando para a câmara) Topem-me a qualidade do inter-cidades!
O cliente vai para a estação de comboio.
Dirige-se a um homem atrás de uma secretária que diz “Queixas”.
C: Desejo fazer uma queixa, pessoa dos caminhos-de-ferro britânicos.
Funcionário: EU NÃO SOU OBRIGADO A TER ESTE TRABALHO, PERCEBE!
C: Desculpe..?
F: Sou um cirurgião cerebral qualificado! Eu só tenho este emprego porque gosto de ser o meu próprio chefe!
C: Peço desculpa, mas isso é irrelevante, não é?
F: Sim, mas não é fácil encher estes ficheiros python até às 150 linhas, sabe.
C: Desejo fazer uma queixa. Entrei no comboio para Bolton e achei-me depositado aqui em Ipswitch.
F: Não, aqui é Bolton.
C: (para a câmara) O irmão do dono da loja de animais estava a mentir!
F: Não pode culpar os caminhos-de-ferro britânicos por isso.
C: Nesse caso voltarei à loja de animais!
Ele volta.
C: Afinal de contas isto sempre É Bolton.
D: (ainda mantendo o bigode falso) Sim?
C: O senhor disse-me que era Ipswitch!
D:… era um trocadilho.
C: (pausa) UM TROCADILHO?!?
D: Não, não… não é um trocadilho… como é que se chama aquela coisa que dá para ler da mesma maneira de trás para a frente?
C: (Longa pausa) Um políndromo…?
D: Sim! Isso mesmo!
C: Não é um políndromo! O políndromo de “Bolton” seria “Notlob”!! Não resulta!!
D: Bem, que quer?
C: Não estou preparado para continuar a minha linha de inquérito uma vez que penso que isto está a tornar-se demasiado ridículo!
Sargento-Major: Concordo, concordo, muito ridículo, demasiado ridículo… (segura o braço do cliente) Vá lá, agora tem de fazer outro sketch! Vá lá… (sai pela parte esquerda do cenário, seguido pelo realizador e o operador de câmara, deixando o dono sozinho no cenário)
D: (para a audiência) Bom! Eu nem sequer queria fazer isto. Eu queria ser…
UM LENHADOR!
(ele tira a bata branca e revela por debaixo uma camisa axadrezada e suspensórios)
Flutuando ao longo dos poderosos rios da Colômbia Britânica!
Com a minha namorada ao meu lado! Etc…
(Continua em O Lenhador Python)
[Originalmente publicado no Eternos.org]
(Traduzido – ok, estraçalhado - daqui: http://bau2.uibk.ac.at/sg/python/ Scripts/TheDeadParrotSketch )
[Update: não encontro o link directo. Apenas este.]
Cliente entra em loja de animais.
Cliente: Olá, menina?
Dono: O que quer dizer com “menina”?
C: (pausa) Desculpe, estou constipado. Quero fazer uma queixa!
D: Vamos fechar para o almoço.
C: Isso não interessa, meu rapaz. Quero queixar-me deste papagaio que comprei nem há meia hora nesta mesma boutique!
D: Ah, o Azul Norueguês. Que é que há de errado com o bicho?
C: Eu já lhe digo o que é que há de errado, meu rapaz! Ele ‘tá morto! É o que há de errado com o bicho!
D: Não, não. Não – ele ‘tá a descansar…
C: Ó camarada, eu conheço um papagaio morto quando lhe ponho os olhos em cima, e estou agora a olhar para um
D: Ná, ná, ele não ‘tá morto! ‘Tá a descansar! Lindo passaroco, o Azul Norueguês, hem? Linda plumagem!
C: A plumagem não é práqui chamada! Ele está morto que nem uma pedra!
D: Não-não-não! ‘Tá a descansar!
C: Ok, então se ele está a descansar, eu já o acordo!
(Grita pá gaiola)
Olá, senhor papagaio Polly! Tenho uma deliciosa posta de peixe para ti se mostrares… (o dono bate na gaiola)
D: Viu! Mexeu-se!
C: Mexeu uma porra! Foi você a bater na gaiola!
D: Não bati nada!
C: Bateu sim!
D: (aos gritos e a bater na gaiola sem parar): OLÁ POLLY! Teste, teste, teste! É o teu alarme das nove horas!
(Saca o papagaio da gaiola e martela-lhe a cabeça contra o balcão. Lança-o para o ar e fica parado a vê-lo espatifar-se no chão.
C: Ora a isto é o que eu chamo um papagaio bem morto!
D: Nãããão… ‘tá atordoado.
C: ATORDOADO?!
D: Claro! Vossemecê atordoou-o mal ele acordou! Os Azuis Noruegueses ficam azoados com facilidade.
C: Hum… olhe lá, olhe lá, ó camarada, já me estou a passar com isto. Aquele papagaio está mais do que defunto e quando eu o comprei nem há meia hora atrás o senhor garantiu-me que a sua total ausência de movimentos era devida ao facto de estar cansado e totalmente exausto após um prolongado grito.
D: Hum… ele, errr, provavelmente tem saudades dos fiordes.
C: SAUDADES DOS FIORDES?!?!?! Mas que raio de conversa é essa?! Olhe lá, porque é que ele caiu de costas, duro que nem uma tábua, mal cheguei a casa?
D: O Azul Norueguês prefere manter-se deitado de costas. Pássaro fabuloso, lorde, não acha? Linda plumagem!
C: Olhe, eu tomei a liberdade de examinar aquele papagaio quando cheguei a casa e descobri que estava sentado no poleiro unicamente porque o tinham PREGADO lá.
(pausa.)
D: Bem, claro que estava lá pregado! Se não tivesse pregado aquele pássaro, ele tinha afocinhado até às barras, tinha-as separado com o bico e VUUM! Fiiuiiuiiuii!
C: “VUUM”?!? Ó amigo, este pássaro não ia VUUM nem que o atravessasse com um milhão de volts! Ele está morto, diabo!
D: Não, não. Ele está melancólico!
C: Ele não está melancólico! Ele passou desta para melhor! Este papagaio não é mais! Ele deixou de ser! Ele expirou e foi ter com o criador! É um cadáver! Despojado da vida, descansa em paz! Se não o tivesse pregado ao poleiro ele já estava no jardim das tabuletas! Os seus processos metabólicos passaram à história! Ele vestiu um colete de madeira! Bateu as botas! Libertou-se das vestes mortais, baixou a cortina e juntou-se ao maldito coro invisível!! ESTE É UM EX-PAPAGAIO!
(pausa)
D: Bem, então é melhor substituí-lo.
(dá uma espreitadela rápida por detrás do balcão)
D: Desculpe, senhor, dei uma olhadela nas traseiras da loja e, hum, esgotaram-se-nos os papagaios.
C: Estou a ver. Estou a ver, apanho a ideia.
D: (pausa) Tenho uma lesma.
(pausa)
C: (doce como o mel) E, diga-me, fala?
D: Neeeem por isso.
C: NÃO CHEGA A SER UMA SUBSTITUIÇÃO, POIS NÃO?!?!?!
D: Olhe, se for à loja de animais do meu irmão em Bolton, ele substitui-lhe o papagaio.
C: Bolton, hem? Muito bem.
O cliente sai.
O cliente entra na mesma loja. O dono põe um bigode falso.
C: Isto é Bolton, não é?
D: (com o bigode falso) Não, é Ipswitch.
C: (olhando para a câmara) Topem-me a qualidade do inter-cidades!
O cliente vai para a estação de comboio.
Dirige-se a um homem atrás de uma secretária que diz “Queixas”.
C: Desejo fazer uma queixa, pessoa dos caminhos-de-ferro britânicos.
Funcionário: EU NÃO SOU OBRIGADO A TER ESTE TRABALHO, PERCEBE!
C: Desculpe..?
F: Sou um cirurgião cerebral qualificado! Eu só tenho este emprego porque gosto de ser o meu próprio chefe!
C: Peço desculpa, mas isso é irrelevante, não é?
F: Sim, mas não é fácil encher estes ficheiros python até às 150 linhas, sabe.
C: Desejo fazer uma queixa. Entrei no comboio para Bolton e achei-me depositado aqui em Ipswitch.
F: Não, aqui é Bolton.
C: (para a câmara) O irmão do dono da loja de animais estava a mentir!
F: Não pode culpar os caminhos-de-ferro britânicos por isso.
C: Nesse caso voltarei à loja de animais!
Ele volta.
C: Afinal de contas isto sempre É Bolton.
D: (ainda mantendo o bigode falso) Sim?
C: O senhor disse-me que era Ipswitch!
D:… era um trocadilho.
C: (pausa) UM TROCADILHO?!?
D: Não, não… não é um trocadilho… como é que se chama aquela coisa que dá para ler da mesma maneira de trás para a frente?
C: (Longa pausa) Um políndromo…?
D: Sim! Isso mesmo!
C: Não é um políndromo! O políndromo de “Bolton” seria “Notlob”!! Não resulta!!
D: Bem, que quer?
C: Não estou preparado para continuar a minha linha de inquérito uma vez que penso que isto está a tornar-se demasiado ridículo!
Sargento-Major: Concordo, concordo, muito ridículo, demasiado ridículo… (segura o braço do cliente) Vá lá, agora tem de fazer outro sketch! Vá lá… (sai pela parte esquerda do cenário, seguido pelo realizador e o operador de câmara, deixando o dono sozinho no cenário)
D: (para a audiência) Bom! Eu nem sequer queria fazer isto. Eu queria ser…
UM LENHADOR!
(ele tira a bata branca e revela por debaixo uma camisa axadrezada e suspensórios)
Flutuando ao longo dos poderosos rios da Colômbia Britânica!
Com a minha namorada ao meu lado! Etc…
(Continua em O Lenhador Python)
[Originalmente publicado no Eternos.org]
sexta-feira, novembro 07, 2003
Nove mil palavras so far.
Not bad. Mas hoje custou-me, porra. E acho que vou ter de abandonar o plot original. Ou pelo menos a parte em que a Geninha "se passa" e desata a matar os pretendentes. Não funciona. Com ela não. É muito atadinha. Não tem pinta de homicida, o que me lixa magnificamente o andamento da narrativa :[
Estão inscritos 10 portugueses no nanowrimo.
Ora adivinhem lá quantos espanhóis há inscritos.
20.
Filhos da mãe, é de propósito. Ai, de certeza.
Not bad. Mas hoje custou-me, porra. E acho que vou ter de abandonar o plot original. Ou pelo menos a parte em que a Geninha "se passa" e desata a matar os pretendentes. Não funciona. Com ela não. É muito atadinha. Não tem pinta de homicida, o que me lixa magnificamente o andamento da narrativa :[
Estão inscritos 10 portugueses no nanowrimo.
Ora adivinhem lá quantos espanhóis há inscritos.
20.
Filhos da mãe, é de propósito. Ai, de certeza.
quinta-feira, novembro 06, 2003
Escrever ou não escrever: qual é a porra da questão?
Já devo ter cerca de 7 mil palavras (7k - hurra, hurra, hurra!), não sei o número exacto porque escrevo à mão. Hoje para cumprir a quota faltam-me duas folhas A4, logo, 4 páginas A4. Demoro cerca de uma hora, se não parar.
Adoro cadernos espiralados com folhas quadriculadas. Sigo as carreirinhas como as formiguinhas. E quando deixo de controlar as linhas que já fiz, falta muito, epá, etc. e tal, quando apenas sigo a história ou a personagem ou a mão que escreve - ena, faço aquilo num instante. Fica uma merda, mas isso agora não vem ao caso.
Tenho, depois, de abrir conversações comigo própria para me convencer a reescrever a história. O que hoje é porcaria, amanhã pode ser obra-prima!
E valer-me o Nobel!
Ah-ah-ah. Quem se rir apanha nos dentes. Ena tanta palavrinha que aqui pintei...
Altura de regressar à Geninha (aquela estúpida) e ao Orlando (canalha).
Como é que se escreve quando não se gosta das personagens que se inventou?
Resposta: uma linha de cada vez.
Já devo ter cerca de 7 mil palavras (7k - hurra, hurra, hurra!), não sei o número exacto porque escrevo à mão. Hoje para cumprir a quota faltam-me duas folhas A4, logo, 4 páginas A4. Demoro cerca de uma hora, se não parar.
Adoro cadernos espiralados com folhas quadriculadas. Sigo as carreirinhas como as formiguinhas. E quando deixo de controlar as linhas que já fiz, falta muito, epá, etc. e tal, quando apenas sigo a história ou a personagem ou a mão que escreve - ena, faço aquilo num instante. Fica uma merda, mas isso agora não vem ao caso.
Tenho, depois, de abrir conversações comigo própria para me convencer a reescrever a história. O que hoje é porcaria, amanhã pode ser obra-prima!
E valer-me o Nobel!
Ah-ah-ah. Quem se rir apanha nos dentes. Ena tanta palavrinha que aqui pintei...
Altura de regressar à Geninha (aquela estúpida) e ao Orlando (canalha).
Como é que se escreve quando não se gosta das personagens que se inventou?
Resposta: uma linha de cada vez.
quarta-feira, novembro 05, 2003
terça-feira, novembro 04, 2003
Trecho de "Geração X", de Douglas Coupland, págs. 67-68.
«E entao tive uma reacção descontrolada. Subiu-me o sangue à cabeça, o meu coração começou a bater; desatei a suar e as palavras do poeta Rilke vieram-me ao espírito - a ideia dele de que todos nascemos com uma carta escrita dentro de nós e só se formos sinceros para connosco poderemos lê-la antes de morrermos. O sangue a ferver nos meus ouvidos disse-me que o Sr. Takamichi tinha de algum modo confundido a fotografia da Monroe que guardava no cofre com a carta dentro dele e que eu também estava em risco de cometer o mesmo erro.
(...)
«Dois dias mais tarde estava de volta ao Oregon, de volta ao Novo Mundo, respirando ares menos povoados, mas soube logo que ainda tinha muita história para viver. Que queria menos da vida. Menos do passado.
«Por isso vim para cá, para respirar pó e caminhar com os cães, para olhar para uma pedra ou um cacto e pensar que sou a primeira pessoa a ver essa pedra ou esse cacto. E tentar ler a carta que tenho dentro de mim.»
Achei esta passagem bonita. Principalmente a parte sobre a "carta escrita dentro de nós" e sobre o querer "menos da vida".
Confissão: hoje ainda não escrevi nada. Oh, shame.
«E entao tive uma reacção descontrolada. Subiu-me o sangue à cabeça, o meu coração começou a bater; desatei a suar e as palavras do poeta Rilke vieram-me ao espírito - a ideia dele de que todos nascemos com uma carta escrita dentro de nós e só se formos sinceros para connosco poderemos lê-la antes de morrermos. O sangue a ferver nos meus ouvidos disse-me que o Sr. Takamichi tinha de algum modo confundido a fotografia da Monroe que guardava no cofre com a carta dentro dele e que eu também estava em risco de cometer o mesmo erro.
(...)
«Dois dias mais tarde estava de volta ao Oregon, de volta ao Novo Mundo, respirando ares menos povoados, mas soube logo que ainda tinha muita história para viver. Que queria menos da vida. Menos do passado.
«Por isso vim para cá, para respirar pó e caminhar com os cães, para olhar para uma pedra ou um cacto e pensar que sou a primeira pessoa a ver essa pedra ou esse cacto. E tentar ler a carta que tenho dentro de mim.»
Achei esta passagem bonita. Principalmente a parte sobre a "carta escrita dentro de nós" e sobre o querer "menos da vida".
Confissão: hoje ainda não escrevi nada. Oh, shame.
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